A nova passarela do carnaval de Juiz de Fora recebeu, na noite desta segunda-feira (16), a última metade do desfile das escolas de samba da cidade. Ao todo, foram cinco desfiles, mas apenas três serão considerados na apuração dos votos que define o resultado do carnaval 2026 da cidade, que será realizada ainda nesta terça-feira (17), no Teatro Paschoal Carlos Magno, às 14h.
A Tribuna acompanhou, pelas redes sociais, os dois dias de desfiles em Juiz de Fora.
A primeira escola foi a mirim Império da Torre, que levou jovens carnavalescos ao Circuito Júlio Guedes em um desfile com comissão de frente e ala da bateria animados, sob o enredo “Tudo no mundo tem cor”, usando “Flicts”, clássico do mineiro Ziraldo. A exibição encantou o público presente, desde familiares dos pequenos até quem foi apenas prestigiar o momento.
Quem abriria oficialmente o segundo dia seria a Encantos da Vila. Contudo, houve atraso e a agremiação acabou desclassificada. Apesar disso, a Funalfa informou que houve um diálogo nos bastidores e a escola chegou a desfilar ao fim do dia, mas já desfalcada e sem qualquer pretensão para os jurados – apenas “em respeito à comunidade e à escola”. O enredo levava a festa junina à avenida, com inspiração na passagem de Luiz Gonzaga por Juiz de Fora.
Três escolas de samba que desfilaram seguem classificadas
Com a situação, a responsável por inaugurar o desfile na segunda-feira foi a Roseira da Zona Sul. Enquanto desfilava pelo Circuito Júlio Guedes, ficou nítido o que a escola queria dizer, em seu enredo, com “deixa meu povo dançar”: a diversidade cultural brasileira foi destacada com danças de terreiros de matriz africana, a capoeira, festas de tradição alemã, forró e quadrilha, hip hop, baile funk e, é claro, o samba.
Dentro da passarela, a emoção toma conta. Gracinda Ribeiro, rainha de bateria da Roseira, estava ansiosa com a chegada do horário do desfile. “Estamos muito felizes de estar aqui novamente. Voltar depois de tanto tempo não é fácil. Precisamos de união, todos se ajudando neste momento. Agora, é levar para a rua.”
Em seguida, saindo do grupo de acesso para o especial, a Rivais da Primavera entrou destacando memórias da própria trajetória, revisitando enredos e momentos que marcaram sua caminhada no carnaval juiz-forano.
Finalizando o dia e os desfiles no carnaval 2026 de Juiz de Fora, a Real Grandeza entrou com a proposta de abordar a lua através de diferentes camadas: a relação com alguns povos, com o mistério, com a magia e com a dimensão religiosa.
Foram feitas referências a São Jorge e a entidades de matriz africana, como Ogum, Oxum e Tranca-Rua. Enredos como “Abracadabra” (2004) e “Lua de São Jorge” (2000), que fizeram história na avenida juiz-forana, também foram lembrados.
Liesjuf já pensa nos próximos anos
Na visão de Gilberto “Jubinha”, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), os desfiles superaram as expectativas. “Tínhamos receio de não dar certo pelo novo local e pela estrutura fornecida. Acreditávamos que o público poderia não comparecer e que as questões de tempo e de verba cedidos às escolas poderiam atrapalhar. Pelo contrário: deu certo”, destaca.
“As escolas fizeram belos espetáculos com garra, emoção, amor e muita dedicação.” Para o próximo ano, Jubinha reforça que ainda vai conversar com os presidentes das agremiações, com a Funalfa e com a Prefeitura sobre o local. “Na nossa visão e a partir de pesquisas que fizemos, o público gostou do local por ser central e por não atrapalhar a mobilidade urbana”, aponta.
Para os próximos anos, a principal melhoria a ser feita, nas palavras do presidente, diz respeito à estrutura tanto para as escolas como para o público. Além disso, ele complementa que o formato de acabar cedo os desfiles “veio para ficar”, por ser menos desgastante tanto para o público quanto para os envolvidos no espetáculo.
