Colégio Tiradentes se manifesta após repercussão sobre avaliações de alunos com deficiência (PcD)

Segundo responsáveis, instituição pretendia dar nota máxima 6 para alunos que tivessem provas adaptadas; rede de ensino alega “divergências na interpretação”


Por Sandra Zanella

26/03/2025 às 17h07

O Colégio Tiradentes – rede de ensino ligada à Polícia Militar – se manifestou, na última terça-feira (25), diante da repercussão negativa nas redes sociais sobre regras nas avaliações dos alunos com deficiência (PcD – pessoa com deficiência). Responsáveis por estudantes ficaram indignados com informações contidas no Guia de Procedimentos Pedagógicos, que indicaria a nota máxima 6 para alunos que tivessem provas adaptadas às suas necessidades. A instituição nega e assegura que houve “divergências na interpretação das informações”.

“Nós, mães, fomos pegas de surpresa, sendo chamadas uma a uma para reunião individual, para escolher entre o aluno ter adaptações e receber nota 6 em todas as matérias; ou, (fazer a prova) sem adaptação, podendo concorrer, conforme todas as outras crianças, chegando até 10 de pontuação”, conta a terapeuta holística Raquel Nazareth, 39 anos, mãe de gêmeos autistas, de 11, que estudam no sétimo ano do Colégio Tiradentes de Juiz de Fora.

Ainda de acordo com ela, as provas começaram a ser entregues na última segunda-feira, quando a maioria das mães ainda nem havia sido comunicada sobre a questão. “Minha reunião, por exemplo, está agendada para a próxima segunda. Espero que até lá tenha saído esse documento (retificando a informação).” Segundo ela, diante da nova proposta e da repercussão do caso, as notas das avaliações não estariam sendo divulgadas.

“Se (a prova) foi adaptada, o máximo que tira é nota 6, mesmo se acertar tudo, as 10 questões, independente do esforço da criança PcD. Só concorre acima de 6 se não tiver as adaptações nas avaliações, que são garantidas por lei”, explica a mãe de gêmeos sobre o entendimento da norma. Raquel conta que a situação despertou choro em crianças, que receberam as provas sem pontuação. “Algumas avaliações tinham corretivo em cima das notas. Todo tipo de absurdo”, desabafa.

Confira a manifestação do Colégio Tiradentes

Em nota divulgada na terça-feira (25) nas redes sociais, a diretoria de educação escolar do Colégio Tiradentes aponta que houve “divergências na interpretação das informações contidas no Guia de Procedimentos Pedagógicos elaborado para disciplinar a avaliação dos alunos com deficiência”. Ainda conforme a instituição, foi realizada uma atualização e retificação do documento na mesma data.

“Ressaltamos que as avaliações dos alunos PcD seguirão rigorosamente as normas vigentes relacionadas à educação inclusiva, garantindo equidade no processo avaliativo. Além disso, reforçamos a importância do Plano de Desenvolvimento Individual, que continuará sendo a principal ferramenta para o acompanhamento personalizado do desempenho desses estudantes, assegurando que suas necessidades sejam devidamente atendidas”, finaliza a nota, emitida em Belo Horizonte e assinada pelo diretor de educação escolar, coronel PM Sandro Vieira Corrêa.

Na mesma postagem nas redes sociais, alguns responsáveis se manifestaram ainda insatisfeitos com a resposta. “Divergências na interpretação? Não. Foi capacitismo em seu estado máximo e discriminação frente à necessidade de suporte mesmo. Ato vexatório diante de uma instituição tão renomada. Qual será a medida adotada agora? Sejam mais claros”, rebate uma mulher.

 

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