Tópicos em alta: eleições 2018 / polícia / outubro rosa

R$ 1,6 mi para termelétrica de JF

Preferiu-se investir nas usinas termelétricas, mas precisávamos olhar também para as hidrelétricas Carlos Faria presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia Hoje estamos utilizando todo nosso parque termelétrico. Estamos no limite do limite Cláudio Sales presidente do Instituto Acende Brasil A Usina Termelétrica (UTE) de Juiz de Fora receberá R$ 1,6 milhão em investimentos […]

Por GRACIELLE NOCELLI Repórter

05/02/2015 às 07h00

Preferiu-se investir nas usinas termelétricas, mas precisávamos olhar também para as hidrelétricas Carlos Faria presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia

Preferiu-se investir nas usinas termelétricas, mas precisávamos olhar também para as hidrelétricas Carlos Faria presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia

Hoje estamos  utilizando todo nosso parque termelétrico. Estamos no limite  do limite Cláudio Sales presidente do Instituto Acende Brasil

Hoje estamos utilizando todo nosso parque termelétrico. Estamos no limite do limite Cláudio Sales presidente do Instituto Acende Brasil

A Usina Termelétrica (UTE) de Juiz de Fora receberá R$ 1,6 milhão em investimentos este ano, conforme informações da Petrobras. O aporte é motivado pelo contexto atual em que o país vive, no qual a escassez de chuvas reduziu a geração de energia das hidrelétricas e fez com que as térmicas fossem acionadas. De acordo com a estatal, com o investimento será possível “aumentar a confiabilidade e a disponibilidade da planta” que, no ano passado, operou com sua capacidade máxima e produziu 626 mil megawatt-hora, energia suficiente para abastecer uma cidade de, aproximadamente, 230 mil habitantes. A geração foi 51% superior à verificada em 2013, quando a UTE produziu 415 mil megawatt-hora.

O aumento da produção de energia, conforme explica a Petrobras, foi solicitado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) em função dos baixos níveis de reservatórios ao longo do ano passado. “Como a UTE Juiz de Fora está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), ela contribui com o sistema elétrico aumentando a confiabilidade da rede, sobretudo, nos momentos de alta demanda e picos de consumo, e, também, auxiliando a poupar água nos reservatórios das usinas hidráulicas.”

A Petrobras esclarece, ainda, que a usina opera seguindo a determinação do ONS. “Na maioria dos despachos é solicitado que a UTE opere com capacidade máxima. O ponto ótimo de operação da usina se dá com 100% de sua capacidade em funcionamento.”

O conteúdo continua após o anúncio

Para a operação ao longo de 2014, a usina juiz-forana, que é biocombustível, utilizou apenas o gás natural. De acordo com a estatal, não foi necessário utilizar etanol para geração de energia. “Esse combustível somente é usado em caso de contingências no fornecimento de gás natural, o que não ocorreu em nenhum momento.”

No país

O sistema brasileiro de geração de energia elétrica conta com 202 usinas hidrelétricas e 1.935 termelétricas (além de unidades eólicas, nucleares, solares e centrais hidrelétricas), segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Decidir quando cada uma dessas usinas entra em funcionamento é o desafio diário do ONS, conforme explica o presidente do Instituto Acende Brasil, centro de estudos sobre o setor elétrico no país, Cláudio Sales. “A decisão do operador ocorre a partir de uma série de variáveis e análises com o objetivo de oferecer segurança de suprimento ao menor custo de operação.”

Conta de luz

Como a produção de energia pelas térmicas custa mais caro, automaticamente, quando elas precisam ser acionadas, o consumidor sente a alta na conta de luz. “Hoje estamos utilizando todo nosso parque termelétrico. Estamos no limite do limite”, afirma Cláudio. “A situação pesa no bolso dos consumidores e preocupa o futuro econômico do país.”

No final de janeiro, a Aneel propôs uma nova forma de rateio de custos sobre as despesas relativas às termelétricas. A proposta estabelece que todos os brasileiros paguem pela geração de produção, e não mais apenas os consumidores da região onde as usinas estão localizadas. Com a medida, todos os brasileiros pagarão R$ 3,65 a mais por MWh na conta de luz referente ao consumo de janeiro.

Na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, a situação que onera hoje a conta dos brasileiros é decorrente “de uma sucessão de erros do Governo.” Segundo, ele, as medidas propostas em 2004 para o setor elétrico tinham o objetivo de impedir que o país vivesse uma nova crise, conforme ocorrido entre 2001 e 2002. “Preferiu-se investir nas usinas termelétricas, mas precisávamos olhar também para as hidrelétricas, que garantem uma produção mais barata. A demanda de consumidores praticamente dobrou desde então, mas o número de reservatórios não.” Faria destaca, ainda, que a situação piorou com a criação do pacote de medidas que reduziu as contas de luz para os consumidores em 2013. “Aconteceu no momento errado, quando 80% das térmicas já estavam acionadas.”

O coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Freitas concorda. “O setor elétrico dotou-se de um sistema térmico que não existia. Em 2001, a geração hídrica representava 85% da capacidade, e o restante era geração térmica. Atualmente, 60% são de fonte hídrica e o restante, térmica. O resultado é que temos que conviver com uma energia mais cara e a possibilidade de racionamento.”

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail





Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia