Fiemg negocia compra do Expominas e anuncia nova unidade do Senai com foco em tecnologia em Juiz de Fora
Em entrevista à Rede Tribuna, presidente da Fiemg Regional Zona da Mata defende modelo de flexibilização por horas e critica proposta de redução da jornada 6×1

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) negocia a compra do Expominas em Juiz de Fora e prepara a instalação de uma nova unidade do Senai voltada para tecnologia e inovação. Os projetos fazem parte das prioridades da entidade para 2026 e foram apresentados pela presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Mariângela Miranda Marcon, durante entrevista à Rede Tribuna, disponível no Youtube, nesta quinta-feira (12), dia em que a federação completa 93 anos.
Segundo a dirigente, a possível aquisição do centro de eventos representa um novo investimento da federação na cidade e pode ampliar a capacidade de atração de feiras, congressos e eventos empresariais. “Se a gente comprar, como eu acho que é 90% de certeza, será mais um investimento importante da Federação das Indústrias para Juiz de Fora e para toda a Zona da Mata”, afirmou.
Paralelamente, a entidade prepara a abertura de uma nova unidade do Senai, que deve funcionar no antigo espaço ocupado pela sede regional na Zona Norte da cidade. A mudança foi possível após a transferência da Fiemg para o prédio central do Instituto Sesi Granbery, no Centro da cidade, medida que, segundo a presidente, reduziu os custos operacionais pela metade.
Com a liberação do imóvel anterior, a federação decidiu instalar no local uma unidade voltada para cursos ligados à robótica, inteligência artificial e outras áreas tecnológicas. A proposta é atender às novas demandas da indústria e preparar trabalhadores para profissões emergentes.
“Vamos ter robótica, inteligência artificial e outros conteúdos pedagógicos diferentes dos cursos tradicionais. É um investimento em formação para o futuro”, disse Mariângela.
A presidente afirmou que a expansão da rede de ensino técnico e a possível compra do Expominas fazem parte de uma estratégia para fortalecer o ambiente de negócios na região. Entre as metas da entidade também estão a revitalização do Distrito Industrial e melhorias na infraestrutura, como o acesso ao aeroporto, que são vistos pela federação como atrativos para novas empresas.
Outro projeto citado foi o Recriar, iniciativa do Sesi que permite que empresas financiem vagas escolares, garantindo bolsas para filhos de trabalhadores e estudantes de baixa renda. O programa já está em execução e, segundo a dirigente, tem boa adesão em Juiz de Fora, que ocupa a terceira posição no estado entre as cidades com maior número de empresas participantes e vagas ofertadas.
Além dos investimentos, a Fiemg pretende criar um Conselho Estratégico Empresarial na Zona da Mata, reunindo grandes, médias e pequenas empresas para discutir pautas comuns e articular demandas junto ao poder público.
A proposta, de acordo com a presidente, é formar uma rede de empresários dispostos a atuar em projetos coletivos para impulsionar o desenvolvimento econômico regional. “Precisamos unir forças para atrair investimentos e resolver problemas estruturais da cidade”, afirmou.
Fiemg reforça posição contrária ao fim da escala 6×1
Sobre a proposta de redução da jornada no modelo 6×1, Mariangela afirmou que a Fiemg mantém posição contrária à mudança. Segundo ela, estudos elaborados pela área econômica da federação indicam que, em um cenário de instabilidade econômica, a medida pode elevar custos operacionais e gerar impacto nos preços ao consumidor.
A presidente argumenta que o aumento de despesas com contratação ou pagamento de horas extras tende a ser repassado ao mercado, o que poderia pressionar a inflação e reduzir o poder de compra do próprio trabalhador. “A pessoa que acha que vai ficar em casa trabalhando e que não vai haver repasse dos custos para os preços, ela está enganada”, afirmou.
Para ela, a discussão precisa considerar o momento econômico do país e do mundo e os reflexos para a competitividade das empresas. “É algo de se conversar porque propostas de 36 horas, num mundo como o que estamos vivendo, chegam a ser, eu acho, particularmente irresponsáveis”, disse.
Como alternativa, Mariangela defende modelos mais flexíveis de jornada, com possibilidade de contratação por horas e acordos ajustados à realidade de cada setor. Ela defende que é necessário buscar soluções modernas, que garantam descanso ao trabalhador, mas também preservem a sustentabilidade das empresas.