Na tarde desta terça-feira (24), após a chuva voltar a dar uma trégua, foi retomado o trabalho de resgate de vítimas das ocorrências no Parque Burnier, Morro do Imperador e Paineiras, locais que estão entre os mais afetados pelo temporal que atingiu Juiz de Fora. De acordo com o Major Demétrio Goulart, do Corpo de Bombeiros, mais duas mortes foram confirmadas no Parque Burnier, Zona Sudeste. Logo, a corporação já registrou 21 óbitos na cidade. Ao todo, 113 militares estão mobilizados somente nos trabalhos em Juiz de Fora. Em Ubá, até a última atualização, sete óbitos haviam sido divulgados.
A Defesa Civil de Juiz de Fora atualizou o número de ocorrências em decorrência da chuva. Até o final da tarde desta terça foram 536 em 24 horas, e 965 em todo o mês de fevereiro. O número de mortes ainda será divulgado pela Prefeitura.
Após a pausa nas buscas no início da tarde, por conta da volta das chuvas, o Corpo de Bombeiros retomou as atividades no Bairro Parque Burnier e encontrou pelo menos mais dois corpos nesta tarde, somando dez pessoas resgatadas com vida e sete mortes confirmadas no local.
Moradores e parentes acompanham as buscas pelos desaparecidos em desespero. Débora Penna, 39 anos, moradora do bairro, conta que conhece desde a sua infância as pessoas que estão desaparecidas. “É muito triste ver tudo acabar. A gente nunca imagina que vai acontecer com a gente. Eu escutei o barulho, vi que tinha muito barro e corri. Minha amiga e o filho dela estavam soterrados. Eles foram para o hospital, ela está bem, mas perdeu o filho”.
No local, duas retroescavadeiras auxiliam as equipes na remoção de terra.
Região central
Ainda nesta tarde, após a chuva cessar, as equipes de bombeiros também retomaram as atividades de busca e a retirada de terra e de destroços das residências atingidas próximas ao Morro do Cristo – ou Morro do Imperador, na região central.
No Bairro Paineiras, na mesma região, Firmino de Souza Neto, 58 anos, auxiliava um grupo de pessoas que tentava resgatar o corpo de um rapaz soterrado, quando a chuva voltou a se intensificar no início da tarde desta terça. “Isso prejudicou bastante, tivemos que parar. Podemos até virar vítimas também, porque o ambiente tem bastante terra e pedra. Tem risco de correr para cima da máquina, então, está difícil chegar até lá”.
Devido ao deslizamento no Morro do Cristo, ainda nesta tarde, Odério Filho, de 63 anos, junto de seus pais idosos, precisou deixar a sua casa, que fica de frente para a área atingida. Sua mãe, uma idosa com Alzheimer, precisou ser transferida com o auxílio de uma ambulância.
Proprietária de um comércio na região, Ana Maria, 60 anos, recebeu recomendações para deixar o local. “A gente tá indo embora, porque não dá para ficar aqui hoje. Mas amanhã abro de novo, amanhã a gente tá aí”. O reciclador em situação de rua Glaucio Thiago, 40 anos, trabalhava sob a chuva em um local com risco de deslizamento. “Dá até medo de chegar ali. É incrível essa cena que eu estou vendo aqui. Às vezes a gente procura abrigo, ou só um lugar para esconder da chuva, mas não estou nem dormindo. Tá tudo alagado lá pra baixo. O caos tá na cidade toda”, contou.
Segundo o sargento Alessandro, do Corpo de Bombeiros, com a retomada da chuva, os trabalhos na Rua do Carmelo ficam ainda mais difíceis e complexos, impondo uma pausa para garantir a segurança dos trabalhadores, pois há risco de novos deslizamentos. “Com a terra mais barrosa, fica mais difícil trabalhar no terreno, porque fica mais densa, com água acumulada e ainda mais pesada”. Enquanto aguardavam uma trégua da chuva, os agentes do Corpo de Bombeiros se recolheram no estacionamento de um prédio próximo à área atingida. Depois, por volta das 15h30, retomaram as buscas e a retirada de escombros.

