
A Fazenda Generosa, localizada na Serra da Mantiqueira, faz queijos autorais desde 1945. A família já está na quarta geração de produtores do laticínio, mas foi em 2019, com o “Lendário”, que tudo mudou para a trajetória da produção: “Sempre tivemos muito elogio, mas nunca tínhamos saído desse mundo aqui. Hoje, vendemos em 25 estados brasileiros”, relembra Joaquim Luiz de Carvalho, responsável pela produção. Na época, ele, que é advogado de formação, assumiu a fazenda e levou o carro-chefe da produção para a ExpoQueijo, em Araxá, onde ganharam o primeiro ouro pelo produto. Desde então, esse queijo se tornou o mais premiado do país e foi o único brasileiro servido na coroação do Rei Charles, em 2023.
A produção fica na Zona Rural de Andrelândia, a cerca de 150 km de Juiz de Fora. Toda essa tradição começou com o bisavô de Joaquim, que tinha suas próprias receitas de queijo meia-cura, e vendia para a população local. Naquele começo, como o responsável pela queijaria conta, eram feitos 70 litros de leite por mês — mas agora o total já chega a 5 toneladas no mesmo intervalo de tempo, e de forma a conservar o mesmo sabor. “Tentamos manter as mesmas receitas. No ‘Lendário’ e no ‘Quincas Terroir’, por exemplo, usamos o mesmo fermento que já era usado no começo da produção da família”, conta ele. Esse último é conhecido como “grana padano mineiro”, pela similaridade de sabores e textura, sendo um queijo duro, granulado, levemente adocicado e com toque picante.
Mas, para chegar ao destaque que tem hoje, a fazenda também contou com uma mudança na percepção do público: hoje, Joaquim percebe uma preferência do público pelos queijos maturados, no lugar dos frescos, e aqueles que possibilitam harmonização com vinhos e a elaboração de receitas. “O paladar do brasileiro está mudando muito com a entrada de novos produtos e a mudança na qualidade dos produtos feitos aqui, com mais concursos. Isso traz mais qualidade pra dentro de casa, nossos queijos estão no nível dos exportados com toda tranquilidade”, conta.
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O caminho até o Rei Charles
Até chegar à coroação do Rei Charles, no entanto, o caminho não foi fácil — e nem óbvio. Joaquim conta que não imaginava que isso poderia acontecer. Sua intenção era que, ao inscrever o queijo em premiações, a fazenda pudesse ampliar a produção, mas os títulos foram se somando: entre eles, Ouro na CNA BRASIL 2022 e prata na World Cheese Awards, que foram decisivos para a trajetória de sucesso.
Foi a partir da CNA que o queijo, inclusive, chegou até a coroação. “Eles organizaram uma cerimônia de comemoração na embaixada do Reino Unido em Brasília, para os cônsules, e o queijo foi servido com geleia de açaí brasileira. Um dos organizadores adorou a ideia e levou para a cerimônia oficial”, conta. A característica, dessa vez, é de um queijo de média maturação, com textura macia, sabor suave e notas frutadas, com cerca de 40 dias de descanso para maturação.
Próximos passos
A fazenda continua pensando em novas receitas e maneiras de valorizar o queijo minas artesanal. Exemplo disso é o produto mais novo, chamado de “Lua negra”, pois conta com a resina preta envolvendo o produto durante o processo de maturação. “Esse é um queijo bem amanteigado no interior, que lembra um gouda”, explica Joaquim, sobre a nova aposta da casa. Além disso, ele também adiantou que a queijaria está desenvolvendo um projeto, ao lado da Vinícola ABN, que fica bem próxima da fazenda, para passeios com degustação de queijos e vinhos.
