Fechamento de negócios cresce 30%

Juiz de Fora perdeu 532 empresas entre janeiro e julho deste ano, conforme dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg). O número é 30% superior ao verificado no mesmo período de 2014, quando 408 negócios encerraram as atividades. Os setores de comércio e serviços concentram 90% da perda, os outros 10% se referem à indústria. A situação é apontada como reflexo da redução da atividade econômica no país, que tem agravado as dificuldades enfrentadas pelos empresários, como aumento de custos para produção, queda nas vendas, alta nas taxas de juros e impostos. A preocupação é que, com a manutenção do atual cenário econômico, esta perda seja mais acentuada nos próximos meses.
Do total de empresas que fecharam as portas este ano, 240 atuavam no comércio e 240 no setor de serviços. “Ambos os setores concentram uma grande quantidade de pequenos negócios, justamente por não demandarem um valor alto de investimento para a abertura. Em tempos difíceis como o que vivemos agora, o pequeno empresário não tem para quem recorrer e fica mais vulnerável”, avalia o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), entidade que representa ambos os setores, Emerson Beloti.
Ele destaca que, diante do encarecimento dos custos fixos e da retração do mercado, que tem acarretado redução das vendas, os empresários têm tomado crédito junto aos bancos. “Para os pequenos, não é fácil conseguir empréstimo, já aqueles que conseguem, enfrentam a dificuldade para arcar com os juros altos. A situação é desfavorável não só para os os negócios menores, mas as empresas tradicionais também correm risco.” Beloti afirma que o maior receio é continuar perdendo empresas. “Somos os principais empregadores da cidade.”
O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) da Zona da Mata, Francisco Campolina, diz que desconhece a realidade de fechamento das indústrias em Juiz de Fora, mas afirma que tem sido difícil para o empresário manter os negócios. “Temos que arcar com custos mais caros, taxas altas de juros, concorrência com os estados vizinhos e a nossa alta carga tributária. É um grande desafio para o administrador.”
Reflexo
O economista Antônio Flávio Lucca do Nascimento alerta que o desemprego provocado pela perda de empresas contribui para a manutenção da estagnação econômica. “A população perde poder aquisitivo, não consome e, consequentemente, há perda em todos os setores, que precisam se adequar à realidade de retração.”Ele afirma que o país vive um período de “forte recessão” e sobreviver a este momento é tarefa difícil. “O consumidor está endividado, a tributação é excessiva, o dólar está alto e impacta no valor de muitos insumos importados. A economia está fragilizada e não demonstra avanços para se recuperar tão cedo, o que aumenta a incerteza do empresário.”
O especialista destaca, ainda, que o fechamento de empresas reflete outro aspecto do período de crise. “Alguns empreendedores acabam abrindo o próprio negócio por necessidade, após perderem o emprego, por exemplo. Sem conhecimento ou vocação para o negócio, as chances de falência também aumentam.” A opinião é compartilhada pelo analista técnico do Sebrae, Gustavo Magalhães. “O planejamento é uma função essencial para qualquer negócio. A crise existe e deixa isso ainda mais evidente. Diante da redução da atividade econômica, as empresas precisam estar muito bem estruturadas, ter conhecimento de negócio e mercado para realizarem uma boa gestão.”









