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Em um oceano de notas: Duo Violeta analisa o lançamento de ‘Mar pequeno’ e revela próximos passos

duo violeta álbum mar pequeno

(Foto: Divulgação)

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André Santana e Rafael Campanaro, musicistas que integram o Duo Violeta (Foto: Divulgação)
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Um bom livro, pés na areia e a vista para o mar. Essas são apenas algumas das sensações causadas ao ouvinte de “Mar pequeno”, primeiro álbum de estúdio do Duo Violeta, formado por André Santana e Rafael Campanaro. Lançado em maio deste ano, o disco abre espaço para a dupla discutir próximos passos e se afirmar como expoente da música instrumental brasileira.

Resultado de um retiro musical realizado em Ilha Comprida, no litoral paulista, o álbum reúne dez faixas instrumentais, marcadas pela sonoridade própria do Duo e a presença da escaleta, instrumento que vem se tornando a marca registrada da dupla.

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“Tanto eu quanto o Rafael atuamos como educadores e músicos em outros projetos, o que demanda bastante tempo. Nesse sentido, o retiro foi uma forma de dedicar um período exclusivamente ao Duo Violeta, sem preocupação com outras tarefas ou compromissos. Foi uma oportunidade de mergulharmos em nós mesmos, nas nossas referências mais profundas e nas experiências que nos constituem como artistas, para deixar essas músicas emergirem”, explica André.

O artista explica que esse momento de introspecção foi fundamental para a produção do álbum, em que a experimentação e amadurecimento musical foram possíveis. “Acreditamos que um novo retiro criativo poderia abrir caminhos diferentes e trazer novas descobertas para os próximos trabalhos”, completa.

‘Referências que nos acompanham ao longo da vida’

O processo de produção do álbum foi, segundo o Duo Violeta, muito fluido. Ambos buscaram acolher as ideias que surgiam e, depois, as revisitavam para decidir o que fazia sentido dentro da identidade do álbum.

Outro ponto de destaque é a utilização da escaleta, aerofone de palhetas livres, com funcionamento semelhante ao acordeão e à harmônica de boca, que, por ser um instrumento ainda pouco utilizado, necessitou de atenção especial para que a dupla entendesse a sua sonoridade e particularidades.

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André explica que “também houve uma pesquisa cuidadosa de timbres”: “Utilizamos três escaletas diferentes ao longo do disco, escolhidas de acordo com a sonoridade que cada composição pedia. A própria gravação exigiu experimentação, desde a escolha dos microfones até a busca pela melhor forma de captar o som, já que é um instrumento pouco comum em gravações de estúdio também”.

“Mar pequeno” é um diálogo sonoro entre a escaleta, o violão e tantas outras camadas instrumentais, capazes de transportar quem escuta. Com influência da música tradicional nordestina, o álbum conta com uma sonoridade orgânica, próxima da experiência de ouvir os instrumentos ao vivo.

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A dupla também destaca a influência da música mineira em suas composições. “Somos fãs de carteirinha de artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Tavinho Moura e Flávio Venturini. Muito da nossa sonoridade, das nossas escolhas melódicas e harmônicas, e até da maneira como buscamos construir atmosferas musicais, dialoga com esse universo”, relata André.

“Existe algo na música mineira que combina sofisticação e sensibilidade, profundidade e afeto, e isso nos inspira profundamente. Não por acaso, o Clube da Esquina é uma referência constante para o Duo Violeta”, completa.

Ele ainda explica que é natural possuir tantas inspirações e referências. “Às vezes estamos compondo e pensamos: ‘há algo aqui que lembra determinado artista’. Não no sentido de imitar, mas porque toda criação também é feita das referências que nos acompanham ao longo da vida.”

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Contato com o público

Com o álbum lançado, o Duo se prepara para apresentações e shows ainda a serem divulgados. Além disso, estão em produção dois clipes que serão lançados nos próximos meses e um mini documentário com os bastidores de “Mar pequeno”.

André e Rafael reforçam que estão felizes com a recepção do público do álbum. “Recebemos muitas mensagens carinhosas de ouvintes, relatos de pessoas que se conectaram com as músicas de maneiras muito diferentes e também um interesse bastante generoso da imprensa.”

Ambos reconhecem que, ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita o processo de produção e veiculação de um álbum, o desafio de encontrar o seu próprio público permanece, ainda mais quando tantos lançamentos acontecem ao mesmo tempo.

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E André completa: “É muito gratificante ver um trabalho que nasceu de forma tão íntima e cuidadosa começar a circular e encontrar ressonância em tantas pessoas. Isso nos dá ainda mais vontade de continuar criando e compartilhando nossa música”.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy

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