Novela vertical gravada em Juiz de Fora amplia potencial da Zona da Mata como polo audiovisual

‘O amuleto do tempo’, que estreia no final de fevereiro, utilizou locais icônicos da cidade como locação


Por Beatriz Bath*

25/01/2026 às 07h00

novela vertical juiz de fora
Bastidores da produção de ‘O amuleto do tempo’ (Foto: Divulgação)

“O amuleto do tempo”, primeira novela vertical filmada em Juiz de Fora, marca um novo passo no Polo Audiovisual de Juiz de Fora – Polo JF Cine ao abrir espaço para mais produções audiovisuais na cidade. O projeto da Otzi Studios traz para as telinhas uma história cheia de reviravoltas e que promete conquistar o público.

Estrelada por Hugo Dutra, Alícia Bretas, Lucas Barbosa e Rebeca Figueiredo, a trama gira em torno de uma arqueóloga, Mariana (interpretada por Alícia), que volta no tempo em dez anos para salvar o seu par romântico. A novela promete romance, triângulos amorosos e drama.

Dirigida por Júlia Vieira, ex-aluna da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), “O amuleto do tempo” explora um formato em expansão no Brasil, enquanto conta com locais icônicos de Juiz de Fora como cenários, reforçando o seu compromisso com a cidade.

A produção estreia em fevereiro e será veiculada na plataforma Sua Novela, com aproximadamente 60 capítulos de dois minutos cada. O aplicativo é gratuito e está disponível para Android.

novela vertical
(Foto: Divulgação)

Artefatos de um novo formato

A escolha pelo formato se baseia em um novo padrão de consumo dos brasileiros, com mais tempo de tela. De acordo com a Otzi Studios, produtora de “O amuleto do tempo”, trazer esse tipo de narrativa vertical para o Brasil é um passo natural do mercado para acompanhar o potencial já comprovado do formato internacionalmente.

As novelas verticais já são um sucesso em países como Índia e China. Inclusive, essa é uma adaptação de uma versão chinesa de “O amuleto do tempo”. Porém, além do trabalho de tradução do texto para o português, foi necessário uma adaptação cultural para que o enredo funcionasse dentro do contexto brasileiro. “Essas mudanças fizeram parte do processo criativo desde o início e foram essenciais para aproximar a narrativa do público brasileiro”, afirmou, em nota, a produtora.

Ao abordar as críticas ao novo formato como a falta de densidade no texto e as atuações menos impactantes, a produtora não se intimida. Para eles, a novela vertical passa pelo mesmo caminho que todas as novas formas de tecnologia: primeiro, o estranhamento e, depois, o costume. “É um processo de aprendizado e desenvolvimento constante.”

A produção da novela vertical já está sendo adotado por emissoras em todo o país, como a Rede Globo. Entre as principais vantagens do novo modelo estão a agilidade do vertical em termos de produção e gravação em comparação com os formatos audiovisuais já estabelecidos.

Ao comentar sobre as expectativas, a Otzi Studios está otimista em conseguir engajar o público e, quem sabe, “conseguir o primeiro lugar” no ranking de conteúdos mais assistidos do aplicativo.

Cenários locais: um enredo que atravessa décadas

A escolha de espaços na cidade, como o Jardim Botânico da UFJF, o prédio da Funalfa e outros, não foram por acaso: há uma importância por trás de tudo isso. “Além de fortalecer a economia criativa local, esse tipo de iniciativa amplia o alcance do audiovisual brasileiro e revela novos talentos. Acreditamos que o setor só tem a ganhar com esse movimento de expansão e descentralização.”

Polo JF Cine: o começo de uma nova história

Inaugurado pela filmagem do longa “Duas iguais” em 2025, o polo representa um avanço para a cidade de Juiz de Fora que ainda recebe poucas produções audiovisuais e tem nesse setor um espaço de expansão. Por isso, a produção de “O amuleto do tempo”, como dito pela Otzi Studios, pode ajudar no movimento de descentralização do cinema brasileiro e, por consequência, trazer mais produções para Juiz de Fora. “A próxima fronteira do audiovisual nacional é a descentralização da produção nacional, tirando-a do eixo Rio–São Paulo. É um desafio, mas essencial para o desenvolvimento do nosso país.”

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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