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Adolescentes invadem escola e fazem ameaças

Construída recentemente, escola não tem muros, apenas um alambrado, que já foi danificado Um novo drama aflige a comunidade do Residencial Parque das Águas, na região do Monte Castelo, Zona Norte. Além da invasão de imóveis por traficantes, como a Tribuna já mostrou em matérias anteriores, agora o alvo é a Escola Municipal Jovita de […]

Por RENATA BRUM*

31/10/2014 às 07h00

Construída recentemente, escola não tem muros, apenas um alambrado, que já foi danificado

Construída recentemente, escola não tem muros, apenas um alambrado, que já foi danificado

Um novo drama aflige a comunidade do Residencial Parque das Águas, na região do Monte Castelo, Zona Norte. Além da invasão de imóveis por traficantes, como a Tribuna já mostrou em matérias anteriores, agora o alvo é a Escola Municipal Jovita de Montreuil Brandão, inaugurada há menos de 15 dias. Na tarde da última quarta-feira, a unidade, que atende a cerca de 90 alunos do primeiro e segundo períodos da educação infantil e do primeiro ano do ensino fundamental, foi invadida por quatro adolescentes que ameaçaram e intimidaram funcionários, levando medo à comunidade escolar. Ontem a aula foi parcialmente suspensa, e uma reunião com os pais foi realizada às 14h para esclarecer o episódio. A Secretaria de Educação garante que a rotina na instituição não será alterada.

Na quarta-feira, a Polícia Militar esteve no colégio e registrou um boletim de ocorrência (BO) por crime de ameaça. Ainda conforme o documento, os adolescentes teriam entrado no local fazendo baderna e, ao serem advertidos por uma cozinheira, fizeram ameaças. “Vai morrer todo mundo, vamo dá tiro aqui”, diz o BO.

A Tribuna foi até a escola no início da tarde de ontem e encontrou o grupo novamente rondando a escola. Com medo, algumas funcionárias contaram o que aconteceu. “As crianças estavam merendando, e os jovens chegaram, querendo comida. A funcionária negou, e começou a discussão. Ela precisou esconder dentro do meu carro”, contou uma servidora. Outra profissional, 51, também relata temor. “A escola não tem muros, é apenas um alambrado, e já danificaram a parte dos fundos. Sinceramente, minha vontade também é não retornar e pedir transferência. Fico receosa que aconteça algo com as crianças. De quem será a responsabilidade?”

Mãe de um aluno de 5 anos, uma cozinheira, 38, teme novos casos. “Fomos buscar as crianças na quarta, e ninguém sabia de nada. Mas a coordenadora chamou todos os pais e contou chorando o que havia acontecido. Os funcionários estão assustados, e nós também. Estávamos todos felizes que nossos filhos poderiam estudar perto de casa, e agora isso. É muito ruim viver desse jeito, sob pressão. Quando você acha que está tudo bem, acontece alguma coisa.”

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Sem merenda

Ontem a cozinheira, 48 anos, que é terceirizada, não foi trabalhar e avisou à direção que não retorna ao cargo. Os estudantes que compareceram à escola ontem tiveram que ser liberados às 15h, já que não havia merenda. A expectativa é de que hoje uma nova profissional seja encaminhada à unidade pela empresa contratada.

O diretor Ricardo Barros Vieira vê o caso como isolado, mas diz que é preciso que o município adote medidas para garantir a segurança das funcionárias e alunos. “Sou só eu de homem na escola e, no dia da invasão, saí às 14h30 para uma reunião do Fundeb, na Secretaria de Educação, e lá fui informado do episódio. Como aqui só há professoras e funcionárias mulheres, elas ficaram acuadas. Mas o fato é isolado, ligado a quatro adolescentes entre 16 e 18 anos, entre eles duas meninas. O que vou solicitar é a presença de um guarda municipal na unidade pelo menos por 30 dias para garantir a segurança dos professores e alunos.”

Na reunião com os pais, o diretor ressaltou que a escola foi abraçada pela comunidade. “Fomos muito bem recebidos, tanto que estamos liberando o acesso à quadra de esportes após o término das aulas. O que aconteceu está ligado a esse grupo. Como três deles são menores, vamos encaminhar os nomes ao Conselho Tutelar e aguardar o posicionamento da polícia, já que uma das meninas tem 18 anos.”

Segundo o secretário de Educação, Weverton Vilas Boas, os suspeitos da perturbação já foram identificados. Conforme Weverton, durante o encontro, foi destacada a importância da mobilização da comunidade para que episódios como o desta semana não voltem a acontecer. Ele afirmou que os presentes se mostraram engajados. “Não vamos fechar escola por conta de casos isolados como este, hoje (ontem) teve aula e amanhã (hoje) funciona normalmente”, enfatizou.

O coordenador-geral do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro), o vereador Roberto Cupolillo (PT), afirmou que ultimamente não tem chegado ao sindicado ocorrências de violência em escolas municipais . “Está bem tranquilo. Porém, as escolas não são ilhas. O que ocorre fora dos muros escolares acaba refletindo dentro deles.”

Inauguração

A escola foi oficialmente inaugurada no dia 17 de outubro pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), mas a unidade, reivindicação da comunidade, já estava em funcionamento desde setembro. O colégio conta com 11 salas de aula, sala de reforço escolar, refeitório, cozinha, biblioteca, área de convivência e quadra poliesportiva, incluindo plataforma elevatória para garantir a acessibilidade de alunos com deficiência.Foram investidos aproximadamente R$ 3,4 milhões na instituição, que tem capacidade para mais de 300 alunos por turno, e a meta é matricular estudantes desde a educação infantil até o quinto ano do ensino fundamental. O atendimento tem sido feito por meio de transferência de estudantes de outras instituições, de forma gradual.

*colaborou Michele Meireles

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