Funalfa anuncia três novas salas de exibição e finalização de reformas no CCBM
Diretor-geral da Funalfa busca consolidar circuito exibidor na cidade, fazer diálogo com setor privado e expandir polo audiovisual

Para o ano de 2026, a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) tem como planos para a cultura de Juiz de Fora consolidar discussões já feitas com o setor artístico da cidade. Isso começou quando o diretor-geral Rogério de Freitas assumiu a pasta, no início de 2025, e promoveu rodas de conversa que mostraram a necessidade da cidade investir em uma economia criativa. Parte dessas políticas, como ele explica, resultaram na criação do Polo JF Cine e irão também gerar um calendário de atividades que possa dar ossatura às categorias. Nesse sentido, ele destaca que uma das principais medidas que o público verá este ano é a consolidação do circuito exibidor na cidade, com três novas salas de exibição, e a finalização de reformas no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) — com previsão de entrega da Sala Flávio Márcio no primeiro semestre e a finalização das obras até o final do ano. Além disso, a cidade tem buscado intensificar a procura por recursos em editais federais de cultura e também por meio de um estreitamento do diálogo com o setor privado.
A necessidade das salas de exibição foi percebida pela Funalfa diante da dificuldade do público juiz-forano em assistir filmes aprovados em leis de incentivo, como a Lei Paulo Gustavo — um problema que não atinge apenas o município, mas ao qual valeria dar atenção tendo em vista a criação do polo. A iniciativa será feita, como conta o diretor-geral, em parceria com o Instituto Albert Sabin, e funcionará com duas salas no Alameda e até o final do ano também na Praça Céu. “A Funalfa entrou com a curadoria da programação. Então, nós vamos ter uma programação do ano e também uma programação local. E também teremos um projeto chamado ‘Escola vai ao cinema’, em que toda semana vamos levar uma escola para assistir filme, para que cada escola tenha essa experiência de ir ao cinema”, conta Rogério.
Outro plano para 2026 é dar outro passo em direção à restauração do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Nesse sentido, ele conta que a experiência no Espaço AICE, dentro do Mercado Municipal, foi muito importante. “A experiência na galeria Nívea Bracher nos mostrou que as pessoas, quando são convidadas e se sentem à vontade, querem ir a exposição de arte”, conta ele. É esse tipo de experiência que ele espera que a reinauguração completa do espaço também possa proporcionar. No momento, ele explica que já está sendo finalizada a reforma no teatro da sala Flávio Márcio, e que o foco nos próximos meses será fazer a reforma da parte elétrica e a climatização do teatro, para que essa parte tenha entrega ainda no primeiro semestre. “Vamos trabalhar para até o final do ano a gente conseguir repaginar também o restante do CCBM”, garante.
Alinhamento dos pontos de cultura
Como desafios da gestão à frente da pasta, Rogério entende que o alinhamento dos pontos de cultura da cidade era uma questão bastante importante. Para isso, ele contou que a Funalfa se dedicou a fazer um mapeamento desses pontos, entendendo em quais áreas geográficas atuam e promovendo um encontro entre cada um deles. No total, foram registrados 54 pontos de cultura em Juiz de Fora, e a sua expectativa é que, este ano, eles funcionem como teias, podendo assim promover um maior diálogo. “Este ano a gente vai incrementar essa teia e fazer várias atividades entre os pontos. E com a novidade de que a Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) deste ano reserva um recurso do edital para isso”, conta.
Outro diferencial da Pnab deste ano, como ele destaca, é que terá a possibilidade de conseguir um recurso de R$500 mil para espaços culturais da cidade. “São cinco espaços culturais que podem ter manutenção com maior previsibilidade. Se eles forem aprovados pelo processo, vão receber esse recurso para que possam ter uma ajuda de custo para manter a casa aberta, fazer um investimento em equipamento etc”, diz.
Criação de Estações Culturais
Com a criação do polo audiovisual em 2025, a perspectiva é que Juiz de Fora continue tomando a frente do setor nos próximos anos. O diretor-geral revelou que a pasta criou um projeto para o Ministério da Cultura, dentro de um edital da Secretaria de Economia Criativa, que ainda não teve resultado, para junção dos três polos audiovisuais na Zona da Mata: de Barbacena, Cataguases e Juiz de Fora. “Cada uma dessas três estações culturais seria responsável por uma parte do ecossistema do audiovisual. Então, por exemplo, a ideia é que Barbacena seja responsável pela produção musical em audiovisual, devido à experiência da Bituca; Cataguases com polo de animação, que já está em curso; e Juiz de Fora, por fim, liderando e coordenando todo esse trabalho com o polo de cinema da Zona da Mata”, explica. Ele destaca, no entanto, que se aprovado, esse projeto terá ações para os próximos três anos, também atraindo mais produções para a cidade.
Diálogo com o setor privado
Além da procura por editais que proporcionem um apoio estrutural para a cultura, como também ocorreu com a aprovação do projeto de carnaval de Juiz de Fora na Lei Rouanet e lei estadual, o diretor-geral acredita que o diálogo com o setor privado da cidade seja essencial. Para ele, essas são medidas que visam facilitar a vida do produtor cultural que escolhe Juiz de Fora. “Estamos em um processo de sensibilização do empresariado de Juiz de Fora para que a gente possa ter um retorno em médio prazo”, diz. Ele destaca que o conjunto dessas ações é o caminho para criar um mercado cultural que funcione por conta própria.