Shopping popular longe de virar realidade


No ano passado, a Prefeitura sinalizou que iria retirar os ambulantes da Avenida Getúlio Vargas. A ação seria necessária para facilitar os trabalhos de reestruturação previstos para a via, mas a iniciativa não saiu do papel, pois as obras viárias no local não foram realizadas em 2012.
A ideia para a construção de um local específico para abrigar os ambulante foi apresentada pelo então prefeito Custódio Matos em 2009, com projeto orçado em R$ 8 milhões. A presidente da Associação dos Camelôs e Ambulantes de Juiz de Fora, Andiara Martins, afirma que os trabalhadores estão abertos ao diálogo. "Não descartamos a ideia de um shopping popular, porém, não vejo um local que contemplaria a todos no Centro. Somente os associados são 220", resume. De acordo com o setor de supervisão de licenciamento de atividades em área de domínio público da Secretaria de Atividades Urbanas, dos 380 ambulantes cadastrados, 270 são ativos e trabalham nas ruas da cidade.
O presidente do Sindicato Sindicomércio de Juiz de Fora, Emerson Belotti, acredita que a construção do shopping popular seria benéfica para todos. "As ruas ficariam mais limpas, com mais espaço para o pedestre, os ambulantes teriam um lugar mais digno para trabalhar e o trânsito ficaria mais livre. Já passou do tempo de Juiz de Fora conseguir resolver este problema. Me parece que a gestão passada possuía até um local separado para isso e, espero que a atual Prefeitura consiga resolver essa questão".
A opinião é compartilhada pelo presidente da Câmara de Dirigente Lojistas de Juiz de Fora, Vandir Domingos. "A construção de um shopping popular é um anseio antigo nosso, não só pelo lado comercial, mas também olhando o aspecto humano dos trabalhadores, que precisam de um local para trabalhar com dignidade", resume.
á na visão do camelô Paulo Romero de 54 anos, que há 28 trabalha nas ruas, a transferência dos ambulantes para um local específico seria o início da extinção de sua profissão. "Com custos para legalização, mais as contas de banheiro, água e luz, a situação para muitos ficaria inviável. Porém, mais importante que isso: nosso público é rotativo, se o freguês passar, eu não estiver aqui, ele vai em outro no caminho. Camelô tem que ficar na rua. As dificuldades fazem parte da luta da profissão. É óbvio que se eu tivesse mais condições, iria montar uma loja e viver no conforto, mas tenho que criar minha família".
Alternativa
O arquiteto urbanista Frederico Braida, professor da UFJF e pesquisador na área de cidade e comércio, acredita que a melhor alternativa seria mesclar as opções atuais, deixando para os ambulantes a opção de escolher entre a manutenção das barracas nas ruas ou a mudança para o shopping. "É uma questão muito complexa, com muitos interesses divergentes em jogo. Acredito que, para a ideia ser possível, teria que ser feito um recadastramento de todos os ambulantes e, posteriormente, um estudo estratégico analisando em que local os camelôs poderiam ficar, quantos seriam e quais produtos eles estariam aptos a vender".











