Completam-se neste dia 22 de agosto os 30 dias dados como prazo pelo Governo Estadual para que cinco instituições culturais desocupassem três andares do prédio do Museu do Crédito Real, na esquina da Rua Halfeld com a Avenida Getúlio Vargas. Nenhuma das entidades saiu do espaço, e a questão foi judicializada, numa ação que pede a permanência das associações no local. “É uma forma de nos precavermos, mas não se trata de um confronto, pelo contrário, o que nós gostaríamos é de sermos ouvidos e, em conjunto, encontrarmos uma solução equilibrada, que atenda ambas as partes”, pontua Rita Couto, presidente do Instituto Teuto-Brasileiro William Dilly, um dos afetados pela decisão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).
Em nota enviada por e-mail à Tribuna, a assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais confirma a manutenção do novo projeto de ocupação dos andares intermediários do imóvel. “O Governo está remanejando parte do edifício onde atualmente funciona o Museu do Crédito Real para abrigar as unidades regionais prestadoras de serviço à população de Juiz de Fora, ligadas às secretarias de Estado de Fazenda, de Planejamento e Gestão e de Desenvolvimento Social. No local, serão mantidos o Instituto Itamar Franco e o Museu de Crédito Real, instituições que abrigam acervos bastante relevantes”, informa o texto, que justifica o gesto como alternativa de redução de despesas. “Isso evita o pagamento de altos aluguéis e alivia a difícil situação fiscal pela qual o Estado passa atualmente.”
De acordo com Rita, as cinco instituições que receberam o ofício solicitando o esvaziamento das salas escreveram, em conjunto, uma correspondência para o secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult) Marcelo Landi Matte, solicitando a visita do mesmo e uma reunião, porém, não obtiveram retorno da pasta. “Reforçamos a nossa postura de que não estamos contra a posição do Governo de Minas, de querer cortar gastos com aluguéis. Nossa preocupação vai muito além das nossas cinco instituições. Reivindicamos a permanência do prédio como endereço cultural, porque, nos últimos anos, mais de 70 entidades utilizaram o prédio. Nossa cidade tem uma carência muito grande de espaços e, sem o prédio do museu, perdemos ainda mais”, lamenta a presidente do instituto que cuida da memória da imigração alemã em Juiz de Fora.
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Entre os atingidos, ainda, estão a Associação de Cultura Luso-Brasileira, o Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora, a Agência de Desenvolvimento de Juiz de Fora e Região (ADJFR) e a Associação dos Funcionários Aposentados do Banco de Crédito Real, todas, segundo Rita, com a permanência apoiada expressamente pelo Conselho Municipal de Cultura (Concult) e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). “Temos a esperança de conseguir ficar”, destaca Rita, chamando atenção para a história do prédio tombado. Para ela, o imóvel exige tantos cuidados especiais, que, para o Estado pode ser menos custoso manter a atual ocupação. Ainda em nota, a assessoria de imprensa do Governo de Minas não informa o que será feito diante da permanência das instituições e confirma a intenção de revitalizar o museu que dá nome ao imóvel. “Estão sendo negociadas formas de incremento ao acervo disponível para torná-lo ainda mais interessante ao público e complementar a compreensão da importância do edifício e de seu contexto na cidade.”

