Mulheres ganham até 20% a menos


Por GRACIELLE NOCELLI

08/03/2016 às 07h00- Atualizada 08/03/2016 às 09h20

Aluta das mulheres pelo fim da desigualdade entre os gêneros passa, sobretudo, pelas questões econômicas. Apesar do crescimento da participação feminina no mercado de trabalho e na condição de chefe de família, a remuneração delas chega a ser quase 20% inferior do que a dos homens. Levantamento feito pela Employer RH mostrou que dentre as 20 profissões mais procuradas por elas neste primeiro bimestre, 19 oferecem salários menores para mulheres.

A profissão com maior discrepância é a de professor (19,6%), em que o homem recebe, em média, R$ 2.674,49 e a mulher, R$ 2.150,67. Em seguida, a de vendedor (13,8%), com salários de R$ 2.380,27 e R$ 2.052,42, respectivamente. Para a função de balconista, a remuneração masculina é de R$ 1.602,86, e a feminina, 11,9% menor (R$ 1.412,03). Apenas a profissão de empregada doméstica oferece salário superior em 1,8% para o sexo feminino.Enquanto as brasileiras recebem, em média, R$ 1.186,15, os homens ganham R$ 1.164, 64.

No ranking ainda estão as profissões de técnico em enfermagem, com diferenças de 11%, promotor de vendas e auxiliar de produção, 10,7%; auxiliar de serviços gerais e auxiliar de cozinha, 9,1%; recepcionista, 7,2%; auxiliar administrativo (7%); atendente (6,9%); operador de caixa (6,1%); auxiliar de limpeza (5,6%); costureira (5,5%); auxiliar de escritório (5%); operador de telemarketing (4,8%); secretária (4,7%); assistente administrativo (4,6%) e atendente comercial (3,3%).

Os dados do estudo são uma amostra da realidade em todo o país, conforme explica a especialista em carreiras da Empolyer, Fabiana Zandroski. “Nós realizamos esse material há três anos, e sempre verificamos que a média salarial masculina é maior. É o resultado de uma herança cultural. Isto vem diminuindo, mas em um ritmo bastante lento.” A diminuição, segundo ela, se dá pelo empenho das próprias mulheres. “Elas estão se especializando mais e, também, se reinventando para conquistar espaço no mercado de trabalho.”

Em Juiz de Fora, o número de mulheres que trabalham fora aumentou 44% entre 2000 e 2010, conforme os dados mais recentes do IBGE. Há seis anos, o público feminino representava 45% da população economicamente ativa e 43% das responsáveis por domicílios. A tendência é que esses índices tenham aumentado desde então. “O aumento desta participação é constante e se dá porque elas estão enfrentando o desafio de conciliar família e carreira.”

Mas é o entendimento sobre este desafio que pode acarretar em menores salários, conforme análise da presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais (ABRH-MG), Eliane Ramos. Confirmando a realidade de desigualdade entre os gêneros no estado, ela destaca que há empregadores que avaliam a dedicação da mulher à família como fator de diferenciação. “Na prática, as empresas não podem exigir preferência entre homem ou mulher, pois isso é discriminação. Mas sabemos que há diferença entre as remunerações, e alguns direitos como a licença maternidade são levados em conta para isso.”

Apesar disso, ela acredita que a mudança está a caminho. “É uma evolução em marcha lenta, mas que estamos conseguindo realizar. Hoje, há mulheres ocupando mais cargos de liderança e gestão, por exemplo.” Dados do Índice Global de Desigualdade de Gênero de 2015 mostrou que 37% dos cargos de alto escalão e diretoria no Brasil são ocupados por elas.