Juiz-foranas comandam 40,8% dos lares


Por FABÍOLA COSTA Repórter

01/11/2014 às 07h00

Bárbara Cobo ressalta que as mulheres estão ganhando espaço na realidade socioeconômica brasileira

Bárbara Cobo ressalta que as mulheres estão ganhando espaço na realidade socioeconômica brasileira

Em 40,8% das famílias juiz-foranas, as mulheres são responsáveis pela manutenção do lar. Elas contribuem com 41,9% dos seus ganhos para a renda familiar. Os percentuais identificados em Juiz de Fora são maiores do que as médias no país, de 37,3% e 40,9% respectivamente. Os dados são do estudo Estatísticas de Gênero, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Censo 2010.

O estudo apontou, ainda, que o rendimento médio das mulheres representa 69,6% do dos homens na cidade. Considerando apenas os ocupados, a participação delas aumenta para 74,5%. Em cifras, o ganho médio no trabalho principal era de R$ 1.118,54 para mulheres contra R$ 1.584,24 para os homens em Juiz de Fora. O valor considera a população ocupada com 16 anos ou mais.

Conforme a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Bárbara Cobo, a pesquisa mostra que as mulheres, em todo o país, estão ganhando espaço na realidade socioeconômica brasileira. Os dados comprovam que elas estão em maior número entre os universitários (57%) e têm nível educacional mais elevado (12,5% contam com curso superior completo contra 9,9% dos homens). Há, no entanto, concentração profissional em áreas que auferem menores rendimentos. “Talvez seja um dos motivos para que a maior escolaridade não tenha se refletido em maior equidade no mercado de trabalho.”

Segundo Bárbara, outra constatação é que a taxa de formalização no Brasil cresceu de forma mais lenta ante a dos homens. A formalização, explica, é importante na medida em que garante a elas direitos como proteção social, férias e 13º salário. A disparidade de rendimento em relação aos homens permanece alta, destaca. Na avaliação da coordenadora, houve melhora no quadro de desigualdades, observando a década como um todo, mas ainda há importantes desafios em direção à equidade de gênero. A desigualdade no mercado persiste, avalia.

No país

Conforme o estudo, no trabalho, entre 2000 e 2010, a taxa de atividade passou de 79,7% para 75,7% entre os homens e de 50,1% para 54,6% entre as mulheres, porém, o crescimento da formalização entre as mulheres (de 51,3% para 57,9%) foi inferior ao dos homens (de 50,0% para 59,2%). Em 2010, 30,4% das mulheres de 16 anos ou mais não tinham rendimento frente a 19,4% dos homens. As mulheres tiveram o maior aumento real do rendimento médio na comparação entre 2010 e 2000 (12%), mas a disparidade permanece alta: elas ganham em média 68% do que eles ganham no país.

A publicação foi realizada pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os dados completos estão disponíveis no endereço site www.ibge.gov.br.