Mostra Hip-hop Gerais abre inscrições para mapear artistas em Minas Gerais
Projeto da ONG Favela é Isso Aí inicia edição 2026 com foco na cultura hip-hop e cadastro em quatro cidades mineiras, incluindo Juiz de Fora

A Mostra da Diversidade Cultural – Imagens da Cultura Popular, realizada pela Ong Favela é Isso Aí, dá início à edição 2026, que neste ano tem seu foco voltado para a cultura hip-hop com a Mostra Hip-hop Gerais. A primeira etapa é a criação de um mapa de artistas e grupos já com inscrições abertas, que tem como objetivo fortalecer, valorizar e dar visibilidade à cena hip-hop em Minas Gerais.
A convocatória para o mapeamento contempla artistas, grupos e coletivos das cidades de Juiz de Fora, Montes Claros, Teófilo Otoni e Uberlândia, reconhecendo a diversidade de expressões do movimento e contribuindo para a construção de uma rede cultural mais forte, descentralizada e conectada aos territórios.
Os interessados, sendo artistas-solo, grupos e coletivos de hip-hop, devem preencher um formulário de inscrição para o Mapa do Hip-hop, disponível no Instagram @favelaeissoai, até o dia 15 de março. Após esse período, a equipe do projeto pode entrar em contato para esclarecer dúvidas ou solicitar mais informações.
O cadastro tem como objetivo registrar e documentar a cena local, iniciando a partir dessas quatro cidades mineiras. “O hip-hop em Minas é gigante. O mapeamento é uma ferramenta essencial para reconhecer talentos, documentar trajetórias e abrir caminhos para os artistas que fazem parte desse cenário, de forma descentralizada. Esse registro irá possibilitar o entendimento sobre a cena no interior de Minas, contribuindo para ampliar oportunidades, fortalecer políticas culturais, estimular a profissionalização e criar redes entre artistas de diferentes regiões”, esclarece a coordenadora do projeto, Clarice Libânio, em nota à imprensa.
Outras etapas
Ao longo de todo o ano, serão desenvolvidas três grandes etapas: mapeamento de artistas e grupos em cada cidade, com o lançamento do Mapa do Hip-hop; curso de gestão cultural e capacitações gratuitas, com certificado para os participantes, visando à profissionalização do setor; e mostras artísticas e culturais, que marcam o fechamento dos cursos e celebram a produção local.
Além das mostras em cada município, o encerramento acontece no segundo semestre em Belo Horizonte, com os participantes das cidades envolvidas no projeto, com o objetivo de promover o intercâmbio e dando visibilidade, além de celebrar as expressões do hip-hop em Minas Gerais.
Clarice Libânio ressalta que a iniciativa fortalece a cultura hip-hop existente fora das capitais e reafirma a potência da cultura urbana no estado. “Minas é cultura para todo lado e todo gosto e também é, de forma cada vez mais presente, a cultura hip-hop, em suas várias manifestações. A sua força criativa pulsa nas periferias, praças, coletivos e espaços culturais das cidades mineiras. E criar essa rede entre cidades do interior amplia repertórios e parcerias, gera trocas, visibilidade e reconhecimento. É um movimento para fortalecer quem já faz o hip-hop acontecer e também criar novos espaços e oportunidades para quem está chegando.”
Favela é Isso Aí
Criada em 2004 a partir do Guia Cultural de Vilas e Favelas, idealizado pela antropóloga Clarice Libânio, a ONG atua com o objetivo de apoiar o reconhecimento e divulgação das ações de arte e cultura das periferias brasileiras.
A associação também visa contribuir para a redução da discriminação em relação aos moradores de vilas e favelas, promover geração de renda para os artistas, apoiar e contribuir para melhores oportunidades e condições do fazer artístico e acesso ao mercado cultural.
Além disso, a Favela é Isso Aí também conta produção de documentários e videoclipes sobre os artistas das favelas da capital mineira, juntamente com criação de banco de dados próprio, editora própria e núcleo audiovisual.
A entidade também possui a Agência de Notícias Favela é Isso Aí, que divulga trabalhos artísticos das comunidades através de um jornal impresso, produzido bimestralmente.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy