‘Um doce de criança’: familiares se despedem de vítimas de deslizamento em Juiz de Fora
Familiares prestam homenagens às vítimas e aguardam notícias de parentes desaparecidos
Familiares e amigos das vítimas das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora começaram a se despedir dos entes queridos nesta semana. A Tribuna acompanhou alguns dos velórios realizados na cidade nesta quinta-feira (26), nos cemitérios Parque da Saudade e Municipal. Além das homenagens e das despedidas, muitas famílias ainda aguardam informações sobre parentes desaparecidos e tentam se reorganizar diante das perdas e dos impactos causados pelo temporal.
A dor profunda e dificuldade para assimilar a dimensão das perdas são sentimentos compartilhados por dezenas de famílias juiz-foranas. Na capela 3 do Parque da Saudade, foram velados familiares de Flávio Santos, que perdeu a esposa, dois filhos, a nora e o neto.
Profissional da área da saúde, Flávio estava a trabalho em Belo Horizonte quando foi informado de que a casa onde morava, na Rua Nicolau Capelli, no Bairro Cerâmica, havia sido atingida após o deslizamento de imóveis localizados na parte alta do Bairro Esplanada. Ele identificou a própria residência por meio de uma imagem que recebeu pelas redes sociais. “Se eu estivesse, seria só mais um ali dentro. Não faria diferença”, disse.
De acordo com ele, três casas situadas em um ponto mais alto deslizaram e a terra desceu com força, atingindo outras quatro moradias na rua onde ele vivia. “A estrutura da minha casa não tinha problema nenhum. O que aconteceu foi que desceu tudo lá de cima com muita velocidade”, afirmou.
Além de lidar com o luto e a perda da própria casa, ele mantém a esperança de encontrar o filho mais novo. “Minha esperança agora é só tentar encontrar o meu filho que ainda está lá.”
A equipe da Creche Comunitária Armando de Moraes Sarmento, no Bairro Cerâmica, onde o neto de Flávio, de 3 anos, estudava, também esteve presente para prestar solidariedade. “Foi o primeiro ano dele na creche. Ele tinha entrado agora e se adaptou super bem. Era muito bonzinho, carismático, independente, uma criança tranquila”, relatou a coordenadora Yasmin Santos. “Todo mundo se encantou por ele.”
A professora Vanessa Borges descreveu o menino como “um doce de criança”. Segundo elas, Matteo havia completado três anos recentemente e frequentava a unidade há poucas semanas, mas já era conhecido por toda a equipe.
A unidade não foi atingida pelo deslizamento, mas, segundo a coordenadora, diversas famílias atendidas pela creche foram afetadas. “O que mais temíamos era receber uma notícia assim”, afirmou Yasmin.
Municipal se aproxima de 30 sepultamentos
No Cemitério Municipal, foram registrados 21 sepultamentos até essa quarta-feira (25) e há outros 6 previstos para esta quinta-feira. A Tribuna esteve no local na manhã desta quinta e, na ocasião, nenhuma vítima das chuvas era sepultada; ainda assim, havia novos sepultamentos previstos no cemitério.

Deslizamentos não afetaram jazigos
O Parque da Saudade informou que identificou pequenos deslizamentos de terra em áreas pontuais do espaço. Segundo a administração, a situação já foi mapeada e está sendo acompanhada pela equipe de manutenção.
De acordo com o comunicado, não há jazigos expostos e não houve qualquer dano às estruturas, restos mortais ou às memórias presentes nos jazigos. A ocorrência, conforme o Parque, se restringe ao acúmulo de terra sobre alguns jazigos.
Ainda segundo a administração, as intervenções necessárias para a correção serão realizadas assim que as condições climáticas estiverem favoráveis, com o objetivo de garantir segurança e qualidade na execução do serviço.
O Parque reafirmou o compromisso com “respeito, responsabilidade e cuidado permanente com o espaço e com as famílias” e informou que permanece à disposição para esclarecimentos.









