Pré-pago ganha mercado
Brasileiros que não possuem conta corrente em bancos têm nas mãos mais uma ferramenta para auxiliar o planejamento financeiro familiar: o cartão pré-pago. A modalidade já era conhecida entre aqueles que utilizam este tipo de cartão para viagens ao exterior, abastecendo-o com a moeda do país de destino, evitando se deslocar com o dinheiro em espécie. Porém, a novidade, agora, é que a mesma ideia tem sido aplicada para utilização em moeda nacional para compras rotineiras, que além de controlar os gastos, deixa o dinheiro mais seguro.
O cartão pré-pago funciona a partir de recargas em dinheiro, que acontecem de forma ilimitada e são estabelecidas de acordo com as necessidades de cada pessoa. Na prática, eles são semelhantes a um cartão de débito, porém, sem vínculo a conta corrente. Para usufruir do produto, o usuário precisa arcar com taxas para custear a emissão e outros serviços, como recarga, manutenção e saques. Para a emissão, os valores variam de R$ 10 a R$ 15 entre as operadoras. Já as tarifas de recarga custam, em média, R$ 3, enquanto a taxa de manutenção mensal – se houver saldo – de R$ 1 a R$ 5. Saques nos caixas eletrônicos das operadoras podem custar de R$ 2,50 a R$ 7.
Embora o Banco Central não possua números absolutos sobre esta modalidade, instituições financeiras ouvidas pela Tribuna afirmam que o volume de cartões pré-pagos ativos no país chega à casa dos milhões. O Banco do Brasil, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que já oferece os cartões a clientes não correntistas, e estima que a modalidade cresça cerca de 30% ao ano. Até o mês passado, a instituição havia emitido 2,1 milhões de pré-pagos. Já a Agillitas, empresa focada na prestação de serviços de pagamento pré-pagos no Brasil, acredita que existam cerca de cem mil cartões ativos em todo o país, tendo como média de recarga cerca de R$ 800.
Para o CEO da Agillitas, Roger Ades, entre as vantagens ofertadas pelo pré-pago está a ausência de burocracia e documentação, conforme é exigido pelos bancos ao se abrir uma conta corrente. “Não há restrições e nem avaliação de crédito. Os cartões podem ser solicitados pela internet.” Segundo Ades, por proporcionar maior controle dos gastos, o pré-pago funciona como ferramenta para a educação financeira tanto para adultos extremamente consumistas quanto para pais que disponibilizam a mesada aos filhos, ensinando-os sobre o uso consciente do dinheiro. “Temos registros de que cerca de 10% das transações realizadas pela Agillitas correspondem a compras feitas pela internet”, comenta.
Alto custo
Se por um lado os cartões pré-pagos oferecem liberdade para o consumo de forma controlada, por outro, algumas vantagens deixam de existir, como o parcelamento de compras. Para o superintendente do Procon-JF, Nilson Ferreira Neto, as taxas cobradas para a manutenção destes cartões são maiores do que aquelas oferecidas pelos bancos, destinadas à conta corrente e ao cartão de crédito normal. “A lógica é a mesma dos celulares pré-pagos, com tarifas maiores do que nos pós-pagos. No entanto, a pessoa fica livre de entrar no cheque especial”, ressalta.
Na visão da coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, as necessidades de cada pessoa precisam ser avaliadas antes de optar pela conta em banco ou solicitar o pré-pago. “Tudo depende do perfil e do produto que se quer comprar. Orientamos os consumidores a traçarem um paralelo entre as vantagens e desvantagens em cada situação. No caso das contas, vale conhecer os serviços essenciais inclusos na taxa de manutenção, e perceber se eles atendem às suas demandas. Muitas vezes, os serviços no pré-pago saem muito mais caros.”









