Mostra de Cinema de Tiradentes abre 29ª edição com homenagem a Karine Teles
Evento reúne autoridades e lança calendário do Cinema sem Fronteiras para 2026, anunciando datas da CineOP e CineBH
A cerimônia de abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi realizada na noite dessa sexta-feira (23). A estreia do evento reuniu políticos, empresários, representantes do poder público, realizadores e jornalistas. O encontro marcou a abertura da programação de filmes e o início de uma semana de debates sobre cultura, políticas públicas e o papel do audiovisual no país.
Em sua fala, a coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, destacou o compromisso do evento com novas vozes e formas de criação no cinema brasileiro. “Existe uma imaginação que emerge de muitos ‘Brasis’ e propõe várias formas de existir. A Mostra, desde que surgiu, decidiu apostar nesses novos protagonismos e possibilidades”, afirmou.
Raquel defendeu a regulação das plataformas, a distribuição democrática das políticas públicas e o fortalecimento do cinema brasileiro como vetor de protagonismo econômico e simbólico. Ela também lançou oficialmente as atividades de 2026 do programa Cinema sem Fronteiras, anunciando as datas da CineOP e da CineBH.
Karine Teles: homenageada da Mostra de Cinema de Tiradentes
A atriz e diretora Karine Teles, homenageada deste ano, recebeu o Troféu Barroco em reconhecimento à trajetória construída ao longo de mais de duas décadas de trabalho. A homenagem ressaltou a consistência de uma carreira marcada por escolhas autorais, versatilidade artística e compromisso com a criação cinematográfica.
“Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, afirmou em seu discurso, ao mencionar os ciclos de reconhecimento e invisibilidade que atravessam o setor.
A artista também ressaltou a dureza da permanência: “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro”. Ao agradecer à curadoria do festival, Karine expressou o desejo de que a Mostra siga “existindo, crescendo e promovendo encontros e debates”.

Presença do Governo federal
A abertura contou ainda com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. E isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, disse.
Segundo a ministra, o cinema brasileiro nasce da resistência e da organização coletiva e se constitui, ao longo do tempo, como um território de disputa de sentidos, afirmação da dignidade e enfrentamento das desigualdades. “É por isso que ele ocupa um lugar tão central no debate sobre direitos humanos e é por isso que estamos aqui também”, completou.
Já a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro celebrando o momento de reconhecimento internacional vivido pelo país. Vestindo uma camiseta do filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro Oscars, ela destacou a relação entre conquistas artísticas e políticas públicas. “Quando um filme do Brasil entra em cartaz, o Brasil inteiro entra em cartaz. E nesse momento o Brasil está em cartaz no mundo todo. Isso não é por acaso, é fruto de política pública”, afirmou.