Com direito a experiência “nas alturas”, o Comida di Buteco 2026 começa nesta sexta-feira (10) em Juiz de Fora. Quarenta bares irão servir os pratos inscritos na edição até 3 de maio. Mas quem acha que o concurso inicia apenas a partir do dia em que as pessoas podem experimentar e votar para eleger o melhor boteco da cidade está enganado. Desde julho do ano anterior, os estabelecimentos já começam a enviar as receitas para a organização, como esclarece o coordenador na cidade, Toninho Simão.
“Na verdade, a gente começa a organizar o Comida di Buteco 2027 agora. Fazemos a seleção dos botecos, porque sempre 20% da base é rebaixado para dar oportunidade a outros 20%, o que representa uma troca de oito dos 40 bares envolvidos. A captação dos novos para o ano que vem já começou.” Em 2026, os estabelecimentos que não participaram no ano anterior são o Bar do Brejo, Birosca, Carlota Bar e Restaurante, Coliseum Bar e Restaurante, Costelaria Compadre Grill, Dirceu’s Pub, Espetinho da Villa, Lero Lero Bar e Pappadog Bar.
Em relação ao funcionamento da avaliação para a seleção dos bares, Toninho explica que, ao finalizar o concurso, a organização divulga informações do próximo: principalmente preço e se vai ter ingrediente principal (o que ocorre ano sim, ano não). “A partir de julho, mais ou menos, os estabelecimentos começam a entregar as receitas para a organização. Em setembro, finalizamos o processo; e em novembro, já começamos a tirar as fotos dos pratos. No penúltimo mês do ano anterior, já está tudo pronto para começar o concurso”, conta.
Organização estabelece critérios para evitar repetições nos pratos
Como o início do Comida di Buteco é marcado para cerca de seis meses depois, em abril, os proprietários aproveitam esse intervalo para testar e aprimorar os pratos. Em 2026, a edição envolve um ingrediente obrigatório na composição: pelo menos, uma verdura. Além disso, Toninho Simão acrescenta que a regra dos 20% novos bares funciona também para o número de pratos com a mesma comida e a mesma verdura.
“Dos 40 bares, oito deles podem fazer o mesmo prato e oito podem usar a mesma verdura, no máximo. Por exemplo: apenas oito estabelecimentos podem produzir bolinhos, usar couve na composição e assim por diante. A verdura pode vir de qualquer forma: seja na massa ou como acompanhamento. Além disso, precisa fazer saborizar: entrar no prato apenas como enfeite, não vale.”
Se mais de oito bares quiserem fazer o mesmo prato ou usar o mesmo ingrediente principal, a seleção é feita com base na ordem de chegada. A prioridade é de quem mandar a receita primeiro. “Demora cerca de um mês e pouco para os responsáveis pensarem nas ideias para o prato. A briga é grande, principalmente para o tal do bolinho”, brinca o coordenador do concurso em Juiz de Fora. “É o mais fácil de comer, mas às vezes é, também, complicado. Pode não ficar legal: ficar frio por dentro ou até congelado. Então tem que tomar cuidado.”
Experiência ‘nas alturas’
A grande novidade para 2026 em Juiz de Fora, como define o próprio Toninho, é uma plataforma que leva a experiência “às alturas”. A cada fim de semana, um bar irá receber o equipamento que permite à população experimentar os pratos participantes da edição a até 15 metros de altura. “Vamos rodar a estrutura pelos estabelecimentos. Alguém do público será escolhido para ter a experiência.” Na tradicional caravana da imprensa, realizada na última terça-feira (7) na UniAcademia, os convidados puderam subir, sob os olhares do público, na plataforma junto a alguns dos responsáveis pelos pratos da edição.
‘Expectativa é ultrapassar os 85 mil votos em Juiz de Fora’
Mais que um concurso, a proposta do Comida di Buteco é, também, movimentar a economia. São 27 circuitos abrangendo 50 municípios de norte a sul do país, com quase 1,2 mil botecos envolvidos. Para Toninho, a importância do concurso, que ocorre no mês do boteco, é, sobretudo, o movimento que traz para o setor. “A imprensa dá mais visibilidade e o público de Juiz de Fora já se acostumou com o Comida di Buteco. Para este ano, a expectativa é ultrapassar os 85 mil votos. É um dos recordes que esperamos bater. No ano passado, foram 75 mil.”
Além disso, o coordenador do concurso na cidade destaca a presença dos estabelecimentos envolvidos em várias regiões na cidade – não ficam apenas centralizados. “Então, todo mundo pode participar do Comida di Buteco. O bacana é quando promovem as caravanas: as pessoas saem com van, com carro, às vezes até com ônibus, rodando pelos botecos. A gente movimenta bastante a cidade, a economia local. Desde açougues, motoristas de aplicativo e de táxi a distribuidores e atacadistas.
Como de costume, o melhor boteco da cidade é escolhido a partir do voto do público e de jurados selecionados pela organização. O petisco tem 70% do peso da nota; atendimento, temperatura da bebida e higiene, 10% cada. O vencedor, em seguida, disputa para ser o melhor boteco do Brasil, na etapa nacional, com cerimônia em São Paulo.

