Cidade terá mais 7,2 quilômetros de faixa exclusiva para ônibus

O trânsito de Juiz de Fora ganhará 7,2 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus a partir de outubro. A medida, anunciada nesta terça-feira (24) pelo prefeito Bruno Siqueira e o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, integra o projeto "JF+mobilidade", que é um conjunto de ações, a curto, médio e longo prazo, que visa a otimizar o sistema de transporte coletivo do município. Faz parte das medidas a serem implantadas um sistema de integração temporal, que ligará as 29 linhas que atendem a Zona Norte às fábricas instaladas entre os bairros Distrito Industrial I, II e III, além dos estabelecimentos na rodovia BR-440. Isso será feito por meio de duas novas linhas, que poderão ser acessadas pelos usuários com a utilização do cartão Passe Fácil, sem que uma nova passagem seja cobrada. No momento da apresentação do projeto, houve também a assinatura do contrato para que sejam iniciados os estudos técnicos que objetivam reavaliar o sistema de transporte coletivo da cidade, cujo edital foi liberado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) no dia 7 de agosto.
As faixas exclusivas para ônibus serão instaladas entre a Rua Coronel Vidal, na altura do Viaduto Ramirez Gonzalez, Bairro Cerâmica, até a Avenida Brasil, na interseção com a Rua Ewbank da Câmara, no Mariano Procópio. Em direção à Zona Norte, terá o espaço para os coletivos a Avenida Brasil, entre a Rua Américo Lobo, no Manoel Honório, e o viaduto no Cerâmica. Além destes espaços, Juiz de Fora tem hoje outros 4,7 quilômetros de faixas específicas para o transporte coletivo, como as avenidas Getúlio Vargas e Francisco Bernardino. A diferença é que algumas delas, como na própria Rua Coronel Vidal e Avenida Brasil, eram faixas preferenciais, e não exclusivas. Conforme Tortoriello, a medida ampliará a autonomia dos fiscais de trânsito, pois agora a invasão ao espaço poderá resultar em multa. Para Bruno Siqueira, a mudança reforça a necessidade de privilegiar o transporte coletivo, conceito este adotado em municípios de médio e grande porte do país, diminuindo o tempo das viagens, prejudicado pelo constante aumento da frota de veículos.
Ônibus integrado
A implantação do sistema de bilhete único, previsto para entrar em vigor já em 2014, terá parte do conceito testado em outubro. Na Zona Norte, a Settra vai criar duas novas linhas de ônibus com intuito de melhorar o transporte de pessoas que trabalham nas indústrias da região. Os coletivos circularão entre a Avenida JK, em Benfica, até a BR-040, no trevo do Senai (754) e outra para o Distrito Industrial, passando pela Barreira do Triunfo, até Mercedez Benz (756). Em um prazo de uma hora e trinta minutos, os passageiros que estiverem nas outras 29 linhas que atendem a Zona Norte poderão entrar nestes coletivos sem pagar nova passagem. "Já é um teste para a integração. Em termos de equipamentos, vai nos possibilitar a implantação do bilhete único no futuro, e poderemos minimizar os possíveis erros deste sistema na hora de validar o cartão", disse Tortoriello, argumentando que a novidade é uma solução para atender a demanda sem aumentar o número de ônibus no Centro.
Outros anúncios
O Sistema Inteligente de Transporte (ITS) deverá ser implantado até o primeiro semestre de 2014. A ideia é que todos os ônibus em circulação na cidade tenham um sistema de GPS integrado, que possibilitará aumento da fiscalização. "Saberemos se determinada linha está cumprindo horário, se saiu ou não da rota. Também vai permitir que o usuário tenha informações em tempo real, como a aproximação do ônibus. Isso será possível através de um aplicativo em smarthone", disse o secretário. Atualmente a documentação necessária está sendo preparada para que o processo de licitação seja iniciado.
Completam as primeiras ações do projeto, a mudança na identidade visual nos pontos de ônibus do Centro, que serão separados por cores, de acordo com o espaço de estacionamento de cada empresa de ônibus, e a afixação de painéis informando os itinerários das linhas.
Já o trabalho de georreferenciamento dos pontos, iniciado em julho com objetivo de mapear onde e em quais condições estão as paradas de ônibus nos bairros, segue em andamento.
Bilhete único e sistema troncalizado
Será realizada entre outubro e novembro uma pesquisa que visa a identificar as demandas dos usuários do transporte público na cidade. O trabalho será feito pela Tecnotran – Engenheiros Consultores Ltda, vencedora da licitação pública. Embora o processo licitatório tenha ocorrido na administração passada, apenas em agosto deste ano o Tribunal de Contas do Estado (TCE) permitiu a assinatura do contrato e início das atividades. A partir das informações coletadas, um estudo será desenvolvido para ser utilizado como base na nova licitação do transporte coletivo urbano de Juiz de Fora.
De acordo com o diretor da empresa, André Barra, a partir do trabalho de campo, a ser realizado com os passageiros, dentro dos ônibus, será possível saber a quantidade e os horários em que os ônibus são necessários para chegar ao seu destino. "Fomos contratados para entregar dois planos. Um sugerindo ações de curto e outro de médio e longo prazos. De imediato, em até um ano, poderemos sugerir um novo conjunto de linhas que atendam melhor a população. A bilhetagem única pode ser este caminho, com usuário fazendo baldeações e, com isso, diminuindo a quantidades destes veículos no Centro." A longo prazo, entre três e cinco anos, ele cita a implantação do sistema troncalizado, com terminais de integração em locais estratégicos. "Isso vai aumentar a velocidade operacional, ampliando a qualidade. O grande problema em Juiz de Fora, atualmente, é que todas as linhas são individuais e se encontram nos mesmos pontos de destino, causando retenções. Com a bilhetagem única e os terminais, permitindo pagamento fora dos ônibus, o embarque e desembarque será muito mais rápido."
Questionado sobre a aceitação dos usuários sobre a volta deste sistema, utilizado anteriormente na Zona Norte com repercussões negativas, Barra diz que, desta vez, as mudanças serão implantadas a partir de estudos técnicos. "Se for feita de forma equivocada, o resultado será ruim. Para fazer um terminal, precisamos ter o plano de transporte coletivo. Nele estará previsto o número de passageiros e a quantidade de linhas necessárias para escoar a demanda. Se fazemos um terminal porque temos uma área disponível, isso não pode dar certo."









