O Polo Audiovisual da Zona da Mata já reúne mais de três mil acessos, do Brasil e do exterior, uma semana após a estreia de sua plataforma de streaming gratuita (poloaudiovisual.tv). A iniciativa, de entrar no mundo da distribuição de filmes on-line já era um desejo antigo, estudado pelo polo nos últimos anos, e que chegou a se tornar realidade como um incentivo para que a população fique em casa durante a pandemia da Covid-19. A plataforma, que ficará disponível por três meses, é uma oportunidade de o público conhecer a produção de cinema local que, muitas vezes, não chega aos espectadores.
A perspectiva é de que sejam lançados ao menos 20 longas-metragens, 40 curtas-metragens, além de documentários, videoclipes de bandas locais e séries. Há produções baseadas em grandes escritores como Fernando Sabino e Luiz Ruffato, além de curtas produzidos por novos talentos. “O menino no espelho” (2014), “A Família Dionti” (2017) e “Fui a Lisboa e lembrei de você” (2015) são alguns dos títulos já disponíveis. Na última sexta-feira, foi lançada a série de animação “Coração das Trevas” (2018), inspirada na obra de Joseph Conrad. A proposta é de que, toda sexta, novos títulos sejam adicionados ao site.
Outra novidade é a série de podcasts que será lançada em breve. O conteúdo em áudio será temático e contará com entrevistas com artistas, cineastas, produtores e outros convidados. Entre os assuntos tratados estão: Economia criativa pós-Covid-19; o trabalho audiovisual durante a restrição social; a relação do audiovisual com a música, a educação, e as tecnologias digitais; entre outros.
“A gente nunca imaginaria que lançaríamos a plataforma nesse momento”, reflete César Piva, diretor e presidente da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona Mata, com sede em Cataguases. “Com a necessidade de combate ao coronavírus e o isolamento social, a primeira coisa que aconteceu foi impactar o cenário da economia e principalmente da cultura. A gente vive dos encontros e eventos, e as salas de cinema e teatro foram as primeiras a serem fechadas. O setor cultural rapidamente se organizou, e aconteceu um fenômeno mundial de ocupar o espaço de plataformas digitais. A tecnologia nos possibilitou isso, e estamos vendo como a cultura reage, como é importante para todos que estão em casa. No mundo todo, estamos vendo filmes, peças de teatro e lendo livros. Então rapidamente nos esforçamos para construir essa plataforma em parceria com a Energisa.” A iniciativa faz parte do “Movimento ENERGIA DO BEM de Combate ao Coronavírus”, que também está tendo atuação nas áreas de saúde e educação.
Segundo Piva, há duas questões que interferem na dificuldade de as produções chegarem até o público local. “As carreiras dos filmes funcionam como um ritual. Eles são lançados em festivais com ineditismo e, depois de cerca de seis meses, fazem carreira no cinema e então vão para a televisão e canais alternativos. É mais ou menos assim que funciona o mercado. Já outros filmes são lançados diretamente nos cinemas, como comerciais. Isso também é uma outra questão do cinema brasileiro, pois em qualquer sala de cinema no país, 99% da grade são de filmes americanos. Às vezes, os filmes brasileiros conseguem entrar por uma semana e logo saem da grade.”
Em parceria com produtores, cineastas e artistas, diversas obras, produzidas e filmadas na região, foram disponibilizadas gratuitamente para a plataforma. “Todas as produtoras e artistas que vieram filmar saem dizendo que nunca viram tanto calor humano, boa vontade e receptividade da população quanto na nossa região. Está na hora de devolvermos algo a essa população, para que agora tenham a oportunidade de ver sua cidade e sua região nos nossos filmes”, ressalta Piva. Algumas produções contam com artistas renomados, como Regiane Alves, Gisele Fróes, Mateus Solano e Lilia Cabral.
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Produções e lançamentos são adiados pela pandemia
Com a necessidade de isolamento social no enfrentamento ao coronavírus, os primeiros setores a serem impactados na produção audiovisual foram as gravações e a exibição dos filmes. Algumas fases, no entanto, podem continuar a serem realizadas à distância, como a pré-produção e a finalização de filmes que estão na fase de pós-produção.
“Fazer filme envolve muita gente, o que está na frente das câmeras é 20% do total. Estávamos gravando um especial, chamado “Comadres”, que seria lançado em julho, e uma série de televisão chamada “Azul Celeste”. O filme “Predestinado”, com Juliana Paes e Danton Mello, estava previsto para ser lançado em abril e foi adiado. Teremos que pensar em cuidados para voltar a gravar e em como irá acontecer a reabertura do convívio social, de espaços como as salas de cinema. Temos que descobrir novos caminhos nesse momento, e a cultura tem a imaginação a seu favor”, reflete César Piva.
O momento também representa um desafio econômico por haver um grande impacto na cadeia produtiva do setor. “Temos que buscar soluções de emergência, nos organizando, mobilizando políticas públicas com os governos, patrocinadores e parceiros para que possamos passar da melhor forma possível esse período necessário de isolamento social. Temos esperança de que daqui a pouco nos reerguermos e trabalharemos com a mesma intensidade.”
Polo Audiovisual da Zona da Mata
Confira a plataforma de streaming gratuita em: poloaudiovisual.tv
