Comércio luta por elevar vendas


O clima de Natal já chegou às ruas de Juiz de Fora, mas o ano é de crise. Nas lojas, desde o final de outubro, muitas vitrines foram decoradas para a data, considerada a melhor em vendas do calendário comercial. Em ano de movimento fraco, a ordem é não perder tempo. Os empresários prometem se desdobrar para criar estratégias e atrair consumidores com promoções. Muitos admitem até segurar os preços. Há a preocupação em oferecer variedade e novidade, apesar de alguns lojistas admitirem trabalhar com estoques mais enxutos. Depois de ver os resultados despencarem ao longo do ano, inclusive nas datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais, o setor pretende trabalhar ao máximo no Natal para, pelo menos, garantir o mesmo faturamento que o registrado em 2014.
Os motivos para não esperar o crescimento das vendas no final do ano vêm sendo desenhados ao longo do ano. A crise reduziu o poder aquisitivo das famílias, que vem convivendo com desemprego e inadimplência. As contratações temporárias do setor realizadas no último trimestre do ano não aconteceram. A projeção inicial do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF) de abertura de mil vagas para o período foi reavaliada e sofreu redução de 40%. A entidade acredita que apenas 600 empregos temporários sejam criados até dezembro. Diante deste cenário, mais do que realizar vendas, os lojistas têm a missão de despertar o interesse dos consumidores para o Natal.
O presidente do Sindicomércio-JF, Emerson Beloti, afirma que 80% dos consumidores deixam as compras para a última hora. “Mesmo conhecendo este hábito do brasileiro, toda tentativa de impulsionar as vendas é interessante. O ano tem sido muito difícil para o comércio, e, se o Natal for fraco, muitas empresas entrarão sem fôlego em 2016.” Beloti não quis comentar as expectativas do setor para a data antes da divulgação da pesquisa sobre intenção de consumo.
O estoque de Natal da loja Tetê Festas foi negociado com fornecedores com antecedência, o que garantiu que os preços não sofram aumento em comparação com o ano passado. “Trazemos produtos que são tradicionais e novidades no mercado. Manteremos os mesmos preços do ano passado. Se conseguirmos igualar os resultados das vendas estaremos satisfeitos”, diz um dos proprietários José Carlos de Aguiar.
Na loja de utilidades Mundo das Opções, uma das estratégias usadas para atrair clientes foi antecipar a decoração natalina. Desde o início de outubro, os produtos ocupam as prateleiras do estabelecimento. “Imaginamos que o Natal possa ser mais fraco do que o ano passado, mas estamos trabalhando para conseguir, pelo menos, empatar as vendas”, explica o gerente Leandro Vieira. Segundo ele, são poucos consumidores que procuram por enfeites natalinos com antecedência. “Mas não dá para perder qualquer oportunidade de venda.”
Além da decoração antecipada, a estratégia na papelaria Palimontes tem sido a oferta de produtos que são novidade no mercado, como árvores de led e diferentes modelos de Papai Noel, além de promoções; “Temos que manter o otimismo, mesmo neste período mais complicado”, pontua o gerente Guilherme Assis. “A exposição dos produtos natalinos por um tempo maior ajuda o consumidor a se organizar financeiramente para a data.”
Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Marcos Casarin, a postura dos lojistas da cidade deve ser otimista. “As pessoas têm a tradição de confraternizar no Natal, por isso, o comércio deve estar pronto para atendê-las. O momento exige um ajuste do estoque, mas é importante ter uma oferta variada e consistente para fazer as vendas acontecerem.”
Horário especial
Por conta do hábito dos consumidores de deixarem as compras para a última hora, o Sindicomércio-JF e o Sindicato dos Empregados do Comércio acordaram em convenção coletiva a redução do horário especial de Natal. Ao contrário dos anos anteriores, quando as lojas estendiam o expediente durante 15 dias, os estabelecimentos ampliarão a jornada apenas na semana que antecede o Natal.
Amis estima crescimento de apenas 1%
A expectativa para as vendas dos supermercados neste Natal também é modesta. A Associação Mineira de Supermercados (Amis) estima crescimento máximo de 1%. Durante a participação na Convenção Mineira de Supermercados (Superminas), realizada no final de outubro em Belo Horizonte, o presidente da Amis, Alexandre Poni, explicou que a projeção se dá por conta do período difícil que a economia brasileira atravessa.
A pedido a Amis, o Instituto Gênese realizou a pesquisa “Hábitos de Consumo”. O estudo mostrou que 43,5% dos consumidores pretendem gastar menos dinheiro este ano com as compras de Natal, 38,4% irão manter o valor desembolsado no ano passado e 15% gastarão mais. A pesquisa ouviu 650 consumidores em Belo Horizonte. De acordo com a diretoria da associação, o resultado pode ser aplicado para cidades do interior de maior porte, como Juiz de Fora.











