Na próxima semana, as escolas de samba de Juiz de Fora voltam a ocupar a avenida com seus brilhos. Com abertura programada para 19h30 do domingo (15), com o Afoxé Filhos de Oyá, os desfiles terão concentração no Viaduto Roza Cabinda e o cortejo segue até a Arena Flavinho da Juventude, na Praça da Estação. Este ano, serão oito disputando pelo troféu de escola de samba campeã do carnaval 2026 de Juiz de Fora.
De acordo com Gilberto Jubinha, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), a expectativa para os desfiles deste ano é ótimas. “A Liga e Funalfa vêm visitando os barracões e ensaios das escolas e temos vistos um trabalho engajado tanto da diretoria quanto de suas comunidades, o que nos leva acreditar que a população e os amantes do desfiles virão um espetáculo na avenida. Mesmo com pouco tempo e verba curta, o brilho de um belo desfile não vai faltar.”
O presidente também afirma que os enredos das escolas, já lançados em suas redes sociais, são histórias ricas “da nossa cultura, dos nossos povos e de homenagens a personalidades que marcaram e marcam a história da nossa cidade”. Para dar um gosto do que poderá ser visto na avenida, a Tribuna pediu que cada escola de Juiz de Fora falasse sobre seu enredo deste ano. O que eles têm em comum é a vontade de fazer um espetáculo memóravel. Confira abaixo o que cada escola canta, em ordem de apresentação.
Nove enredos, nove homenagens: confira os temas escolhidos pelas escolas de samba juiz-foranas
Unidos do Ladeira
Inaugurando os desfiles no domingo, às 20h, o Unidos do Ladeira escolheu homenagear Tarcísio Delgado, com o enredo “Tarcísio Delgado – O Ladeira canta o seu valor”.
“Falar de Tarcísio Delgado é reconhecer a luta de um homem que fez de sua vida e de seus mandatos instrumentos de defesa e promoção da Democracia como valor universal e inegociável. Uma estrada construída com honra e dignidade. E, por isso, o Unidos do Ladeira, com muito orgulho, apresenta na avenida a trajetória de um homem importantíssimo, não só para Juiz de Fora mas, também, para o Brasil”, explica o presidente da escola, Jarbas Cruz.
“Sou pequeno jardineiro
Em fevereiro a florir o carnaval
O candeeiro segue firme a iluminar
Sua história, Tarcisio
E alegria em meu cantar”
União das Cores
A G.R.E.S União das Cores segue o cortejo este ano com o enredo “A força da agricultura que alimenta o mundo”, com a proposta de, segundo Bruno Pereira, presidente da agremiação, homenagear os trabalhadores da terra, sendo um ode à luta, à natureza e à importância do campo para o país.
“Este ano, nosso enredo celebra a força da agricultura e do cultivo como herança ancestral, cultural e símbolo de resistência dos povos que formaram o Brasil. Contamos essa história desde os povos originários, que com sabedoria cultivaram a terra com respeito, passando pelo povo negro, que mesmo sob opressão, contribuiu com suor e coragem, e pelos imigrantes que aqui chegaram trazendo novos sonhos e sementes.”
“Com samba no pé e emoção no coração, vamos levar para a avenida um grito de orgulho:
Vou plantar felicidade
A União traz essa força pra avenida
Dos campos à feira, da feira pra mesa
Lá vai a agricultura brasileira”
Feliz Lembrança
Nas cores do pavilhão vermelho, azul e branco, a Feliz Lembrança trará a história de um samba que marcou a cidade de Juiz de Fora: o clássico de 1949 “Ah se eu fosse feliz”, composto por Djalma de Carvalho, com parceria de Jukita e B.O, integrantes da escola na época.
Para Maurício Schussler, presidente do conselho da escola, é “um enredo que vem representando a força dos segmentos da escola e iremos trazer com bastante alegria e respeito a todos aqueles que passaram e marcaram época”. Nessa reedição do samba, a escola irá homenagear ícones que compõem a trajetória da Feliz Lembrança, que esse ano completa 86 anos, consagrando-se como a segunda escola mais antiga de Minas Gerais.
“Prometemos muita alegria e diversão na avenida, onde iremos em busca do resgate dos nossos antigos carnavais. Contamos com a participação dos foliões de Juiz de fora e cidades vizinhas para abrilhantar ainda mais nossa festa.”
“Ah, se eu fosse feliz
Pra poder sorrir e cantar, beber
E aquela mulher amar
O destino não quis, tenho que me conformar”
Mocidade Alegre do São Mateus
Para encerrar a noite de domingo, a Mocidade traz um enredo histórico com o título “Nos 60 anos dos desfiles em Juiz de Fora, a Mocidade Alegre celebra enredos que fizeram história”.
“Não se trata apenas de relembrar sambas, vitórias e carnavais, mas de reverenciar a alma do carnaval juiz-forano. Contar 60 anos de desfiles é reconhecer que o carnaval de Juiz de Fora não é apenas festa, que já foi reconhecido como o segundo melhor do país: é patrimônio, identidade e força popular que resiste ao tempo. Ao celebrar essa trajetória, a Mocidade Alegre reacende a chama que motivou sua criação, exaltando àqueles apaixonados que construíram o carnaval da cidade”, explica Rosiléa Archanjo, integrante da comissão da Mocidade Alegre do São Mateus.
“Canta Mocidade
É só paixão no pavilhão da alegria
Aplausos pra quem fez
A festa é de vocês
Um brinde aos 60 anos da folia”
Escola Mirim Império da Torre
“Tudo no mundo tem cor” é o samba enredo com o qual a Escola Mirim Império da Torre chega à avenida. A escola usa de “Flicts”, clássico do mineiro Ziraldo, para responder a perguntar: quem somos quando nos dizem que não cabemos?
À frente da escola, a presidente Marlene Moura conta que o impulso para “pôr as cores na rua” nasceu longe dos barracões: veio de uma apresentação de balé da filha. Ali, o título se impôs como intuição, e virou convite para um trabalho coletivo com os demais componentes.
“Através da obra-prima de Ziraldo
Aqui deixo mais uma lição
É maldade querer excluir (bis)
Pois do céu pode vir outra versão”
Encantos da Vila
A Encantos da Vila coloca a festa junina na avenida com o enredo “A história que a história não contou: de Exu para o Brasil, passando pela Vila Quintão”, ligando o sertão ao asfalto e devolvendo Juiz de Fora ao mapa íntimo de Luiz Gonzaga.
Segundo o presidente Wanderson Castelar, a avenida vai revisitar os cinco anos em que o artista viveu na “Manchester Mineira”, entre 1932 e 1937. Castelar lembra que essa passagem não é lenda recém-descoberta: o próprio Gonzaga registrou seus passos juiz-foranos em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, mantido pela Funalfa. Além de Domingos Ambrósio, o enredo destaca outros encontros que, segundo a escola, moldaram o artista. Entre eles, o cantor Santo Lima e os irmãos Mozart Cataldi Couto e Otávio Cataldi Couto.
“É no baião e na embolada
Nessa toada a Encantos vai passar
Hoje o forró é na rua
Venha comigo dançar”
Roseira da Zona Sul
A agremiação Roseira da Zona Sul chega à avenida com o enredo “Batuques do meu lugar, deixa meu povo dança”. A escola transforma a passarela em um convite ao bailado e apresenta essa celebração à cidade.
“A gente veio especificando as danças que têm aqui. Eu falo da dança no geral – desde quando uma mãe embala a criança no colo, até as danças tradicionais; as danças nos terreiros de matriz africana; a capoeira; as festas de tradição alemã; o forró e a quadrilha; o hip hop; o baile funk; os blocos e as escolas de samba… No fim, é isso: a dança faz os corpos balançarem”, explica o presidente da escola, André Folia.
“Nessa folia vou me acabar!
Roseira canta e encanta!
E faz delirar!”
Rivais da Primavera
Celebrando 50 anos no carnaval juiz-forano, a Rivais da Primavera leva para a avenida memórias da própria trajetória, revisitando enredos e momentos que marcaram sua caminhada com o enredo “É Carnaval, o coro vai comer. Lá vem a Rivais, 50 anos de glórias… o universo vai tremer!”.
Para o mestre Vitor, a escola tem raiz e pertencimento: “É uma escola de família. A Epiphanio veio de Lima Duarte, cresceu no carnaval de Juiz de Fora e se firmou como escola de comunidade de Benfica. Hoje, está na elite do Carnaval daqui”.
“Sou Rivais, eu sou o samba
Tem que respeitar
Minha cadência faz o povo delirar
São cinquenta anos de emoção
Explode de alegria o coração”
Real Grandeza
Fechando o desfile também em clima de homenagem, a escola de samba Real Grandeza leva para a avenida o enredo “Eterna Lua de Real Grandeza – Encantos e Segredos sobre o Luar”.
Segundo Renan Henrique, presidente da escola, a proposta é abordar a lua por diferentes camadas. “A partir dos encantos do luar, da relação com alguns povos, com o mistério, com a magia e com a dimensão religiosa”, passando por referências como São Jorge e entidades de matriz africana, como Ogum, Oxum e Tranca-Rua. Ao mesmo tempo, ele também lembra outros enredos que fizeram história na avenida, como “Abracadabra” (2004) e “Lua de São Jorge” (2000).
“Ó Lua ancestral que alumia meu terreiro;
Faz brilhar Real Grandeza, no xirê dos Orixas;
Rufam os tambores que ecoam o ano inteiro;
É noite de feiticeiro, me acende o candiá”
*Estagiárias sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

