Juiz-foranas comandam 40,8% dos lares

Bárbara Cobo ressalta que as mulheres estão ganhando espaço na realidade socioeconômica brasileira
Em 40,8% das famílias juiz-foranas, as mulheres são responsáveis pela manutenção do lar. Elas contribuem com 41,9% dos seus ganhos para a renda familiar. Os percentuais identificados em Juiz de Fora são maiores do que as médias no país, de 37,3% e 40,9% respectivamente. Os dados são do estudo Estatísticas de Gênero, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Censo 2010.
O estudo apontou, ainda, que o rendimento médio das mulheres representa 69,6% do dos homens na cidade. Considerando apenas os ocupados, a participação delas aumenta para 74,5%. Em cifras, o ganho médio no trabalho principal era de R$ 1.118,54 para mulheres contra R$ 1.584,24 para os homens em Juiz de Fora. O valor considera a população ocupada com 16 anos ou mais.
Conforme a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Bárbara Cobo, a pesquisa mostra que as mulheres, em todo o país, estão ganhando espaço na realidade socioeconômica brasileira. Os dados comprovam que elas estão em maior número entre os universitários (57%) e têm nível educacional mais elevado (12,5% contam com curso superior completo contra 9,9% dos homens). Há, no entanto, concentração profissional em áreas que auferem menores rendimentos. “Talvez seja um dos motivos para que a maior escolaridade não tenha se refletido em maior equidade no mercado de trabalho.”
Segundo Bárbara, outra constatação é que a taxa de formalização no Brasil cresceu de forma mais lenta ante a dos homens. A formalização, explica, é importante na medida em que garante a elas direitos como proteção social, férias e 13º salário. A disparidade de rendimento em relação aos homens permanece alta, destaca. Na avaliação da coordenadora, houve melhora no quadro de desigualdades, observando a década como um todo, mas ainda há importantes desafios em direção à equidade de gênero. A desigualdade no mercado persiste, avalia.
No país
Conforme o estudo, no trabalho, entre 2000 e 2010, a taxa de atividade passou de 79,7% para 75,7% entre os homens e de 50,1% para 54,6% entre as mulheres, porém, o crescimento da formalização entre as mulheres (de 51,3% para 57,9%) foi inferior ao dos homens (de 50,0% para 59,2%). Em 2010, 30,4% das mulheres de 16 anos ou mais não tinham rendimento frente a 19,4% dos homens. As mulheres tiveram o maior aumento real do rendimento médio na comparação entre 2010 e 2000 (12%), mas a disparidade permanece alta: elas ganham em média 68% do que eles ganham no país.
A publicação foi realizada pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os dados completos estão disponíveis no endereço site www.ibge.gov.br.









