
Animal mede menos de um centímetro na fase adulta
Uma nova espécie de sapo foi encontrada no Parque da Lajinha, no Teixeiras, Zona Sul. O estudo que descobriu o animal é de pesquisadores da UFJF, e durou cerca de seis anos. A publicação, que valida a pesquisa, saiu em dezembro passado em uma revista alemã. O "Adelophryne Meridionalis", como foi batizado o sapo, mede menos de um centímetro na fase adulta e foi capturado na porção de Mata Atlântica presente no parque. Os biólogos suspeitam que exista no local outra espécie ainda não registrada de sapo.
Segundo a professora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF, que coordenou o trabalho, Rose Marie Hoffman de Carvalho, o sapo identificado em Juiz de Fora não é venenoso e possui coloração escura. "Por conta de seu tamanho, a captura só foi possível com o uso de armadilhas", explica a pesquisadora.
A confirmação de que se tratava de uma nova espécie ocorreu em 2010, e, até meados do ano passado, foram feitos diversos trâmites para que ela fosse reconhecida e catalogada. "A nova espécie é diferenciada por cinco características de outras sete do mesmo gênero, que são encontradas no Norte e Nordeste. Ela possui somente duas falanges (tipo de osso) no quarto dedo da mão em vez de três; tem o primeiro dedo menor ou igual ao quarto; as gotas na extremidade dos dedos do pé são menos salientes, exceto no quarto dedo; o tímpano não é visível e a pele dorsal é lisa."
A professora destacou que os anuros, grupo que compreende sapos, rãs e pererecas, são bioindicadores de qualidade do ambiente. "A presença destes animais é um indicativo que o ambiente está em boas condições. Quando há poluição do ar ou da água, eles não sobrevivem ou têm alterações no corpo, já que a respiração dos anfíbios é feita pela pele, e a grande maioria se reproduz na água." Ela pontuou ainda a importância do financiamento de pesquisas deste cunho. "Encontrar espécies novas em pequenos fragmentos de mata, como no Lajinha, mostra que estas áreas merecem ser estudadas e que nelas há possibilidade de encontrar novas espécies, que podem estar correndo o risco de serem destruídas antes mesmo de serem encontradas", finalizou.

