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Mercedes-Benz transfere 163 funcionários de JF para São Paulo

mercedes Fernando Priamo
Produção do caminhão Actros na Mercedes-Benz de Juiz de Fora segue até setembro deste ano (Foto: Fernando Priamo)
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O término da produção do caminhão Actros na Mercedes-Benz de Juiz de Fora, previsto para setembro deste ano, já acarreta uma série de mudanças na empresa, sobretudo para os 350 funcionários ligados ao projeto. Desde dezembro, foram concluídas as transferências de 163 trabalhadores, que, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, concordaram em ir para a planta de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, responsável por confeccionar o novo Actros, apresentado na Fenatran 2019 (Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas). Segundo a assessoria de imprensa da montadora, cerca de outros 100 colaboradores estão saindo daquela área para continuar na própria fábrica juiz-forana, porém, na montagem e pintura das cabinas de caminhões. No decorrer dos ajustes, em torno de 150 temporários foram contratados até o fim oficial da produção, já que os dois modelos de veículos ainda permanecem no mercado por um período, até o recém-lançado, com venda prevista a partir de abril, assumir definitivamente o posto.

O futuro dos demais funcionários ainda não foi confirmado pela marca alemã. Informações da categoria dão conta de que, aproximadamente, 30 colaboradores teriam aderido ao programa de demissão voluntária oferecido. Questionada sobre o número, a assessoria da montadora diz apenas que “o grupo remanescente está avaliando outras possibilidades”, pois as discussões permanecem abertas. A empresa também nega qualquer especulação sobre o fechamento da unidade mineira, que emprega pouco mais de mil pessoas. “Não temos cogitado isso. Para nós, é muito estratégico ter Juiz de Fora fabricando as cabinas e São Bernardo produzindo os caminhões, com as duas plantas trabalhando em total sinergia. Estamos buscando encontrar as melhores alternativas para a reestruturação das atividades”. A Mercedes lembra, ainda, que desde 2014, quando foram anunciados os investimentos, já havia sido informado que a ideia era concentrar os trabalhos no município em torno das cabinas.

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Na visão do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, João César da Silva, a Mercedes tem cumprido o combinado, após o temor, levado a público no início de novembro, de que os 350 colaboradores pudessem perder seus empregos. Segundo ele, todos os 100 trabalhadores transferidos para o ABC paulista inicialmente, entre dezembro e janeiro, e os 63 que seguiram o mesmo destino posteriormente, recebem R$ 500 por mês durante um quadrimestre para ajudar nos gastos com aluguel neste processo de adaptação, R$ 3 mil a título de auxílio-mudança, 10% de aumento salarial, além de um adicional de 25% durante dois anos. “O pacote de transferência definitiva já fechou, com 163. A nossa estimativa era em torno de 250. Como a ida era voluntária, não era obrigatória, a gente não tinha ideia. Mas foi um número significativo”, reforça. Conforme o sindicalista, a decisão de cada um foi precedida de conversas, informações e visita à planta de São Bernardo, oferecida pela própria Mercedes.

Negociação

De acordo com a presidência da entidade que defende os interesses dos metalúrgicos, ainda em março começam as rodadas de negociação salarial. Nesta terça-feira (10), acontece assembleia dos trabalhadores em Juiz de Fora e, na quarta, em Santos Dumont, para ser definida a pauta de reivindicações. No fim do mês, também está planejada reunião com o vice-presidente da Mercedes em São Bernardo do Campo. “Vamos iniciar a discussão de data-base, de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e também desse período de transição, para que não seja preciso demitir ninguém. Não temos número de quantas pessoas vão estar sobrando. E o coronavírus também acaba influenciando na produção e no mercado lá fora, acaba interferindo, mesmo que de forma indireta. Mas sempre esperamos que não haja demissão e vamos buscar alternativas.”

João César enfatiza que o cenário poderá ser melhor definido no fim do mês. “Sabemos que até 120 podem ser aproveitados na planta juiz-forana, na linha de montagem e pintura de cabinas.” Ele acredita que as pessoas que aceitaram ir para o ABC paulista podem ter até mais oportunidade de crescimento profissional, porque a unidade de São Bernardo do Campo conta com cerca de sete mil colaboradores. “Parece que o pessoal que foi está satisfeito, mas continuamos acompanhando e mantendo contato.”

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Avanço do coronavírus ainda não prejudica produção

Questionada sobre os possíveis impactos diante do avanço do coronavírus no mundo, a Mercedes-Benz admitiu que utiliza alguns componentes eletrônicos da China, país onde surgiram os primeiros casos e que ainda concentra a maior parte deles. De acordo com a assessoria, no entanto, até o momento a Covid-19 não está afetando a produção da montadora alemã, porque a empresa trabalha com vasto estoque.

Presente nesta segunda-feira (9) em Juiz de Fora no evento Café Parlamentar, promovido pela Associação Comercial e Empresarial (ACE/JF), o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fernando Passalio de Avelar, falou da importância da permanência da fábrica no estado. “Estamos trabalhando não só para a Mercedes ficar, mas para que outros investimentos de equivalência possam vir para o Estado e possam gerar emprego, renda e as divisas que a Mercedes gerou no passado e ainda gera.”

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Conforme Avelar, a empresa tem se mostrado muito aberta ao diálogo. “O nosso acompanhamento está muito próximo, embora existam algumas dificuldades que fogem da competência do Estado. A Mercedes tem dificuldades de fazer o desembaraço de suas mercadorias em Juiz de Fora. E isso é uma atuação de âmbito federal. Nós temos outros estados oferecendo condições de desembaraço aduaneiro com mais facilidade”, disse ele, ressaltando que “algumas questões não passam por soluções do Estado, mas, sim, do Governo federal”.

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