Garis de Juiz de Fora se mobilizam por piso nacional da categoria
Projeto aprovado na Câmara dos Deputados tramita no Senado e também prevê aposentadoria especial e insalubridade máxima
Na véspera do Dia do Gari, celebrado no Brasil em 16 de maio, os servidores do Demlurb realizaram um ato no Centro de Juiz de Fora. O objetivo foi reivindicar a aprovação do Projeto de Lei 4.146/2020, que regulamenta a profissão de gari e estabelece o piso salarial nacional de R$ 3.036 para a categoria. A convocação foi promovida pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JF).

Conhecido como PL do Gari, o texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado Federal. A proposta, que dispõe sobre o trabalho nas atividades de coleta de resíduos e de conservação de áreas públicas, também prevê aposentadoria especial e insalubridade máxima (40%).
Tarcísio Oliveira é servidor do Demlurb há 24 anos. Na linha de frente do movimento, o gari destaca que a categoria está próxima da aprovação do PL, mas lamenta a paralisação no Senado federal. “As lideranças de Brasília já tentaram articular várias vezes, mas não somos ouvidos. Quando não há respeito com os garis, não há respeito com a população. Não paralisamos o dia inteiro devido ao decreto de calamidade pública na cidade, mas precisamos de urgência – afinal, é ano eleitoral.”
Além disso, Tarcísio reforça que os garis não atuam apenas na estética dos municípios. “Somos agentes de saúde, ambientais. Se pararmos nossos serviços, a população (inclusive nós mesmos) é a maior prejudicada. Lixo acumulado atrai baratas, ratos e insetos, além de trazer um mau cheiro e poluição, até mesmo visual. Na pandemia, todos pararam. Nós não paramos em respeito à população. O mesmo ocorreu na tragédia em Juiz de Fora. Pedimos dignidade”, acrescenta.
A mobilização da categoria nesta sexta-feira (15) não ocorreu apenas em Juiz de Fora: foi nacional. No município, o ato foi realizado em frente à Câmara Municipal e foi acompanhado por uma Assembleia Geral com paralisação da categoria. “Não vamos parar enquanto os servidores do Demlurb não receberem o piso nacional. E se necessário, vamos parar a cidade”, declarou a presidenta do Sinserpu-JF, Deise Medeiros.
A Tribuna questionou ao Senado federal se há interesse em se manifestar a respeito do movimento e do andamento do PL na casa legislativa. Até o momento, não houve retorno.









