Vaquinha busca custear aparelho auditivo para ex-cobrador de Juiz de Fora, após perda de 60% da audição

Afastado do trabalho há dois anos, Deoclécio Ribeiro, conhecido como ‘Cigano’ necessita de R$ 10 mil reais para comprar aparelho auditivo


Por Beatriz Bath*

21/02/2026 às 08h00

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Deoclécio de Oliveira Ribeiro, 53 anos, é conhecido como “Cigano” e trabalho por 26 anos no transporte público de JF (Foto: Arquivo Pessoal)

O zumbido intenso que passou a ouvir diariamente levou Deoclécio de Oliveira Ribeiro, 53 anos, conhecido como “Cigano” e que trabalhou por 26 anos como cobrador do transporte público em Juiz de Fora, a procurar avaliação médica e fazer uma audiometria. O exame apontou perda auditiva de quase 60% no ouvido esquerdo. Beneficiário do INSS questões de saúde, ele afirma não conseguir custear o aparelho recomendado, orçado em R$ 10 mil. Com apoio de amigos, ele abriu uma vaquinha on-line, divulgada em seu perfil no Instagram.

Desde 2024, Deoclécio também enfrenta outros problemas de saúde. Segundo ele, um caroço inicialmente interpretado como ginecomastia – aumento benigno do tecido mamário masculino, geralmente associado a desequilíbrios hormonais -, foi diagnosticado como câncer.

Morador do Bairro Jardim Casablanca, na Cidade Alta, Ribeiro relata que conseguiu atendimento no SUS com rapidez, com apoio de um médico que esteve em seu local de trabalho, no Parque Municipal. A partir disso, consultou um mastologista e realizou os exames necessários. No dia 7 de novembro de 2024, passou por uma cirurgia que durou quase sete horas e resultou na retirada total da mama direita – procedimento que também pode ser indicado em homens, embora o câncer de mama masculino seja menos lembrado do que o feminino.

Pós-operatório e perda de mobilidade

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Laudo apresentado no caso de Deoclecio (Foto: Arquivo Pessoal)

A partir daí, foi gradualmente perdendo o movimento do braço direito, devido a um corte feito em sua axila na cirurgia – linfadenectomia axilar, realizado para remover linfonodos (ínguas) da axila que podem conter células cancerosas, evitando a propagação do câncer. Ele acrescenta que o quadro se agravou após o retorno ao trabalho, 15 dias depois da operação, quando precisou realizar esforço físico, apesar das orientações médicas.

Afastado da recente ocupação como terceirizado da Prefeitura de Juiz de Fora, ele conta que depende da família para realizar tarefas que antes realizava facilmente, como dirigir. Também também relata que o benefício recebido pelo INSS, R$ 1.630 por mês, não é o suficiente para cobrir as despesas da família.

“A única coisa que tenho de valor são minhas filhas e minha esposa”, conta. Deoclécio também relata frustrações porque, com as despesas, não consegue manter as contas em dia e está com o nome negativado.

O dinheiro voltou a limitar sua rotina quando começou a sentir um zumbido constante nos ouvidos. A audição, segundo ele, nunca foi perfeita, mas, após episódios de vertigem, a qual ele tentou contornar com remédios para labirintite, decidiu procurar ajuda. Atualmente, ele espera o retorno para otorrinolaringologia, mas já fez uma audiometria particular, comprovando a perda auditiva de 60% no ouvido esquerdo.

“Eu não acreditei”, conta ele, ao descobrir sobre o valor do dispositivo. Segundo ele, nem mesmo vendendo tudo que tem, seria o suficiente para custear o aparelho auditivo. “Falaram que eu podia fazer no cartão de crédito, mas eu nem tenho”. Deoclecio explica que, para abafar o zumbido, tenta utilizar sons da televisão e música, mas nem sempre funciona.

Além do problema auditivo, ele também realiza sessões de quimioterapia e usa medicamentos para controle da pressão arterial e de crises epilépticas. “Prefiro ficar em casa, sem incomodar ninguém”, conta. Deoclécio afirma que se sente sem dignidade diante da situação.

“A pior coisa que pode acontecer na vida é perder a graça”. Ele conta que, antes, era um homem alegre, mas hoje enfrenta dificuldade para encontrar alegria na vida. “Minha mulher não me reconhece mais.”

Incentivado, então, pelos amigos, Deoclécio criou uma vaquinha online, mas espera que as pessoas entendam que ele não quer o dinheiro para uso próprio, quer apenas o aparelho auditivo e parar o zumbido constante. Por meio da chave Pix [email protected], ele espera conseguir o recuperar qualidade de vida para estar com sua família, mas não quer ser visto como “vítima”.

Deoclécio também relata dificuldades para enxergar, pois precisa de óculos bifocal. “Um amigo comprou um baratinho na internet, e tô me virando”. Ele pediu à reportagem ajuda para conseguir os óculos. “A gente nunca sabe o que o outro tá passando. Se você tem alguém na família, um amigo, passando por alguma coisa de saúde, cuida dele”, finaliza.

*Estagiária sob a supervisão da editora Carolina Leonel

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Ribeiro necessita de óculos bifocal (Foto: Arquivo pessoal)

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