Em entrevista à Rádio CBN, o delegado Eurico da Cunha Neto comentou o resultado do laudo de necropsia com os resultados dos exames feitos após a exumação do corpo do advogado aposentado Simeão Cruz, de 80 anos. O idoso havia sido sepultado no dia 13 de maio, dois dias após assinar um testamento, deixando como herdeiros a jornalista Denise Zaghetto, 52, e o cuidador Carlos César Viana, 59. Ambos estão presos desde agosto passado em virtude de mandado de prisão preventiva.
De acordo com o delegado, o exame não aponta que a morte foi por causas naturais, “mas simplesmente que não existiam elementos estranhos que pudessem ser detectados. Na idade e nas condições físicas dele, não estou dizendo que ocorreu, mas há várias maneiras de levar a óbito sem deixar resquícios. O que o exame prova é que não foram usadas substâncias que deixassem resquícios. Isso não afasta a possibilidade de que outras substâncias tivessem sido usadas e que o IML não detectasse”, afirmou, acrescentando que, pelo tempo que o idoso havia sido enterrado, idade e debilidade, seria muito difícil o exame apontar algo.
Conforme Eurico, as investigações caminham para a fase final, faltando apenas duas testemunhas para serem ouvidas. “A Justiça concedeu a quebra do sigilo bancário do idoso. Vamos avaliar os saques dos últimos meses. Se a quebra trouxer muitas surpresas, o inquérito demorará mais para ser concluído”, afirmou. O delegado apontou que já há vários crimes comprovados que teriam sido cometidos pela jornalista e pelo cuidador. “Este laudo não muda em nada o que já está apurado, como os crimes de estelionato, cometido diversas vezes, e apropriação indébita”, afirmou.
Eurico disse, ainda, que na sua visão a manutenção da prisão da dupla é importante. “Eles mentiram compulsivamente. Temos três declarações completamente diferentes umas das outras. No computador da jornalista havia pesquisa de viagens para o exterior. Nada impede que se ela for para a rua que ela realmente viaje para fora do país. Terminado inquérito, não modifica em relação à fuga e a destruição de provas. Além disso, o Ministério Público pode mandar o inquérito de volta para a delegacia pedindo novas provas. É uma situação que tem que ser vista com muito carinho”, pontuou.
Defesa
Em entrevista à Tribuna, na última terça-feira (11), após o resultado do laudo de exumação do corpo de Simeão ter sido divulgado, o advogado de defesa da jornalista, Ulisses Sanches da Gama, disse que sua cliente não teria cometido crime e sim um erro no momento da feitura do testamento, uma vez que ela não teria chamado um tabelião no local. E, diante disso, considerando a prisão preventiva um equívoco, ele solicitou a soltura dela à Justiça.
Já Giovanni Malta do Valle Silva, que defende o cuidador, relatou que o resultado do exame aponta a inocência de Carlos e, por isso, iria pedir a revogação da prisão preventiva. A Justiça ainda não se posicionou a respeito dos pedidos. A Tribuna fez contato com a Secretaria de Administração Prisional (Seap), e ambos permanecem em unidades prisionais de Juiz de Fora nesta quarta-feira (12).
