Escalada do dólar alavanca exportações


Por Tribuna

11/04/2015 às 06h00

Tradicionalmente negativa, a balança comercial juiz-forana amarga déficit de US$ 41,3 milhões no primeiro bimestre deste ano. A novidade foi a alta expressiva das exportações, que subiram 20,6% neste início de ano, alcançando a marca de US$ 14,8 milhões. As importações somaram R$ 56,1 milhões. Este é um dos impactos, no cenário local, da escalada do dólar verificada desde o ano passado. Ao mesmo tempo em que estimula as vendas para o mercado externo, reduz as importações, que apresentaram queda acentuada (52,7%) no mesmo período avaliado. O recorte municipal foi divulgado pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

De acordo com a analista de Comércio Exterior da Fiemg Regional Zona da Mata, Maria Fernanda Quirino, os resultados da balança refletem o movimento da moeda norte-americana até fevereiro, sem contar o aumento brusco que levou o dólar para além da casa dos R$ 3 em março. “Não temos esse reflexo ainda, já que os números mostram as negociações de embarque feitas pelas empresas no ano passado, quando o dólar estava na faixa dos R$ 2,80.”

Apesar de o câmbio em alta ser atrativo às exportações, a analista explica que o empresário precisa da moeda estável para assinar contratos de compra e venda. Na quarta-feira, por exemplo, o dólar operou em forte queda, fechando em R$ 3,05. “Que fique alto ou baixo, na hora de negociar, o dólar precisa estar estável.” O câmbio encerrou o primeiro trimestre com aumento acumulado de 20% em relação ao real.

África do Sul é principal parceira

A balança local mostrou que o zinco foi o principal produto exportado (46%), seguido por instrumentos e aparelhos das áreas médica e odontológica (21,21%) e veículos automotores (8,17%). Os principais destinos foram África do Sul (44,93%), Espanha (13%), Peru (12,7%), Estados Unidos (9,29%) e Argentina (8,51%). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a participação da África do Sul cresceu 250% e a da Argentina, 207,15%, enquanto houve queda em outros países, como Espanha (-21,69%) e Peru (-12%).

Em relação às importações, a Argentina é a principal parceira (44,26% de participação), seguida por Peru (25,77%), Estados Unidos (6,42%) e China (5,25%). Na pauta, minério de zinco e concentrados lideraram a lista (25,64%), apresentando alta de 22,68% de um ano para o outro. Em contrapartida, Em contrapartida, as importações de veículos para transporte de pessoas e mercadorias caíram de forma expressiva (-63,78%) e (-68,47%), nesta ordem, sempre analisando o primeiro bimestre deste ano ante igual período de 2014. Para Maria Fernanda, o comportamento do mercado automotivo foi o principal motivo para a retração.

Consultoria aberta

As micro, pequenas e médias empresas interessadas em expandir os negócios para o mercado externo podem participar do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), disponível na Fiemg Regional Zona da Mata. A iniciativa é gratuita e consiste na visita de técnicos à empresa, para realizar diagnóstico e implementar ações visando a estimular a competitividade. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou telefone (32) 3249-1034.