‘O blogueiro é um apaixonado por livros’


Por MARISA LOURES

28/05/2016 às 07h00- Atualizada 28/05/2016 às 10h15

Best-seller, Patrícia Barboza relança

Best-seller, Patrícia Barboza relança “Confusões de um garoto” na Bienal do Livro de Juiz de Fora

 

 

Eram muitos os adolescentes que queriam um autógrafo da autora da série “As mais” (Verus). Era 2012, e, naquela Bienal do Livro de São Paulo, Patrícia Barboza estava entre os quatro escritores mais vendidos no estande do grupo Editorial Record. A primeira edição que iniciava as peripécias das amigas Mari, Aninha, Ingrid e Suzana (iniciais que formam o nome da série), com tiragem de dez mil exemplares, se esgotou em apenas dois meses. Foi ali que a dona da história recebeu o convite para estar ao lado das norte-americanas Meg Cabot (“Diário da princesa e a mediadora”) e Lauren Kate (“Fallen”) e da brasileira Paula Pimenta em “O livro das princesas” (Galera Record). Sua missão foi trazer a história da Rapunzel para os dias atuais.

Quatro anos depois, ela é best-seller e está entre os nomes mais aguardados da 1ª Bienal do Livro de Juiz de Fora, programada para ocorrer entre os dias 14 e 19 de junho, no Independência Trade Hotel, com entrada gratuita. Para a temporada literária, composta por seis mesas de debates, tarde de autógrafos, bate-papo com autores, 60 horas de programação cultural, exposições culturais, oficinas, lançamento de livros e contação de histórias -, também já estão confirmados outros nomes nacionais, como Luiz Ruffato, dono do Jabuti de 2015 na categoria infantil e do Prêmio Internacional Hermann Hesse 2016, Carina Rissi, Chris Melo, Graciela Mayrink, Maurício Gomyde, Gustavo Rosseb, Nana Pauvolih, Sheyla Smanioto e Paulo Henriques Britto. Representando a literatura local, estarão, entre outros, Edimilson de Almeida Pereira, Iacyr Anderson Freitas, Prisca Agustoni e Fernando Fiorese.

“Vou estar à disposição para responder perguntas, falar sobre meus livros e dar autógrafos em todos os meus títulos publicados”, avisa Patrícia Barboza, que se prepara para chegar a Juiz de Fora no dia 18, em horário ainda a ser confirmado. Convidada de hoje do quadro “Sala de leitura”, da Rádio CBN Juiz de Fora (sábado, às 10h30, com reprise na segunda-feira, às 14h30), Patrícia trabalha no relançamento de “Confusões de um garoto” (Verus, 168 páginas). Dessa vez, ela mergulhou no universo dos meninos através de Zeca. Aos 14 anos, ele descobre que os desafios da adolescência não são nada fáceis. É preciso se acostumar com as mudanças na voz, com o crescimento repentino, com os novos pelos no rosto e entender os sentimentos pela nova vizinha. “Também falo de amizade, relacionamento com os pais, primeiro amor e cyberbullying”, conta a autora.

 

Saciando a curiosidade dos leitores

A escrita é a única profissão de Patrícia desde 2006. Foi nesse ano, há exatamente uma década, que ela lançou o projeto “Leitura nota 10”. De colégio em colégio, ela segue incentivando a leitura e saciando as curiosidades dos leitores. “A venda de livros é bem significativa, mas também faço palestras. Tive a sorte de conseguir ser contratada como palestrante justamente na área em que atuo. Fica difícil chamar isso de trabalho, porque me divirto o tempo inteiro”, brinca.

A propósito, antes de ganhar as prateleiras, ela criou um site e fez um “teste de aceitação” virtual. “Foi em 2000, 2001. Ainda não existia muito rede social. Eu não tinha muitas expectativas. Era uma espécie de novela virtual. A cada 15 dias, eu colocava um capítulo e deixava um e-mail de contato. Nada muito difícil de ser feito. Eu me surpreendi porque comecei a receber muitos e-mails de dúvidas sobre puberdade, namoro e primeiro amor”, conta essa carioca que, pode-se dizer, tem um laço com Juiz de Fora. É aqui que Patrícia Barboza viveu dos 7 aos 9 anos.

“Esse período ficou muito marcado na memória porque minha irmã mais nova nasceu aí. Logo depois, me mudei para Recife. Lembro com carinho que morava perto de uma praça e ia para lá, com minha mãe, andar de bicicleta”, recorda-se a autora que se apresenta como geminiana, viciada em chocolates, pizza, música, série de TV e internet.

Tribuna – Normalmente, vemos somente os clássicos sendo indicados nas escolas. Foi difícil entrar nesse meio?

Patrícia Barboza – Nestes dez anos de projeto (“Leitura nota 10”), nunca percebi preconceito. Muito pelo contrário. Como me coloco à disposição para visitar as escolas, vejo que é uma alegria muito grande. Parece que o escritor é um ser meio extraterrestre. “Nossa, você está viva!”. Os autores clássicos já são todos falecidos e, quando eles têm oportunidade de conhecer a autora ao vivo e a cores, é bem legal. Uso muito o universo brasileiro nos meus livros. Como sou carioca, tenho muito do cenário do Rio. Nesse lançamento, não utilizei um cenário específico de propósito, para que o leitor se insira na história da forma que ele bem entender. Se ele quiser que se passe na cidade dele, ele vai se encaixar. Sendo bem sincera, não encontrei resistência nessa adoção. A procura para eu dar palestras é tanta que eu não dou conta de atender todo mundo.

 

– A série “As mais” te deu o título de best-seller. Quando caiu a ficha de que você era uma escritora profissional?

– Sou escritora há 14 anos, mas a ficha não cai logo, porque existe muito preconceito do tipo “você é escritora, mas trabalha em quê?” Como se isso não fosse trabalho. Uma vez, eu viajei e tive que preencher aquelas fichas no hotel. Foi quando coloquei, pela primeira vez, que minha profissão era escritora que me dei conta disso. Eu já estava no terceiro livro em 2006, quando falei que era isso que eu queria para minha vida e criei o projeto “Leitura nota 10”. Mas a repercussão do meu trabalho aumentou muito de 2012 para cá, ano em que meus livros passaram a ser publicados pela Verus, que é do grupo editorial Record.

 

– Alguns escritores dizem que a verdadeira crítica, hoje, está nos blogs. O que os blogueiros e a crítica especializada representam para o trabalho do escritor?

– Eu enxergo o blogueiro como um apaixonado por livros. Não que um especialista de jornal não seja, mas os blogueiros são extremamente apaixonados por livros, postam fotos de suas estantes, frequentam as bienais e os lançamentos e estão sempre presentes nas sessões de autógrafos. Essa proximidade é que é muito legal, e a gente acaba fazendo amizade com os fãs. Tenho percebido o quanto eles são importantes na divulgação da literatura brasileira. Antigamente, a gente ouvia falar muito que livro e escritor brasileiros não eram bons. A Carina Rissi, por exemplo, minha colega de editora, está fazendo diversas sessões do lançamento do livro dela repleta de leitores, com filas imensas. As pessoas estão gostando, sim, e isso se deve muito à divulgação desses blogueiros.

 

– Depois de se tornar best-seller, existe o medo de não conseguir emplacar mais um sucesso?

– Sempre bate, mas, graças a Deus, no meio dessa série, por exemplo, eu lancei esse conto da Rapunzel para “O livro das princesas”, que teve uma excelente aceitação. Antes do último volume da série “As mais”, lancei “A consultora teen”. É um livro que as pessoas pedem continuação e estou pensando se vou escrever. “A consultora teen” tem muito dessa pegada de blog, internet, redes sociais, da importância da internet para os adolescentes, o que é bom e o que não é tão bom assim. Sempre dá esse medo quando você lança um livro novo. A aceitação tem sido ótima, sempre recebo muito incentivo dos leitores, através das redes sociais, e dos pais também. Adoro receber mensagens de pai, mãe e tia. O adulto está vendo o adolescente em casa lendo, fica curioso e acaba lendo também. Busco responder a todas as mensagens e e-mails pessoalmente. Não delego essa tarefa para ninguém.

 

1ª BIENAL DO LIVRO DE JUIZ DE FORA

De 14 a 19 de junho de 2016

Abertura: 14 de junho,  meio-dia

De quarta a sábado, das 9h às 22h, domingo, das 10h às 19h

Independência Trade Hotel

(Av. Presidente Itamar Franco 3.800)