Turismo de Juiz de Fora prioriza revitalização do Morro do Cristo para 2026
Secretaria de Turismo direciona recursos para o começo das obras de revitalização do centro histórico e a consolidação de programas turísticos na cidade

A Secretaria de Turismo da Prefeitura de Juiz de Fora (Setur/PJF) afirmou que, em 2026, a grande aposta para o turismo da cidade é a revitalização do Morro do Cristo. O projeto é uma demanda antiga da cidade, e busca explorar o potencial de turismo gastronômico e de aventura no local, além de dar início a um projeto de revitalização dos mirantes da cidade. Levando em conta o recorde histórico do Brasil em 2025, quando o país atingiu um marco de 9 milhões de turistas estrangeiros e foi a nação onde o setor mais cresceu no mundo, a cidade vem buscando estar à frente das inovações e se afirmar como um destino entre as diversas opções brasileiras. Minas Gerais já é um estado bem estabelecido como um dos mais procurados pelos turistas locais e estrangeiros — e, para a pasta municipal, o desafio é fazer com que ambos os públicos enxerguem o município como um local diferenciado no que diz respeito à infraestrutura, ao patrimônio e ao lazer. Para isso, os recursos também serão direcionados para o começo das obras de revitalização do centro histórico e a consolidação de programas turísticos na cidade.
Em entrevista à Tribuna, o secretário Eduardo Crochet contou que, tal como a principal entrega de 2025 foi o novo Mercado Municipal, a expectativa é que a revitalização do Morro Cristo funcione como o grande diferencial deste ano. “É um lugar muito bonito e que tem potencial para turismo gastronômico, turismo de aventura e turismo de bem-estar. Fora que é um cartão postal de Juiz de Fora por conta da vista mesmo”, disse ele, destacando que a prefeitura já usou o local para eventos que demonstraram esse potencial. A perspectiva é que os projetos ali sejam criados a partir da expertise dos servidores da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), e em seguida levados adiante por empresas contratadas para os projetos e para a revitalização. “Depois, vamos abrir para os permissionários que vão ocupar os espaços”, contou.
Perto de completar um ano da reabertura do Mercado Municipal, ele também avalia que esse foi um passo muito importante para a requalificação do centro histórico — um trabalho que irá continuar neste ano e que deve se estender ao menos até o final do mandato de Margarida Salomão, em 2028. “Temos tido uma visitação mais frequente ao centro, que é um grande centro de turismo também de compras, porque temos um shopping ao céu aberto com o sistema de galerias e ruas paralelas. O que a gente faz é também mostrar as nossas riquezas históricas, como o nosso patrimônio, a nossa gastronomia e o oferecimento de iguarias que só se encontra em Juiz de Fora”, conta. Com a aprovação do empréstimo do BNDES para obras que incluem a criação do Centro de Comércio Popular e repaginação do Calçadão nas ruas Halfeld, Marechal Deodoro e Batista de Oliveira, e ainda da Avenida Getúlio Vargas, ele projeta que o impacto sentido será ainda maior. “Cada entrega vai atrair atenção e a gente acredita que o turista vai querer saber o que está acontecendo em Juiz de Fora”, diz.
A importância disso, como ele observa, é a capacidade do turismo em promover o desenvolvimento sustentável dos municípios. Em 2025, Juiz de Fora apresentou desempenho positivo no setor de Alojamento e Alimentação, indo na contramão da média estadual. Dados do Novo Caged mostram que, entre janeiro e novembro, a cidade gerou saldo de 647 empregos formais no segmento, alta de 11,16% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram criadas 584 vagas. “O turismo cresceu no mundo inteiro, e isso é muito importante porque é um setor que permite o desenvolvimento sustentável dos municípios e dos países. (…) Minas Gerais foi o que mais cresceu em termos da economia de turismo, e Juiz de Fora participa disso. Mas temos que fazer a promoção do destino para captar esses turistas”, destaca.
Transformação de produtos em programas
Outro investimento importante do setor é a transformação dos produtos turísticos em programas. Como explica o secretário, esse tipo de ação mais sistematizada e que coloca os atrativos em rotas e os transforma em experiências são capazes de “reter” os visitantes por mais tempo. Ele cita como exemplo a cerveja artesanal, que se tornou um diferencial de Juiz de Fora. “A cerveja artesanal já é um produto turístico, mas a visitação nas cervejarias e a possibilidade de ter uma imersão no método de fazer cerveja e conhecer várias cervejarias e tipos de cerveja, e ainda com as praças cervejeiras, vira um programa”, explica. Esse programa, inclusive, está em desenvolvimento para integrar Juiz de Fora e Petrópolis, dois pólos de produção cervejeira que também estão ligados por terem os maiores acervos imperiais do Brasil.
O mesmo ele observou em relação à gastronomia de Juiz de Fora. “No ano de 2025, vimos que os festivais gastronômicos de Juiz de Fora cresceram muito e atraíram muita atenção não só dos moradores, mas também de visitantes. Já tínhamos o Comida di Buteco muito assentado, que é produto do Brasil inteiro que conta com uma efetividade muito boa na cidade, mas outros eventos gastronômicos surgiram ou se consolidaram”, explica ele, citando como exemplo JF sabor, a Festa das Nações, o Festival de Comida Gigante, o Harmoniza, o JF Wine e o Pé de Café. “Organizar uma política pública para organizar esses festivais e ter o apoio da prefeitura para captação dos turistas fará com que a gastronomia se torne um programa turístico”, destaca.
Turismo doméstico e internacional
O desafio do turismo de Juiz de Fora, como explica Crochet, é crescer internacionalmente enquanto também se mostra para dentro do próprio país e até da região. Em relação a isso, ele explica que uma das propostas que estão trabalhando é em relação à China, aproveitando a visita da prefeita à cidade-irmã de Yueyang, em 2025. “A China é um dos países que mais gasta em turismo no mundo, mas não é o que mais visita o Brasil, que são os argentinos. Então, temos feito uma estratégia nestes dois sentidos: com a China, pela nossa parceria com a cidade irmã, e com o país com um todo, através do Ano da Cultura Brasil-China, ao qual estamos bastante atentos e conta com a aproximação da Embratur”, explica. Internacionalmente, ele explica que a proposta é mostrar a cidade como um polo integrado da Zona da Mata, apresentando o conjunto de atrativos turísticos diversos da região que pode ser vendido como destino, e mostrando que o município é capaz de absorver essa demanda.
A economia do turismo no Brasil, no entanto, ainda é bastante dependente do turismo doméstico. Para isso, ele conta que a pasta percebeu que o perfil do turista é familiar, ou seja, aquele que vem visitar a família e a cidade na qual a família mora. “Por isso é tão importante a gente trabalhar com o morador a ideia de conhecer a própria cidade e amar mesmo. Ele é nosso principal guia turístico”, destaca.
Tópicos: Centro Histórico / turismo