Kamisa 10 volta a Juiz de Fora com show no 360 nas Alturas e fala sobre nova fase do grupo
Grupo se apresenta no Univértix a partir das 15h e comenta transição do projeto, repertório e o novo audiovisual

Impulsionado por hits que viraram trilha no pagode, como “Lance livre” e “Pendências”, o Kamisa 10 ganhou o Brasil com romantismo direto, linguagem atual e shows de energia alta. O grupo nasceu em 2014, em Goiânia, do encontro de três amigos apaixonados por pagode e futebol: Angelino, Erlon e Pitchula. Autointitulados “pagodeiros da capital do sertanejo”, eles encontraram no nome uma síntese da própria proposta: a camisa 10, símbolo de protagonismo dentro de um time, como metáfora para a mensagem que queriam levar ao público.
A projeção nacional veio com o audiovisual “Pagode do K10 – Ao Vivo em Goiânia”, que trouxe “Você me usava” e ajudou a ampliar o alcance do trio, especialmente entre jogadores de futebol. Na sequência, o Kamisa 10 consolidou espaço no gênero ao emplacar faixas que dialogam com o cotidiano afetivo e a linguagem das redes, e também ao ampliar parcerias com artistas de diferentes vertentes, como Felipe Araújo, Dilsinho e Thiaguinho, além de colaborações com MC Daniel, Guilherme & Benuto e Gica em projetos como “Na vibe do K10” e “Na vibe do K10 – RJ”.
Atualmente em nova fase, com Angelino assumindo sozinho o comando do projeto, o Kamisa 10 mantém a proposta de renovar o pagode sem perder a essência. Neste sábado (24), o cantor se apresenta no Samba 360 nas Alturas, às 15h, no Univértix. Em entrevista à Tribuna, Angelino falou sobre a nova formação, o pagode goiano, o novo projeto audiovisual e o momento vivido pelo gênero no cenário nacional.
Tribuna: Vocês nasceram em Goiânia, um lugar muito associado ao sertanejo. Como foi construir um pagode com cara nacional a partir desse contexto? O que Goiânia colocou no “tempero” do som de vocês?
Angelino: Goiânia respira música, isso é fato. Mesmo sendo muito ligada ao sertanejo, sempre foi um lugar onde todo mundo escuta de tudo. Eu cresci ouvindo pagode, samba, sertanejo, mpb… Então construir um pagode com cara nacional foi muito orgânico. O tempero de Goiânia está nessa mistura, nessa abertura. A cidade ensinou a gente a não se limitar, a fazer um pagode popular, que conversa com vários públicos, sem perder a essência.
Quando vocês olham para hits como “Pendências” e “Lance livre”, o que mais conecta: tema, melodia, swing ou identificação com histórias reais?
A conexão vem do conjunto, mas a identificação com histórias reais pesa muito. São músicas que falam de situações que todo mundo já viveu ou conhece alguém que viveu. O swing ajuda, a melodia gruda, mas quando a pessoa escuta e pensa “isso já aconteceu comigo”, aí a música vira do público.
Vocês misturam romantismo, swing e uma vibe positiva – e isso virou marca do Kamisa 10. No “Ao Vivo em Brasília” como essas facetas aparecem? O que vocês queriam registrar nesse momento?
Esse projeto registra exatamente isso: o Kamisa 10 por inteiro. Tem o romantismo, tem a sofrência, tem a parte pra cima, de curtir, de sorrir. Brasília foi escolhida porque tem uma energia muito forte com a gente. Queríamos registrar um momento verdadeiro, com o público cantando junto, vivendo a música com a gente.
Saiu recentemente a notícia da saída do Erlon e do Pitchula e que o Kamisa 10 segue com o Angelino. Como vocês definem essa transição – artisticamente e como grupo?
É uma transição importante e muito respeitosa. O Kamisa 10 tem uma história construída a muitas mãos, e isso nunca vai ser apagado. Artisticamente, é um novo capítulo, com novas ideias, novos desafios, mas com a mesma verdade. Fica o aprendizado, a gratidão e a vontade de seguir em frente, honrando tudo que já foi construído.
O que muda na prática: palco, repertório, criação, rotina? O que vocês querem que o público entenda sobre essa fase, sem ruído?
Na prática, muda a dinâmica, mas não muda o coração do projeto. O repertório continua sendo Kamisa 10, as músicas que o público ama continuam ali. A criação ganha novos caminhos, a rotina se adapta. O mais importante é o público entender que o Kamisa 10 continua vivo, forte e verdadeiro, sem ruptura com a própria história.
O pagode vive um momento muito forte – turnês, audiovisual, streaming e redes. O que explica essa fase? E o que mudou no público de pagode nos últimos cinco anos?
O pagode sempre esteve presente, mas hoje ele está muito engajado com a nova geração. As redes sociais ajudaram muito nisso. E é um gênero com um tipo de letra que é muito fácil de você se identificar. Eu até comentei em uma resposta anterior. As letras do K10, seja para dançar ou para sofrer, são muito identificáveis. Muita gente ou passou por aquela situação ou conhece alguém que passou, isso ajuda demais a popularizar a música e, por consequência, o gênero.
Hoje o pagode conversa muito com outros gêneros – axé, piseiro, sertanejo, funk, pop. Onde vocês veem o limite entre mistura saudável e perder identidade?
A mistura é saudável quando tem verdade. O limite é quando você faz algo só por moda e esquece quem você é. Acredito que dê pra dialogar com outros gêneros sem deixar de ser pagode, sem perder o swing, o jeito de cantar, a essência. Identidade vem de dentro, não do rótulo.
Vocês voltam a Juiz de Fora com novos projetos e um novo formato. O que o público pode esperar desse show?
Pode esperar um show ainda mais intenso e também com aquele clima que Juiz de Fora já conhece. Vai ter emoção, vai ter energia, vai ter todo mundo cantando junto. Um repertório mais atualizado com mesma entrega de sempre, de coração aberto.
Samba 360 nas alturas
- No sábado (24), às 15h
- No Univertix (Rua Pedro Celeste 701 – Cruzeiro do Sul)
- Classificação: 18 anos
- Ingressos no Central de Eventos
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy