Gasolina pode chegar a R$ 3,80


Por FABÍOLA COSTA

01/10/2015 às 07h00- Atualizada 01/10/2015 às 08h49

Além de já enfrentar as altas consecutivas do etanol em função da entressafra, o consumidor que ainda não pagou a mais por gasolina e diesel pode preparar o bolso, porque o aumento é certo. Embora não seja possível afirmar que o repasse às bombas será integral, boa parte do reajuste de 6% da gasolina e 4% do diesel, anunciado pela Petrobras na terça-feira e em vigor desde ontem, deve recair na conta do motorista. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) não estimou aumento médio, nem prazo para a sua implementação, já que o mercado é livre.

Em Juiz de Fora – antes do aumento -, a gasolina era vendida, em média, a R$ 3,403 o litro, sendo encontrada de R$ 3,100 a R$ 3,590, de acordo com o estabelecimento. Caso a alta seja repassada integralmente, a média deve chegar a R$ 3,60, com máxima podendo atingir a marca de R$ 3,80. Já o litro do diesel, que custava, em média, R$ 2,868 na cidade, com mínima de R$ 2,690 e máxima de R$ 3,020, pode chegar perto de R$ 3 (R$ 2,98). Neste caso, o teto pode bater a casa de R$ 3,14. Os valores têm por base a pesquisa de preços mais recente divulgada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 20 a 26 de setembro.

O presidente regional do Minaspetro, Carlos Alberto Jacometti, comenta que, apesar de as revendas já terem repassado pelo menos parte da majoração, o aumento pegou os proprietários de surpresa. Por isso, muitos postos ainda mantinham os preços sem aumento ontem em Juiz de Fora. Entre os que reajustaram os valores na própria quarta, as altas variavam entre 2% e 3%. “Está meio confuso.” Conforme Jacometti, o percentual de repasse e quando ele será feito depende de cada estabelecimento, em função de fatores, como disponibilidade de estoque.

Etanol

Segundo o presidente, o reajuste da Petrobras não interfere no custo do etanol, em alta, desde a semana passada, em função da entressafra. O preço médio do litro era de R$ 2,22 em Juiz de Fora, podendo ser encontrado de R$ 1,980 a R$ 2,420. Conforme Jacometti, estas majorações já estavam impactando o preço da gasolina na cidade, a exemplo do restante do país. Para ele, a medida chega em um momento ruim, de retração no consumo de combustíveis. “Estamos amargando queda nas vendas do setor.”

O Minaspetro, por meio de nota, ressaltou que os estabelecimentos são livres para estabelecer preços para os combustíveis. Frisou, ainda, que não há nenhuma orientação às empresas associadas se devem ou não repassar aumentos das distribuidoras, nem quando. “O sindicato preza pela livre concorrência e pela livre iniciativa e repudia qualquer prática contrária a tais valores.”

Já a Petrobras, via assessoria, informou que o reajuste nos valores de venda nas refinarias começou a vigorar ontem. A estatal declarou, ainda, que os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o estadual ICMS.