Concurso de Murilo Huff tem dupla de Juiz de Fora entre finalistas

Luka e Rafael disputam resultado por compartilhamentos e vivem momento de projeção na carreira


Por Mariana Souza*

02/04/2026 às 14h12

A dupla juiz-forana Luka e Rafael vive um momento de virada na carreira. Os artistas estão entre os finalistas de um concurso promovido pelo cantor Murilo Huff nas redes sociais – e o resultado, que será divulgado na próxima segunda-feira (6), pode levá-los a dividir o palco com o sertanejo em um fim de semana de shows.

Nos vídeos publicados no perfil do cantor, os candidatos interpretam “Saudade estranha”, novo lançamento de Huff. Inicialmente, a disputa contaria com seis finalistas, mas, segundo o próprio artista, o número foi ampliado para oito devido ao grande volume de inscrições. O resultado será definido pelo vídeo mais compartilhado nas redes.

Mais do que a possibilidade de vitória, o que marca a dupla é o reconhecimento. “Foi muito satisfatório ter o trabalho visto por ele, que é um artista nacional. Além de cantor, é compositor de várias músicas e uma inspiração para a nossa geração no sertanejo”, diz Luka Santiago.

A repercussão em Juiz de Fora também pesa nesse momento. Desde o início da competição, na última segunda-feira (30), a mobilização do público tem sido constante. “A galera abraçou a causa. Independentemente do resultado, já estamos muito felizes com o reconhecimento do nosso trabalho na cidade.”

Gravar a música para o concurso, no entanto, exigiu adaptação. Como se trata de um lançamento recente, a dupla precisou aprender a canção especialmente para o vídeo. “Foi uma estratégia de marketing dele, e a gente entrou nessa. No fim, foi tranquilo, porque o timbre é parecido com o nosso. Foi uma experiência muito satisfatória.”

Encontro que vira memória de carreira

O caminho até a final também foi marcado por um encontro simbólico. No último sábado (28), durante um show, Luka e Rafael almoçaram com Murilo Huff, um momento que, segundo a dupla, já se tornou referência na trajetória.

Na ocasião, eles chegaram a cantar juntos. “É um artista com uma carreira muito consistente, que inspira quem está começando”, resume Luka.

Antes da apresentação, em entrevista à Tribuna, Huff falou sobre a própria trajetória – da composição aos palcos – e reforçou que a transição sempre fez parte do plano. “Comecei como compositor, mas sempre projetei me lançar como cantor. Nunca vi isso como uma ruptura, porque só canto o que tem a minha identidade. Sou detalhista, e essa mudança foi tranquila justamente por causa da preparação.”

O lançamento de “Saudade estranha”, em parceria com Dudu Borges, também reflete esse momento. “Gosto do ao vivo porque mostra o artista como ele realmente é. Ao mesmo tempo, busco trazer um diferencial, sem fugir da minha essência. O Dudu tem um pensamento muito próximo do meu.”

Entre mercado e identidade

No cenário atual, em que o sertanejo domina o mercado musical, Murilo Huff vê o gênero em constante movimento, apesar das críticas que cercam sua produção em larga escala. Para ele, esse volume pode até gerar excessos, mas não apaga a capacidade de renovação de um estilo que, segundo avalia, segue abrindo espaço para novos nomes e propostas. “É natural que, com produção em larga escala, existam erros. Mas o sertanejo não se acomoda. Sempre surgem novos nomes, novas ideias. Isso mantém o gênero vivo”, analisa.

Na visão do cantor, o equilíbrio entre inovação e identidade passa, sobretudo, pela clareza artística de cada intérprete. Ele defende que o próprio artista deve saber até onde pode ir sem se descaracterizar, tomando para si as escolhas que moldam a carreira.

Ao falar sobre o impacto do streaming e das redes sociais, Huff também indicou que prefere não se submeter à lógica da pressa e do resultado imediato, preservando o tempo de maturação do trabalho. “A melhor forma de lidar com isso é não ceder à pressão. A pressa é inimiga da perfeição.”

Crescimento em cena

Desde que se formou, em 2023, a dupla Luka e Rafael vem ocupando espaço no sertanejo produzido em Juiz de Fora, costurando a própria trajetória entre referências do gênero, repertório autoral e circulação crescente. Um dos passos mais recentes desse percurso foi a gravação de um projeto audiovisual em Goiânia, lançada em dezembro.

O trabalho nasceu de um processo de escuta, teste e vivência, em uma tentativa de aproximar o repertório da identidade que a dupla busca construir. Nesse conjunto, “Assunto chato” passou a ganhar destaque e encontrou eco também nas rádios locais.

Gravado no Barzim – casa tradicional da cena sertaneja goiana, já associada a registros de nomes como Hugo & Guilherme -, o projeto reúne cinco faixas. São duas inéditas, entre elas “Reflexo no espelho”, e três pot-pourris com releituras de músicas que atravessam a caminhada dos artistas.

A trajetória recente também foi marcada por “Atrocidade”, música presenteada por Mateus, da dupla Jorge & Mateus, em um gesto que aproxima os cantores juiz-foranos de nomes já consolidados do mercado.

Esse movimento tem aparecido não só nos lançamentos, mas na própria estrutura que começa a se formar em torno da dupla. A compra de um ônibus próprio e a circulação por ambientes cada vez mais próximos de artistas como Jorge & Mateus e César Menotti & Fabiano ajudam a dimensionar uma carreira que tenta sair do circuito local sem romper com ele.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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