Moradores de Juiz de Fora ganham retratos na exposição ‘Pessoas possíveis’


Por Elisabetta Mazocoli

11/02/2026 às 07h00

exposição pessoas possíveis
Retratos foram desenvolvidos a partir de encontros e processos de escuta com moradores de comunidades da Zona Norte, áreas rurais e região central (Foto: Sinval Abranches/ Divulgação)

A exposição “Pessoas possíveis” leva o retrato de 45 juiz-foranos para a Galeria Nívea Bracher, localizada no Mercado Cultural AICE (segundo piso do Mercado Municipal de Juiz de Fora). A exposição reúne um conjunto de obras feitas por oito artistas com diferentes técnicas, desenvolvidas a partir de encontros e processos de escuta com moradores de comunidades da Zona Norte, de áreas rurais e da região central de Juiz de Fora. A mostra integra um projeto de artes visuais do coletivo Artezn, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), por meio da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), e fica em cartaz até 1º de março. 

A proposta de Danielly Gomes nasceu do gosto que sempre teve por fazer retratos de outras pessoas — e de vê-las representadas a partir do olhar dos outros. Desta vez, ela percebeu que era preciso que os trabalhos captassem inclusive as histórias que cada um guarda: “Escutamos as pessoas em uma pesquisa de campo, e acredito que tenha sido a etapa em que mais aprendemos. A gente olha para as pessoas e não imagina a história que tem por trás de cada rosto”, conta ela. Esse processo foi gravado e, no futuro, também vai ser montado como um documentário do fazer artístico por trás das obras.

Além dela, participam da exposição os artistas Lucio Rodrigues, Nicholas de Oliveira, Isabel Bueno, Thalita Carvalho, Rosiane Oliveira, Caio Valle e Karen Reis — todos do coletivo Artezn. A diversidade de olhares reunidos também trouxe mais atenção à diversidade da própria população e ainda à variedade dos traços dos artistas, como ela explica. Mas, para fazer isso, foi preciso organização e trabalho conjunto: o combinado era pintar em coletividade e sempre ter o olhar do outro para dar dicas do que funcionaria melhor para captar bem o retratado. E, juntos, eles foram descobrindo as histórias de figuras como o “Vô do Pula-Pula”, de Benfica, e de Doracy, aluna da Praça CEU que teve a vida transformada pela arte.

O título “Pessoas possíveis” veio de uma percepção que tiveram ao longo do processo, a partir da sugestão de Lucio Rodrigues. “A gente estava pintando todos os tipos de pessoas possíveis e qualquer pessoa poderia ser possível de ser retratada nas telas”, destaca ela. As pessoas escolhidas eram da Zona Rural, da Zona Norte ou da região central. “Isso está reverberando desde a inauguração. Foi muito incrível as pessoas se verem e se sentirem pertencentes a esse espaço”, conta ela, que está recebendo várias fotos das pessoas ao lado de seus retratos desde a inauguração.

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(Foto: Thalita Carvalho/ Divulgação)

Arte, território e memória

Toda a elaboração da exposição busca fazer a relação entre arte, território e memória. Pensando nisso, a mostra, que é itinerante, teve uma primeira passagem em escolas da Zona Norte, buscando levar arte para a população e o sentimento de pertencimento e reconhecimento, ao se verem retratados nas obras.

Quando essas pessoas vão até o Mercado Municipal e se enxergam nas obras ou veem seus parentes e conhecidos, por exemplo, ela nota uma mudança de perspectiva importante: “Queríamos que essas pessoas se sentissem pertencentes a espaços muitas vezes elitizados. A galeria Nívea Bracher está no centro de Juiz de Fora, no coração da cidade, e as pessoas que foram retratadas vão se ver e se sentir pertencentes. Elas podem e devem ocupar esses espaços de arte”.

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