Moradores do Bairro Jardim Natal, na Zona Norte, denunciam a falta de transporte público coletivo há cerca de um ano. Segundo eles, nem com o anúncio da Prefeitura de Juiz de Fora, na semana passada, pela decisão que determina 100% da frota em circulação como medida para o enfrentamento à pandemia da Covid-19 no município, as linhas 607 e 614 que atendiam a comunidade voltaram a trafegar.
A moradora Luciene Alves, da Rua Pedro Paulo da Silva, reclama que sabe que a Prefeitura vem fiscalizando os ônibus de outras linhas, para evitar que passageiros viajem em pé, mas no bairro em que mora não há coletivo para atendê-los. “Nós, moradores do Bairro Jardim Natal, atendidos pelas linhas 607 e 614, já temos cerca de um ano sem ônibus. Isso é um desrespeito conosco, que somos juiz-foranos e pagamos nossos impostos em dia”, afirma.
Residente na Rua Miguel Marcos Peres, Rita Garcia, indigna-se. “Tenho minha filha que tem dificuldades de andar. É um absurdo o Jardim Natal ficar sem ônibus”, reclama. “Tenho minha sogra e meu sogro, que sobem este morro do bairro com peso, porque não trafega mais a linha 607”.
Outra moradora, que prefere não ser identificada, diz que fica uma hora, no Centro, aguardando para pegar ônibus de outro bairro e depois ainda tem que andar para chegar até sua casa. “Total descaso com os usuários”, lamenta.
Situação não é novidade
A situação do Bairro Jardim Natal já havia sido abordada pela Tribuna, no dia 5, data que em que a Prefeitura determinou a volta da circulação de 100% da frota. Naquela ocasião, a moradora Luciene Alves, que se locomove com ajuda de muletas, também foi ouvida: “É necessário andar uma distância muito grande para conseguir uma condução. Eu tenho que fazer esse percurso de muleta para pegar ônibus ou então pagar por um Uber, o que aumenta os custos do meu tratamento”, afirmou, dizendo que precisa fazer fisioterapia.
Na mesma matéria, a residente Rejaine Matos contou que tem medo de ser assaltada quando vai para o trabalho. “Eu saio de casa às 5h30 para poder pegar o ônibus na Avenida JK e, nesse horário, a rua está escura e bem deserta, o que me deixa com muito medo de ser roubada.”
O morador Tiago Rocha também foi ouvido e relatou que teme pela segurança de sua esposa. “Minha mulher trabalha no Centro e precisa pegar a condução muito cedo para não se atrasar. No horário em que ela volta, também é complicado, porque ela precisa descer na JK e andar até nossa casa, no período da noite. As ruas, neste tempo de pandemia, estão ficando muito desertas e ela tem muito medo. Eu preciso ir até o ponto todos os dias para buscá-la, para que ela possa se sentir mais segura. Quando a linha 607 funcionava, ela desembarcava do ônibus na porta de casa”, reclama. “Além disso, o bairro tem muitos moradores idosos e é muito complicado para eles ter que fazer esse deslocamento.”
Prefeitura analisa
Sobre a situação denunciada pelos moradores, a Prefeitura informou que, mesmo com a determinação da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMU) para retorno das linhas, o Consórcio Manchester alegou inviabilidade operacional para acatar a decisão, que inclui as questões judiciais da empresa Gorreti Irmãos Ltda (GIL).
“Todos estes problemas estão sendo analisados pelo grupo de estudo criado para remodelar o sistema de transporte coletivo da cidade. O não cumprimento das determinações por parte das empresas é passível de sanções administrativas previstas no contrato de concessão”, informou a Administração Municipal.

