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Funcionário de agência dos Correios é detido por suspeita de furtar relógios

Vítima viu mercadorias em anúncio na internet e se passou por comprador; PM deteve suspeito durante negociação

Por Sandra Zanella

12/01/2021 às 18h32- Atualizada 13/01/2021 às 09h56


Um funcionário de agência franqueada dos Correios em Juiz de Fora, de 27 anos, foi detido por suspeita de furto/receptação de dois relógios da marca suiça Victorinox, avaliados em R$ 4 mil cada. As mercadorias, consideradas raras, haviam sido postadas separadamente por um advogado, 35, no dia 29 de dezembro, na agência Centro, situada na Avenida Itamar Franco, quase esquina com a Rua Batista de Oliveira. O suspeito trabalhava no mesmo local.

No dia 4, o advogado foi informado por um dos compradores, morador de Salvador (BA), que a caixa que deveria conter o relógio havia chegado vazia ao destino. A partir daí, o vendedor começou uma saga para limpar seu nome e descobrir o que teria ocorrido, até ver dois produtos idênticos aos seus anunciados em um site. Ele então decidiu se passar por interessado e conseguiu marcar um encontro com o suspeito, no último sábado (9), em uma casa no Bairro Bonfim, Zona Leste.

“Ao realizar busca no site OLX, encontrei um anúncio em que o vendedor tinha duas unidades dos itens em questão disponíveis. Os anúncios foram inseridos 12 horas após a minha postagem (nos Correios). Como se trata de um item raro, com número de série individual, e eu possuía tudo documentado, resolvi me encontrar com o vendedor me passando como possível comprador, mas com a intenção de verificar se eram os itens que postei”, contou o advogado, que preferiu não se identificar na reportagem. Para surpresa dele, durante o encontro presencial, o suspeito teria se passado por ele, se apresentando com o nome que estava nas notas fiscais que acompanhavam cada produto.

Após o advogado verificar que o número de série de ambos os relógios batiam com aqueles enviados, a Polícia Militar foi acionada, surpreendendo o funcionário da agência dos Correios dentro da casa. “Demos muita sorte, porque estava passando uma viatura por perto na hora, e minha irmã praticamente pulou na frente.” Mesmo diante da presença dos policiais, o suspeito teria insistido em dizer o mesmo nome do advogado, mas, depois, começou a cair em contradição e repassou sua real identidade. Aos militares, ele alegou que havia comprado os relógios de outro trabalhador dos Correios, por R$ 400 cada. Ele ainda admitiu que estava vendendo os produtos na plataforma OLX, por R$ 3.499 a unidade.

Diante dos fatos, o suspeito foi conduzido pela PM até o plantão da 1ª Delegacia Regional, em Santa Terezinha, onde foi ouvido e liberado. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, foi instaurado procedimento investigativo. Em seguida, o caso foi encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pelas ocorrências da Zona Leste, para apuração dos fatos.

Advogado acredita não ser a única vítima

“Na delegacia, ao que parece, a autuação do rapaz mudou (de receptação) para furto, pois é funcionário da agência em que realizei as postagens”, comentou o advogado, que acredita na possibilidade de haver mais pessoas lesadas pelo mesmo esquema. “Embora tenha esclarecido o sumiço dos meus itens, o rapaz possuía inúmeros anúncios de produtos variados em seu perfil, sugerindo que o número de vítimas possa ser muito maior.”

O conteúdo continua após o anúncio

Para exemplificar que talvez não seja a única vítima, o advogado frisou que, no anúncio da venda de um notebook no perfil do suspeito, tinha a seguinte especificação: “Não possuo NF (nota fiscal). Mas possuo a declaração de conteúdo de venda gerada pelos Correios.” A vítima destacou, ainda, que o perfil citado deletou todos os anúncios no final da tarde de sábado, após a detenção realizada pela PM. “Não posso precisar se isso foi feito pelo indivíduo que consta no boletim de ocorrência ou por algum comparsa”, completou.

O advogado acrescentou que trabalha com compra e venda de mercadorias on-line há 16 anos, mas nunca havia passado por constrangimento desse tipo. “O comprador da Bahia praticamente me chamou de golpista. Prezo muito pelo meu nome. Felizmente, achei os relógios aqui em Juiz de Fora, porque se tivesse acontecido fora daqui seria muito mais difícil.”

A vítima disse ter chegado a ficar com o pé atrás quando o cliente relatou o fato de a caixa ter chegado vazia. “Desconfiei dele, e ele desconfiou de mim. Por isso procurei por algum anúncio de venda.” O outro comprador do relógio, morador de Cuiabá (MT), também recebeu posteriormente a caixa dos Correios vazia, reforçando a desconfiança de o desvio ter ocorrido dentro da empresa de postagem. “Passei a semana inteira sem conseguir dormir direito. Agora, os relógios que foram apreendidos já estão na minha posse.”

A Tribuna entrou em contato com a assessoria dos Correios em Minas na terça-feira. A estatal chegou a enviar nota sobre exigência, no ato da postagem, de nota fiscal ou declaração de conteúdo e também sobre prevenção de tráfego de itens proibidos, sem mencionar as providências tomadas nesse caso específico, nem afirmar se já houve outros casos semelhantes na mesma agência franqueada de Juiz de Fora.

Já na manhã desta quarta-feira (13), após publicação da reportagem, a assessoria de comunicação dos Correios informou que o empregado terceirizado foi desligado após o conhecimento do ocorrido. “Os Correios estão colaborando com as autoridades policiais para elucidação dos fatos.”

O caso também está sendo apurado pela própria empresa, que garante repudiar qualquer ato ilícito praticado por seus empregados (diretos ou indiretos), dentro ou fora da empresa. “A estatal ratifica o seu compromisso com a ética, a integridade e a transparência, e reafirma que o episódio não condiz com as práticas da empresa e do seu quadro de pessoal.”

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