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Juiz de Fora recebe nesta semana o Primeiro Plano 2025, Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades. Assim, a cidade é a anfitriã da atividade que reúne oficinas, mostras audiovisuais, curtas, longa-metragens, debates e sessões especiais. Durante o festival, diversos diretores estreantes, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, participam da programação. Com duração entre os dias 3 e 8 de novembro, o evento tem entrada gratuita e é aberto ao público, com a realização das exibições no Teatro Paschoal Carlos Magno, localizado no centro da cidade.
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A animação nacional no audiovisual
Ítalo Tapajós é artista de animação, diretor e quadrinista de Natal, no Rio Grande do Norte. Selecionado para o Primeiro Plano 2025, o filme “Medo de cachorro” é um dos integrantes da Sessão Lanterninha, cujo foco são as produções infanto-juvenis. Já exibida em 31 de outubro devido a programação antecipada do evento, a sua produção é reexibida esta terça-feira (4) e também na quarta-feira (5), a partir das 14h. Segundo o diretor, a obra retrata um jovem que reflete sobre sua infância, ponderando não só seu medo de cachorros, mas a natureza do medo em si, questionando assim sobre o que fica e o que permanece.
‘Medo de Cachorro’ faz parte da Sessão Lanterninha do Primeiro Plano, voltada ao público infanto-juvenil (Foto: ‘Medo de cachorro’ / Divulgação) Ao longo de seu lançamento, “Medo de cachorro” fez parte da mostra oficial do Dia Internacional da Animação 2025, da Mostra de Cinema de Gostoso e do Festival Goiamum Audiovisual, sendo os dois últimos voltados para produções audiovisuais do Rio Grande do Norte. Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, Ítalo relata que teve pouco tempo para criar o projeto e, por conta disso, fez uso de uma história em quadrinhos já existente, fazendo essa mudança para o audiovisual.
“Essa é uma história pessoal minha, que eu tinha feito pra me expressar, e não imaginava que viraria um filme, mas acabei sendo incentivado pra isso. Houve muitos desafios, porque quando você dirige um filme pela primeira vez, tem muitas coisas escondidas. Eu não tenho formação no audiovisual, então fui aprendendo na raça. Até incluo a gestão nisso também, porque tinham umas vinte pessoas trabalhando a distância no curta. Mas, no geral, é muito bom ter o seu projeto, fazer ele da maneira que você quer”, conta.
PUBLICIDADEÍtalo defende que o Primeiro Plano resgata o cinema nacional, sendo assim um festival importante não só para mostrar trabalhos cinematográficos na área, com também para fazer com que as pessoas tenham menos a ideia de que “só é cinema se a pessoa for no shopping para assistir um filme internacional”. Portanto, ele comemora sua seleção no festival, pois acredita que ele resgate a cultura do audiovisual, que vai além do tradicional por também dar espaço as animações.
Um espaço para protagonismo latino
A chilena Sofía Rodríguez Pizero é a diretora do curta “Marahoro“. A obra retrata um jovem nativo de Rapa Nui (Ilha de Páscoa), que encontra em um antigo grito ancestral, a força necessária para enfrentar a rigidez do pai e seguir o chamado das vozes do mar. Com data de exibição prevista para esta terça-feira (4), às 18h30, o projeto pessoal da diretora foi premiado em “Melhor Direção” no Festival Internacional de Cine de Rengo de 2024, “Melhor Curta de Ficção Regional”e “Melhor Curta-Metragem Com Contribuição para a Cultura”, no Festival Internacional de Cine de Lebu 2025.
PUBLICIDADECurta de Sofía Rodríguez conta sobre um jovem da Ilha de Páscoa, conhecida pelo nome indígena Rapa Nui (Foto: Divulgação) Segundo a diretora, a ideia de Marahoro surgiu do desejo de honrar e agradecer à ilha Rapa Nui por tudo o que ela lhe proporcionou. Ela conta que o local a acolheu com amor e lhe deu muitas coisas de que precisava, dedicando também o projeto à sua tia Taty Pakomio.
Sofía conta que, embora a história de Marahoro seja ficcional, ela é a soma de muitas histórias que observou e ouviu na ilha ao longo dos anos. Assim, a criação surgiu da vontade de abordar o conflito geracional que existe hoje na cultura de Rapa Nui e que está presente em muitas outras culturas, além do seu interesse em capturar a beleza que vê no cotidiano da ilha.
“O maior desafio foi conseguir financiamento. Rapa Nui é uma ilha muito cara em geral. Para realizar o projeto, tive que pagar as passagens aéreas e a hospedagem de vários membros da equipe, incluindo o cinegrafista maori, Fred Renata, que veio da Nova Zelândia. Junto com minha produtora, Camila Flores, levamos cinco anos para conseguir o financiamento. Foi um processo frustrante, mas o carinho que sinto pela minha tia Taty e sua irmã me ajudou a perseverar”, aborda Sofía.
PUBLICIDADEObra de Edward conta sobre dois jovens ‘graviteiros’ na Colômbia (Foto: Divulgação) Já o colombiano Edward Gómez Granada, é diretor da obra “Malícia”, vencedora de “Melhor Curta de Ficção” do 22º Bogoshorts. O diretor relata que o filme surgiu como seu projeto de conclusão de curso em Cinema e Comunicação Digital, na Universidad Autónoma de Occidente.
Com exibição na mesma sessão de “Marahoro” (terça-feira (4), às 18h30), o filme conta a história de dois amigos especialistas em descer colinas em alta velocidade de bicicleta e que se reencontram para lembrar El Mono, um melhor amigo, morto há um ano. Em um bairro onde crescer significa aprender a sobreviver, Chinga tem sua bicicleta roubada, e Malicia está disposto a tudo para recuperá-la. Assim, em meio à violência que não dá trégua, os dois são forçados a assumir papéis de adultos antes do tempo.
“Os desafios estão intimamente ligados, como em quase todos os filmes colombianos, ao orçamento. Por isso, tomamos diversas iniciativas para arrecadar dinheiro, incluindo a venda de ingressos, equipamentos, comida e até mesmo a criação de uma marca de café chamada Malicia, que nos ajudou muito a levantar o orçamento necessário para as filmagens. É sempre um desafio também trabalhar com atores sem experiência”, diz.
PUBLICIDADESegundo Edd, os festivais permitem que as visões de jovens cineastas sejam vistas em lugares além de seus países de origem, e também criam uma ponte entre o cinema de cada lugar. Ele afirma como esse diálogo entre o que está acontecendo na Colômbia e o que está acontecendo em outros países como o Brasil, ajuda a construir uma perspectiva latino-americana sobre o cinema. Tal cenário é complementado por Sofía, que considera importante encontrar pessoalmente outros colegas da indústria e ouvir as histórias que eles contam. Dessa maneira, ela enfatiza que grande parte desse aprendizado e dessa experiência não teria sido possível sem as edições do Primeiro Plano.
* Estagiária sob supervisão da editora Mariana Floriano
