Produtor recebe menos por leite
O estudo “Perspectivas de desenvolvimento para a Zona da Mata mineira” foi apresentado pela Fiemg ontem aos dez deputados que integram a frente parlamentar criada para defender os interesses da região na Assembleia Legislativa. As propostas contemplam investimentos em infraestrutura e logística, mudanças na política tributária e criação da região metropolitana de Juiz de Fora.
Para o presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior, não há como corrigir os problemas regionais sem a atuação conjunta dos parlamentares. “A união é a saída para a construção de uma assembleia e de um estado mais fortes. Na Zona da Mata, por exemplo, temos um aeroporto subutilizado por causa de 14 quilômetros de estrada”, exemplificou.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, ressaltou que a iniciativa da Zona da Mata é um caminho que deve ser tomado também pelas demais regionais da Fiemg.
Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, o desafio é promover a competitividade, criando uma nova ambiência econômica e enfrentando os gargalos que afetam a região. Campolina saiu do encontro satisfeito com o compromisso assumido pelos parlamentares de unirem esforços para o desenvolvimento regional. Ele espera que, em breve, tenha início a elaboração de projetos de lei a partir do estudo apresentado.
As linhas de ação propostas pela entidade estão divididas em cinco áreas de atuação. Dentre elas, a de política tributária e fiscal, que prevê a criação de um projeto de lei com tratamento fiscal diferenciado para a Zona da Mata. “A legislação já está pronta e foi elaborada a partir de muito estudo. Entregamos tudo aos deputados com a expectativa de que eles aceitem esta iniciativa e, assim, possamos equiparar as condições da nossa região com a de outros estados”, diz.
O estudo será apresentado hoje em Juiz de Fora, em reunião na Fiemg Regional Zona da Mata.
O preço médio do litro de leite na Zona da Mata (R$ 0,70) é menor do que as médias brasileira (R$ 0,83) e estadual (R$ 0,86) e só perde para as regiões Sul e Sudoeste de Minas (R$ 0,66). As cifras apuradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq/USP) referem-se a valores líquidos recebidos pelo produtor em fevereiro pelo produto entregue em janeiro.
Em Juiz de Fora, especificamente, o preço ao consumidor subiu, em média, 4% de um ano para o outro. Em pesquisa realizada pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) no dia 25 de fevereiro, a média do litro do leite pasteurizado integral estava em R$ 2,276. Na pesquisa de 26 de fevereiro de 2014, o preço médio praticado era R$ 2,19 na cidade.
Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Domingos Frederico Netto, a elevação de 4% não representa aumento, mas reposição de preço. “O leite hoje para o produtor está muito abaixo do custo de produção. O desânimo é geral.” Pelas suas contas, o produtor juiz-forano vende o litro de R$ 0,75 a R$ 0,85 em valores brutos. No ano passado, o preço chegou a R$ 1,15. O valor considerado ideal ao produtor seria entre R$ 1,20 e R$ 1,25. Além do aumento dos custos com energia, combustível e insumos que impactam a produção leiteira, Domingos também cita o baixo consumo e a falta de laticínios na cidade. A esperada vinda da Tirolez, que teria chegado a adquirir terreno no município, mas não avançou no projeto, representaria a chegada de um grande comprador de leite, além de estímulo à concorrência, explica o presidente. A Tribuna não conseguiu contato com a assessoria da empresa ontem. Conforme Domingos, grande parte da produção local é transformada em queijo frescal vendido no Rio de Janeiro. Juiz de Fora, por sua vez, importa leite de cidades mineiras, como Leopoldina e Ponte Nova.
O engenheiro agrônomo Lorildo Stock, phd em Economia Rural, avalia que, apesar do aumento de 4% do leite ao consumidor em Juiz de Fora, o preço ainda está baixo, já que o reajuste foi inferior à inflação. Em nível nacional – e em termos reais – Lorildo avalia que o custo do litro ao produtor caiu, em média, de R$ 1 para R$ 0,90 considerando fevereiro de 2014 e 2015, respectivamente. Embora a redução no valor pago ao produtor seja esperada nesta época do ano em função da entressafra, na sua opinião, o pequeno produtor está extremamente prejudicado e desestimulado a produzir, por fatores como valor recebido, transporte mais caro e aumento dos custos de produção. Entre os consumidores, Stock destaca a queda da demanda em função de endividamento e alta inflacionária. “Esse é um ano difícil.”
O coordenador de Projetos da SAA, Edson Fontes, comenta que a queda no preço médio pago ao produtor seguiu movimento nacional. Para ele, o fato de o valor na Zona da Mata estar abaixo das médias mineira e brasileira pode ser atribuído à queda de captação por algum grande laticínio da região. Segundo o coordenador, a região sofre os mesmos problemas verificados no Sudeste, como a falta de chuvas este ano. Sobre a alta ao consumidor, Fontes avalia que, mesmo caindo o preço para o produtor, o varejo não costuma repassar a queda ao comprador final.










