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Civil prende 4 por crimes no Parque das Águas

Vereadores estiveram no local nesta terça-feira Quatro jovens foram presos nesta terça-feira (28) suspeitos de envolvimento no crime que resultou na morte de Neilson Cândido de Oliveira Filho, 19 anos, e de balear na cabeça um menino de 4 anos. O projétil transfixou o crânio da criança e ainda atingiu a mãe, 19, que a […]

Por Renata Brum e Marcos Araújo

29/05/2013 às 06h00

Vereadores estiveram no local nesta terça-feira

Vereadores estiveram no local nesta terça-feira

Quatro jovens foram presos nesta terça-feira (28) suspeitos de envolvimento no crime que resultou na morte de Neilson Cândido de Oliveira Filho, 19 anos, e de balear na cabeça um menino de 4 anos. O projétil transfixou o crânio da criança e ainda atingiu a mãe, 19, que a carregava no colo, na altura do peito. A violência aconteceu no Bairro Parques das Águas, na região do Monte Castelo, Zona Norte, no último dia 20. As prisões foram efetuadas pela equipe de policiais da Delegacia Especializada em Homicídio, que contou com a participação da Polícia Militar. Os envolvidos foram capturados no Bela Aurora, na Zona Sul, em função de cumprimento de mandado de prisão expedido pela Justiça. Foram detidos um rapaz de 22 anos, responsável por disparar contra o menino e sua mãe; outro jovem, 20, que teria atirado, matando Neilson; um terceiro, 22, que teria conduzido o veículo utilizado na fuga da cena do crime; e mais um, 21, que teria levado o revólver calibre 38 usado para atingir as vítimas. A arma também foi apreendida nesta terça, na casa do suspeito, com cinco munições, sendo duas deflagradas. Segundo informações da Delegacia de Homicídio, um quinto envolvido já foi identificado e está sendo procurado. Uma motocicleta, que serviu para a fuga dos criminosos, foi apreendida.

De acordo com informação da Polícia Civil, a investigação que levou à prisão dos criminosos durou cerca de uma semana, com o trabalho de captura dos identificados tendo se iniciado na última segunda-feira. A motivação do crime teria sido uma confusão entre moradores do Parque das Águas e esse grupo de rapazes do Bela Aurora, que estaria ocupando um imóvel no bairro da Zona Norte. O local estaria servindo para venda e uso de entorpecente, fato que vinha incomodando os moradores. A casa chegou a ser apedrejada, servindo de estopim para que o grupo ligasse para comparsas da Zona Sul, pedindo que um revólver fosse levado até a área. Isso acabou provocando a confusão entre os suspeitos e os moradores da comunidade na Rua Jacyra Sobreira da Silva, resultando nos disparos de arma, que vitimaram fatalmente Neilson e atingiram a criança e a mãe. O jovem morreu após ser alvejado no abdômen. Ele ainda foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu. Já a mãe do garoto foi medicada e liberada na mesma unidade. Nesta terça, a assessoria de comunicação da Santa Casa de Misericórdia informou que o menino atingido na cabeça permanece internado sedado e entubado desde o dia do crime. Seu estado de saúde era considerado estável.

De acordo com a Polícia Civil, também já estão identificados os envolvidos no caso de um adolescente de 14 anos morto no mês passado. Todos seriam menores de idade e já estão acautelados no Centro Socioeducativo de Juiz de Fora. O caso foi enviado para a Vara da Infância e Juventude.

 

 

‘Vamos trazer equipamentos urbanos e projetos sociais’

Os problemas que afetam os moradores do Parque das Águas vão além da insegurança e foram expostos nesta terça aos vereadores, secretários da Prefeitura e representantes da Caixa Econômica Federal, que visitaram a comunidade pela manhã. A ação foi proposta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Julio Gasparette (PMDB), um dia após a Tribuna publicar reportagem denunciando o avanço da violência na área do conjunto habitacional do programa "Minha casa, minha vida".

Falta de serviços básicos, policiamento deficitário, falhas estruturais nos imóveis entregues, denúncias de ocupação irregular das casas do conjunto habitacional foram apontados como problemas pela comunidade às autoridades. Em contrapartida, o secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa Neto, e o diretor-presidente da Emcasa, Luiz Carlos dos Santos, apresentaram um plano diretor para o bairro. "Vamos trazer equipamentos urbanos e projetos sociais, mas o mais importante é trabalhar para que a comunidade se organize", destacou Figueirôa.

 

 

Prioridades

Entre as prioridades para o Parque da Águas está a conclusão da creche e de uma escola e a implantação da "Rede mediadora de conflitos", projeto da Secretaria de Assistência Social (SAS) em parceria com a Polícia Militar. "Estamos formatando o projeto. A assistência social junto com a PM vai buscar mediar os conflitos entre moradores para adotar ações concretas", anunciou o secretário de Assistência Social, Flávio Cheker, adiantando que uma equipe formada por quatro assistentes sociais, psicólogo e professores de educação física irá trabalhar diretamente na comunidade. "Precisamos elevar a autoestima do Parque das Águas, dar ocupação aos jovens, trazendo ensino de jovens e adultos, além de cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Curso Preparatório para Concursos (CPC)."

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Coordenadora de projetos da Emcasa, Waldéa Couto ressaltou que a equipe multidisciplinar irá dar continuidade a ações educativas de organização da comunidade. "O primeiro passo será trabalhar para a eleição da associação de moradores. É preciso que tenham representatividade para que lutem pelas melhorias."

Júlio Gasparette, solicitante da visita ao bairro, destacou a responsabilidade do Legislativo. "Há uma série de coisas que precisam ser feitas, como escola, creche e opções de lazer. Como vereadores, temos a obrigação de cobrar a implantação."

 

Insatisfação

Entre os moradores, a principal solicitação é de mais policiamento. "Não adianta ter praça se nossos filhos não podem ir até lá, pois correm risco de serem atingidos por tiros. Precisamos de polícia", comentou a diarista Eliane Darc, 40. "Precisamos de um policiamento fixo aqui, nem que seja uma base móvel. Depois do homicídio, estiveram aqui por dois dias seguidos, depois sumiram. Quando ligamos, demoram a chegar. Teve um dia que só chegaram depois de três horas. Hoje vieram a Cavalaria e até um microônibus. Pode vir amanha que não terá ninguém", desabafou um morador, 17.

A Polícia Militar garantiu que o patrulhamento preventivo no bairro foi intensificado, mas destacou que a instalação de um posto de policiamento não é estratégia atual da corporação. Sobre a "Rede mediadora de conflitos", o coordenador do projeto pela PM, major Sebastião Justino, informou que o projeto está na fase de identificação de problemas junto às comunidades.

 

 

Moradores denunciam invasão

Durante a visita das autoridades, a comunidade do Parque das Águas denunciou o aluguel, a venda e a invasão de casas por pessoas não contempladas pelo sorteio, além de problemas estruturais nos imóveis. "Eu vim para o bairro, pois fui sorteada, mas minha filha não conseguiu um imóvel. Mora comigo junto com seus quatro filhos. Mas tem gente saindo daqui e vendendo a casa por até R$ 800, alugando para outros ou simplesmente passando para terceiros", contou a dona de casa Tereza de Jesus, 62. "Seria ideal que fizessem um recadastramento dos moradores para verificar, de fato, quem está morando aqui, até por questão de segurança", sugeriu o pastor Sérgio Martins, 68.

Presidente da Emcasa, Luiz Carlos dos Santos disse que as invasões são irregulares e que serão adotadas as medidas necessárias para sanar o problema. O gerente regional da construção civil da Caixa Econômica, Dalmo Victor de Mendonça Brito, informou que o projeto "De olho na qualidade" visa a verificar a situação de invasão e fazer a reintegração às famílias. O gerente ainda destacou que vem sendo realizado um recadastramento nos residenciais, como já ocorreu no Araucárias, na Zona Sul.

 

Falhas nos imóveis

A maior parte dos moradores também reclama dos problemas estruturais. "Não se preocuparam em criar escolas, creches, unidade de saúde e ainda nos deram imóveis comprometidos, sem muros e cheio de goteiras. A água desce pelas paredes da casa toda. A da minha vizinha já afundou e fica um jogo de empurra. A Prefeitura joga para a Caixa, e a Caixa para a construtora. Estou tendo que fazer um empréstimo para conseguir fazer o muro e evitar invasões na minha casa", reclamou a cozinheira Patrícia Azevedo 31.

O gerente regional Dalmo Brito disponibilizou o telefone 0800 721 62 68 para denúncias relacionadas aos problemas estruturais, para que a Caixa faça o monitoramento e acione a construtora.

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