Alta do dólar já impacta turismo


Por Tribuna

07/03/2015 às 06h00

A viagem ao exterior planejada para 2015, por enquanto, pode estar longe de decolar. As altas apresentadas pelo dólar americano, utilizado como base de cálculo para destinos internacionais – exceto a Europa, cotada em euro – têm freado o fechamento de contratos em agências de turismo da cidade. Além dos custos de estadia e passagens, o turista ainda precisa desembolsar quantias para a sua subsistência, por meio do dólar turismo. Ontem, esta modalidade da moeda encerrou o dia em alta, cotado a R$ 3,13.

Em levantamento feito pela Tribuna nas casas de câmbio juiz-foranas, até ontem, os valores praticados estavam, em média, R$ 3,23. Por meio de cartões pré-pagos o valor estava ainda mais salgado – média de R$ 3,43 – por conta da incidência do IOF, calculado em 6,38%.

Para quem ainda deseja viajar a recomendação, segundo especialistas, é aguardar até o final do mês, quando a economia brasileira tende a ficar mais consolidada, devido a implementação das políticas econômicas propostas pelo Governo.

Comparando-se ao igual período de 2014, algumas agências na cidade já registraram queda de, pelo menos, 10% na procura por viagens com destinos internacionais. A Picorelli Turismo está entre as atingidas pela instabilidade do dólar. A proprietária Mônica Picorelli Assis Mascarenhas explica que, diante deste cenário econômico, o consumidor tende a ficar inseguro, porém, acredita que não haverá redução no número de viagens.

“O brasileiro já tomou gosto por viajar. O que pode acontecer é a redução de dias, no caso de destinos como os Estados Unidos, ou a canalização para locais em que o dólar não vai impactar tanto, como alguns países da América do Sul e Caribe”, comenta. Mônica ainda enxerga um possível aumento em viagens nacionais. “Existem muitas opções no Brasil. Além das praias do Nordeste, tem aumentado a procura para o Norte, como Amazônia e Belém, e ao Centro-Oeste, como o Pantanal”.

O sócio-diretor da CI – Central de Intercâmbios e Viagens – em Juiz de Fora, Ramon Rodrigues, avalia que a volatilidade cambial, de outubro até o mês atual, já freou o número de contratos assinados na empresa. Porém, apesar de acreditar que as viagens internas sejam uma tendência para 2015, ele pontua que o momento pode ser favorável para quem busca um intercâmbio em países como Canadá e Austrália. “O dólar nestes locais não acompanhou a alta, e está cotado, em média, R$ 2,50. Além disso, quem deseja participar de programas de trabalho no exterior, tidos mais como investimento do que turismo, também é uma ótima oportunidade.”

Adiamento

O professor da Faculdade de Economia da UFJF, Fernando Salgueiro Perobelli, destaca que existem duas situações no momento que merecem atenção: quem está na fase de prospecção e quem já efetuou a compra de pacotes. No primeiro caso, o economista recomenda adiar, ao máximo, o fechamento do contrato. “O dólar chegou a um patamar que, dificilmente, vai retornar aos R$ 2,40 que estávamos acostumados há alguns meses. Não vejo perspectivas, a curto prazo, para que isto torne a acontecer. Estamos atravessando um período de instabilidade e quem comprar agora, poderá gastar muito mais.”

Para aqueles que a viagem é inevitável, ele orienta a acompanhar, diariamente, as cotações da moeda americana até a véspera da viagem. “Quando o dólar estiver mais baixo, deve-se comprar, mas em pouca quantidade e em espécie. Por questões de segurança, vale utilizar os cartões pré-pagos, porém, concentrando menos nesta modalidade. Cartões de crédito normais devem ser os menos utilizados.”