‘Abigail’: livro infantil com tema de amizade ganha versão atualizada para uso em escolas
Contemplado pela Funalfa, a história infantil conta a amizade de uma menina e uma borboleta, abordando temas como inspiração e ciclos da vida

O livro “Abigail”, escrito e ilustrado pelo autor Gustavo Buruga, apresenta a amizade entre a protagonista, Abigail, e uma borboleta como tema central para tratar de inspiração e superação com o público infantil. Além do impresso, o livro também está disponível no formato de audiolivro (com audiodescrição), de forma gratuita no site do autor.
Autor de outros quatro livros infantis, “Amora e o reino das memórias”, “Augusta”, “Adote-me” e “Por onde anda João”, Buruga constrói um diálogo com a infância por meio de desenhos e sua escrita, abordando diversas temáticas que permeiam a vida de forma leve e inspiradora.
O nascimento de Abigail
Lançado originalmente em 2017, “Abigail” foi criado a partir da ideia de mostrar às crianças a natureza como fonte de inspiração e a reciprocidade entre o ser humano e o meio natural. Antes do livro ser finalizado, Gustavo sofreu a perda da avó e, por isso, decidiu homenageá-la dando seu nome e várias características, como o “tom” poético e a admiração por pequenos gestos da natureza, para a protagonista.
Quando o livro estava prestes a ser finalizado, Buruga enfrentou o seu maior desafio: conseguir recursos para a impressão dos exemplares. “Essa oportunidade chegou quando fui contratado para elaborar o Programa de Educação Ambiental (PEA) para uma grande empresa que estava se instalando em Juiz de Fora”, explica.
Em 2025, por meio Funalfa, através do incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Gustavo Buruga pôde lançar uma releitura do livro. As principais mudanças em relação à primeira edição são a versão do livro em áudio com audiodescrição, voltada para as pessoas com deficiência visual, e uma aprimoração dos traços e da história em si, que ficou mais didática para ser trabalhada em escolas, como conta o autor.
Em relação à sua perspectiva pessoal desde o lançamento do livro, que ocorreu nove anos atrás, Buruga afirma ter entendido a literatura como uma ferramenta transformadora, capaz de ampliar a visão de mundo das crianças.

Gustavo Buruga: entre palavras e desenhos
Nascido em Rio Novo, cerca de 50 km de Juiz de Fora, e radicado em Juiz de Fora, Gustavo Buruga possui uma trajetória permeada por livros e desenhos. O autor conta que sempre teve uma ligação com a literatura e que, durante os anos iniciais do ensino fundamental, já adorava criar histórias e ilustrá-las.
Para ele, dois acontecimentos o colocaram de vez no mundo literário: a paternidade e a Festa Literária (Fliminas) em Rio Novo. Ao ler livros todas as noites para seu filho, Henzo, Buruga reaprendeu a exercitar a imaginação e, ao participar do evento com palestras, apresentações, exposições artísticas e outros, percebeu que queria dedicar a sua vida à arte.
Segundo Gustavo, seu processo criativo é baseado em sua busca por inspiração e envolve suas duas formas de expressão: a escrita e a ilustração. “Gosto de buscar o isolamento em locais tranquilos, preferencialmente em contato com a natureza, para me inspirar. Grande parte da minha obra nasceu e se desenvolveu durante caminhadas na roça, serras ou na orla do Rio Paraibuna”, conta.
Junto com o isolamento e a natureza, o autor destaca a importância da música para suas obras. Isso pode ser explicado por conta de sua família ser altamente musical – com os irmãos estudiosos da área, a mãe que era uma professora lúdica e levava o violão para a sala de aula e, claro, seu avô, que tentava chamar a atenção da avó, Abigail, por meio de serenatas. A expressão musical é uma das que Gustavo mais se identifica, pois incentiva a criatividade e é capaz de tocar a alma – assim como as suas obras literárias preferidas.
Além de ilustrar os seus próprios livros, Buruga também ilustrou obras como “História de duas lagartinhas” e “Festa da floresta”, de Carlos Erreoliveira. Ao se inspirar em ilustradores como Valentina Toro e Lelis, Gustavo desenvolveu um estilo próprio, que permite imperfeições e rabiscos e, para ele, as crianças se sentem mais confortáveis com esse tipo de ilustração, que valoriza o fato de serem feitas à mão.
Participações para além das páginas
Os livros de Buruga já foram contemplados por diversos editais, como “O bicho pegou 2023”, da Funalfa, e “Territórios e Paisagens Culturais”, da Lei Paulo Gustavo. Além disso, o autor e seus personagens já marcaram presença em eventos como a Primeira Festa Literária de Juiz de Fora (Flijuf) e projetos, a exemplo do “Palavras ilustradas” do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).
Além disso, uma parte essencial da experiência do autor é a participação em escolas do estado de Minas, nas cidades de Goianá, Coronel Pacheco e Piau e em ações sociais, como uma campanha de adoção de animais baseada no livro “Adote-me”, de 2024, que ocorreu em Rio Novo. “Grande parte das minhas apresentações foram em escolas públicas e periféricas. Acho importante. É uma forma de fortalecer a democratização do acesso à cultura.”
A música aparece novamente na vida de Buruga em suas dinâmicas com as crianças, já que, em suas apresentações, ele traz elementos como o som, improviso e ritmo das histórias. Ao final, vem a melhor parte – fazer um som com as crianças.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy