Menos de 20% do público-alvo se vacinou contra a gripe em JF; Estado prevê ampliação à toda população em maio
Cobertura vacinal segue baixa em Juiz de Fora e em Minas, e ampliação pode ocorrer antes do fim da campanha

Quase um mês após o início da campanha de vacinação contra a gripe, Juiz de Fora registra baixa adesão do público prioritário. Até esta segunda-feira (27), 43.638 doses foram aplicadas no município, o equivalente a 16,3% das 267.983 pessoas que integram os grupos contemplados pela imunização. A campanha contra a influenza, vírus causador da gripe, teve início em 30 de março na cidade. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (SS/PJF).
Em nível estadual, a cobertura vacinal também segue abaixo do ideal. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), até esta segunda-feira, o estado registra cerca de 24% de cobertura entre os grupos prioritários, com mais de 1,8 milhão de doses aplicadas em 2026.
A SES-MG informou à Tribuna que a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza segue até 30 de maio para o público prioritário, conforme orientação do Ministério da Saúde. No entanto, a ampliação da vacinação para toda a população poderá ser antecipada para maio, a depender do avanço da cobertura vacinal e da chegada de novas remessas de imunizantes.
Até o dia 14 de abril, o município havia recebido três remessas enviadas pelo Ministério da Saúde, totalizando 65.380 doses. De acordo com a SES-MG, 18.390 doses foram entregues no dia 26 de março; no dia 1º de abril, mais duas remessas foram enviadas, a primeira contendo 24.930 doses e a segunda, 22.060. Segundo a secretaria, uma nova remessa deve chegar ainda esta semana, mas ainda sem previsão do número de imunizantes a ser enviado.
Mais doses
Minas Gerais já recebeu e distribuiu cerca de 3,3 milhões de doses, e uma nova remessa com 80 mil unidades deve chegar nos próximos dias para distribuição imediata aos municípios. O estado também solicitou ao Ministério da Saúde o envio de mais 1 milhão de doses e aguarda liberação.
A pasta estadual alerta que a campanha ocorre em um momento de aumento na circulação de vírus respiratórios. Em 2026, Minas Gerais já registrou mais de 8 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o que reforça a importância da vacinação para evitar complicações, internações e mortes, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
A orientação é que a população procure uma unidade básica de saúde ou pontos de vacinação itinerantes para se imunizar. A vacina é gratuita, segura e protege contra os principais vírus em circulação, incluindo os tipos A (H1N1 e H3N2) e B.
Vacinação é estratégia coletiva
Diferente de outras vacinas que garantem proteção por longos períodos, a dose contra a gripe exige reforço anual. Isso ocorre porque o vírus possui uma alta capacidade de mutação, o que torna a imunidade de anos anteriores insuficiente para os novos subtipos que surgem a cada temporada.
A estratégia de vacinação não foca apenas o benefício individual, mas a criação de uma barreira coletiva. O médico infectologista Marcos Moura explica que a adesão em massa é o que dita o ritmo de circulação do vírus. “Quanto mais pessoas se vacinarem, mais você bloqueia a cadeia de transmissão. Então, o vírus circula com mais dificuldade, e as pessoas ficam protegidas. A gente deve focar em que todas as pessoas que podem vacinar sejam vacinadas imediatamente.”
Embora a meta seja a cobertura ampla, certos grupos enfrentam riscos maiores de complicações graves, hospitalizações e óbitos. Moura ressalta que a atenção deve ser redobrada para:
- Crianças e idosos: extremos de idade que podem ter cursos de doença mais agressivos;
- Gestantes e imunossuprimidos: incluindo pacientes oncológicos;
- Pessoas com comorbidades: indivíduos com doenças crônicas que podem ser descompensadas pelo vírus.
Um dos grandes obstáculos atuais não é a falta do imunizante, mas o acesso e a comunicação. O infectologista aponta que a baixa procura está diretamente ligada à escassez de campanhas públicas e barreiras logísticas nas unidades de saúde. “A baixa adesão acontece porque as pessoas não têm muito estímulo; você vê pouca campanha pública.” Segundo ele, seria importante o “município fazer campanhas nas UBS para estimular a vacinação, ampliando o horário e facilitando acesso”, pontua o médico.
Moura reforça, ainda, que o papel de conscientização deve ser compartilhado por toda a rede: “É fundamental que todos os profissionais de saúde, independentemente da especialidade, estimulem e orientem seus pacientes a fazerem a vacinação”.
Quem pode se vacinar
Até o momento, o imunizante está disponível apenas para o público-alvo (listado ao final da matéria). Em Juiz de Fora, a vacina está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta-feira, a partir das 9h, e aos sábados, das 8h às 11h. Outro ponto de vacinação é o Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e do Adolescente (DSMGCA), localizado na Rua São Sebastião 772/776, com atendimento das 8h às 16h. O serviço também é ofertado no Serviço de Atenção à Saúde do Idoso (SASI), na Avenida Presidente Itamar Franco 796, igualmente das 8h às 16h.
Para receber o imunizante, integrantes dos grupos prioritários devem apresentar documento de identificação com foto e, se possível, o cartão de vacinação. Também é necessário levar um comprovante da condição que garante o direito à imunização nesta fase da campanha.
A ausência do cartão de vacinas não impede o atendimento. Informações como CPF e data de nascimento são suficientes para a realização do cadastro e o registro da aplicação no sistema, garantindo atendimento ágil e seguro conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Caso o usuário não possua o documento, um novo cartão pode ser solicitado e emitido no próprio local de vacinação.
Confira os grupos prioritários
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias)
- Gestantes em qualquer idade gestacional
- Idosos (60 anos ou mais)
- Puérperas
- Povos indígenas a partir de 6 meses
- Quilombolas
- Pessoas em situação de rua
- Trabalhadores da saúde (médicos, profissionais da enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, nutricionistas, biomédicos, veterinários, entre outros)
- Trabalhadores de apoio da saúde (recepcionistas, seguranças, limpeza, cozinheiros, motoristas, cuidadores de idosos, doulas/parteiras, estudantes da área da saúde em atendimento)
- Professores do ensino básico e superior de instituições públicas e privadas
- Profissionais das Forças de Segurança e Salvamento (policiais federais, civis, militares, rodoviários, bombeiros militares e civis, guardas municipais)
- Profissionais das Forças Armadas
- Pessoas com deficiência permanente
- Caminhoneiros
- Trabalhadores do transporte coletivo rodoviário
- Trabalhadores portuários
- Trabalhadores dos correios
- População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, incluindo adolescentes e jovens 12 a 21 anos em medidas socioeducativas
- Pessoas com doenças crônicas e condições clínicas especiais, como doenças respiratórias crônicas (asma moderada ou grave, DPOC, Bronquiectasia, Fibrose cística, Doenças intersticiais pulmonares, Displasia broncopulmonar, Hipertensão pulmonar, Doença pulmonar crônica da prematuridade)
- Pessoas com doenças cardíacas crônicas (cardiopatia congênita, hipertensão com comorbidades, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca)
- Pessoas com doença renal crônica
- Doença hepática crônica
- Doenças neurológicas crônicas (AVC, paralisia, doenças degenerativas ou hereditárias do sistema nervoso ou muscular e deficiência neurológica grave).
- Diabetes (tipo I ou II em uso de medicamentos).
- Imunossupressão (congênita ou adquirida, por doença ou medicamentos)
- Obesidade grave
- Transplantados de órgãos sólidos e transplante de medula óssea
- Portadores de trissomias









