JF reduz exclusão social em 10 anos


Por EDUARDO MAIA

02/09/2015 às 07h00- Atualizada 02/09/2015 às 08h07

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O Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) em Juiz de Fora, que mede a exclusão social da população, caiu 25% em uma década, segundo o Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O IVS é consolidado a partir de três dimensões: IVS Infraestrutura Urbana, IVS Capital Humano e IVS Renda e Trabalho. Com a queda do indicador no município, de 0,320 para 0,248, a cidade, que antes era considerada na faixa de média vulnerabilidade, passou a ser classificada como de baixa vulnerabilidade. A situação local é semelhante à do país, cuja queda foi de 27%, caindo de 0,446, em 2000, para 0,326 em 2010. O Estado de Minas Gerais apresentou queda de 30%. Em uma escala que varia de 0 a 1, quanto maior o número, pior é a condição de vida.

Entre os dados mais significativos no levantamento do município sobre IVS Capital Humano, destaca-se a redução da mortalidade infantil em Juiz de Fora, que passou de 22,86 crianças no primeiro ano de vida, entre mil nascidas vivas, para 15,42. Além deste, o índice que aponta a probabilidade de crianças mortas até os 5 anos também caiu de 25,04 para 17,79 entre mil vivas. De acordo com o professor e pesquisador da área neonatal da UFJF, Luiz Antônio Tavares Neves, a queda se deve a fatores como melhor aporte nutricional e também de vacinação. “Não se vê infecções graves hoje, como sarampo, por exemplo. É uma redução que não é específica de Juiz de Fora, mas do Brasil”, avalia. Segundo Tavares, apesar disso, a mortalidade neonatal precoce (de 0 a 7 dias) e tardia (de 7 a 28 dias de vida) continua bastante elevada, variando, segundo ele, entre 12% e 13% em Juiz de Fora.

Ainda dentro do IVS Capital Humano, outro item que se destaca é a taxa de analfabetismo em todas as faixas etárias. Entre as pessoas de 15 anos ou mais, caiu de 4,71 para 3,25. No Brasil, foi de 13,63 para 9,61. O percentual de crianças de 0 a 5 anos fora da escola também apresentou queda, com oscilação de 65,53, em 2000, para 52, em 2010. Além disso, os dados também apontam para mudanças na constituição familiar, já que o número de mulheres chefes de família, com um filho de 15 anos, saltou de 11.540 para 19.360 em uma década.

Em Juiz de Fora, entre os componentes que formam o IVS (ver quadro), houve queda de 27% no IVS Capital Humano; de 35% no IVS Renda e Trabalho; e de apenas 1,05% no IVS Infraestrutura Urbana. Neste último, a maior variação ocorreu no percentual de pessoas em domicílios com água e esgoto inadequados, caindo de 0,40, em 2000, para 0,35, em 2010. Ainda chama a atenção nesse indicador, o item que mede a mobilidade da população vulnerável, que gasta mais de uma hora para chegar ao trabalho. O levantamento não foi feito em 2000, mas aparece com o índice 12,16 em 2010.

 

Número de carteira assinada quadruplicou

Dados positivos também podem ser observados no IVS Trabalho e Renda, que registrou o maior declínio (35%), assim como no Brasil. O mapeamento do Ipea considera o aumento da renda per capita da população juiz-forana de R$ 828,93 para R$ 1.050,88 em dez anos. Além disso, a taxa de desocupação entre pessoas com mais de 18 anos caiu de 13,47, em 2000, para 7,45, em 2010. Observando o percentual de pessoas maiores de 18 anos com carteira assinada, o número quadruplicou: saltando de 12,69 para 55,13. Já o número de informais duplicou, passando de 6,45 para 12,56.

De acordo com o Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, o número de cidades com alta ou muito alta vulnerabilidade social no país caiu de 3.610, no ano 2000, para 1.981, em 2010. Já o de municípios com baixa ou muito baixa vulnerabilidade social passou de 638 para 2.326 no mesmo período. A melhora, segundo o levantamento, foi mais nítida em alguns estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.