Gás de cozinha sobe mais de 20% em JF
Desde ontem, os juiz-foranos estão pagando mais caro pelo gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial, o chamado gás de cozinha. Além do reajuste médio de 15% anunciado pela Petrobras no preço praticado pelas refinarias, há o aumento das distribuidoras que, na cidade, passa de 8%. Com isso, o preço médio do botijão de 13 quilos que era de R$ 48,80 até a semana passada, em muitos casos, já chega a R$ 60 nas revendas locais. Na prática, o consumidor deve encontrar o produto com mais de 20% de majoração.
A proprietária da Ultragaz Democrata, Tatiana Gonçalves Ferreira, afirma que o cenário é de apreensão. “Ninguém estava esperando.” O reajuste de 15% da estatal somado à majoração da companhia de 8,7% totalizaram alta de 23,7%. Com isso, o preço do botijão que variava de R$ 53 a R$ 55, de acordo com a localidade de entrega, deve chegar de R$ 65,50 a R$ 68, respectivamente, no arredondamento para baixo. “O aumento anual a gente já esperava, mas esse extra não.” Na revenda, o reajuste só será aplicado a partir de hoje, porque ainda havia estoque para comercialização. Segundo a proprietária, desta vez, será difícil absorver a alta. Isto porque, no ano passado, não houve repasse do reajuste integral de 5,5%.
A gerente comercial da Supergasbrás em Juiz de Fora, Katiely Mendes, destaca que, além dos 15%, houve alta de 8,89% da engarrafadora. Apesar do aumento em potencial de 23,8%, o botijão, que custava R$ 58, era comercializado ontem a R$ 65. “Estamos vendo se conseguimos não aplicá-lo integralmente.” A gerente também não esperava a majoração da Petrobras. Na sua opinião, não deve haver impacto na procura por ser um consumo inevitável e pelo fato de a alta atingir todo o país.
Por meio de nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) esclareceu que, como os preços são livres em todos os elos da cadeia e o mercado tem autonomia para fixá-los, a alta do valor do produto nas refinarias aumenta a pressão de custos sobre o GLP para o consumidor final. “O Sindigás orienta o usuário a pesquisar os valores cobrados pelas revendas para escolher aquele fornecedor que não só tem preços mais vantajosos, mas também que oferece os melhores serviços.”
O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg), Alexandre Borjaili, considerou o aumento “inesperado”. Apesar de o último reajuste da Petrobras ter acontecido em dezembro de 2002, Borjaili avalia que o consumidor terá que absorver duas altas simultâneas, já que as distribuidoras também efetivaram majorações a título de recomposição de custos operacionais. “Essa triste realidade retrata um Brasil onde nossos consumidores, em especial de baixa renda, são tratados com indiferença.” Em Belo Horizonte, houve até um movimento de paralisação de revendas, em função dos aumentos.
A última pesquisa divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombutíveis (ANP) aponta que, antes do aumento, o custo do GLP em Juiz de Fora variava entre R$ 40 e R$ 58, considerando o valor praticado em 35 estabelecimentos entre os dias 23 e 29 de agosto.











