Sem água e energia, casa de idosa no Bairro Igrejinha segue com muro caído há um mês

Dona Cida relata que problema começou antes das chuvas do fim de fevereiro e diz que segue sem água, energia e acesso regular a serviços no Bairro Igrejinha


Por Bernardo Marchiori e Davi Sampaio

07/03/2026 às 13h29- Atualizada 07/03/2026 às 13h36

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Dona Cida mostra o trecho onde o muro da casa caiu após o temporal do dia 7 de fevereiro (Foto: Felipe Couri)

As fortes chuvas em Juiz de Fora registradas entre os últimos dias de fevereiro causaram estragos em diferentes regiões da cidade. No caso de Maria Aparecida de Jesus, a Dona Cida, de 62 anos, os problemas começaram antes. Moradora da Rua G, no Bairro Igrejinha, na Zona Norte do município, há três anos, a idosa teve o muro de casa derrubado durante um temporal no dia 7 de fevereiro. Segundo o relato, ela não recebeu atendimento do poder público após o primeiro incidente. Com isso, as chuvas registradas na semana do dia 23 de fevereiro agravaram ainda mais a situação.

A Tribuna esteve no local na manhã deste sábado (7). Embora o Bairro Igrejinha, onde mora Dona Cida, esteja situado nos limites do município e afastado dos principais pontos atingidos pelas chuvas recentes, os problemas na região se agravaram e afetam diretamente a vida dos moradores.

Com a queda do muro, um caminhão de um vizinho, que estava parado na rua no momento, caiu no terreno dela. Conforme Dona Cida relata, um guincho foi acionado para retirar o veículo do local, e a Defesa Civil instalou uma faixa de interdição. Segundo ela, o susto foi enorme. “Aconteceu por volta das 19h. Eu estava dormindo e escutei um barulho, um estrondo. Pensei que era o prédio do lado, porque ele está ‘condenado’ também. Levantei meio aérea e quando cheguei do lado de fora, o caminhão estava caído lá embaixo, com um monte de terra, água, barro.”

Com as chuvas registradas no fim de fevereiro, as condições no local pioraram ainda mais: a casa da idosa ficou completamente alagada. “O chão é de pallet, então o cano não deu vazão para a água. Entrou dentro do meu quarto, cozinha, varanda – foi um transtorno. Perdi as coisas mais básicas que tinha, mantimentos: perdi tudo. Tive que jogar fora”, relata.

Moradora segue sem serviços básicos após chuva

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Moradores afirmam que Rua no Bairro Igrejinha está sem passagem de ônibus desde as chuvas registradas no fim de fevereiro (Foto: Felipe Couri)

Dona Cida mora sozinha e segue sem água e energia desde a chuva do dia 23 de fevereiro. Em meio à situação, conta com as ajudas dos filhos, que levam alimentação à mãe, e do vizinho, que está cedendo um bico d’água. “Meu padrão de luz e meu hidrômetro estão lá embaixo, caídos. Não é um ambiente insalubre, mas é um barraquinho onde eu moro. Tenho medo de deixar e alguém invadir.”

lém disso, ela conta que ônibus e caminhão de lixo não passam pela rua desde o dia 23. Dona Cida afirma que foi até a Prefeitura para cobrar providências para reparar os danos em sua casa. Entretanto, depois disso, foi encaminhada à Secretaria de Obras e, posteriormente, ao Departamento de Informação Geral e Atendimento (Diga), onde pediram que aguardasse. Desde então, não houve qualquer informação ou resolução.

“Já corri atrás e fui aos lugares que pediram. Eu acho que deveriam ter dado mais atenção aqui, porque aconteceu antes das chuvas da última semana. Mas, até hoje, nada foi feito. Não estou dormindo e nem comendo. Faço tratamento de depressão, ansiedade. O bairro, por ser afastado, é esquecido. Estou muito nervosa por ter perdido tudo. Não recebo salário. O que tenho é a conta dos meus remédios. Eu peço pelo amor de Deus que venham me dar socorro. Estou em pânico com isso. Ser humano nenhum merece passar por isso que estou passando.”

Prefeitura diz que atuação segue critérios técnicos e prioridade para emergências

Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora afirmou que “reconhece os transtornos enfrentados por moradores da Rua G, no Bairro Igrejinha, assim como por moradores de tantas outras localidades da cidade atingidas pelas fortes chuvas registradas nas últimas semanas” e que “se solidariza com as famílias impactadas”.

Sobre a queda de muros ou estruturas em imóveis, a Administração municipal esclareceu que, “fora de contextos diretamente relacionados à situação de calamidade pública, intervenções dessa natureza dependem do cumprimento de critérios técnicos e legais, além de avaliação específica pelos setores competentes”.

Em relação aos impactos provocados pelas chuvas mais recentes, a Prefeitura informou que “permanece atuando em regime de prioridade no atendimento às ocorrências emergenciais, com foco na proteção da vida, na assistência às famílias atingidas e na recuperação gradual das áreas afetadas em diferentes regiões da cidade”.

Quanto à interrupção da circulação de ônibus e da coleta de lixo na localidade desde o dia 23, o Executivo disse que “a retomada desses serviços depende das condições de segurança e de acesso às vias, sendo restabelecidos de forma gradual conforme as avaliações técnicas e operacionais das equipes responsáveis”. Sobre a falta de energia, destacou que a responsabilidade é da Cemig. Já em relação ao abastecimento de água, informou, por meio da Cesama, que “uma equipe será enviada ao local para verificação da situação”.

A Prefeitura reforçou ainda que “segue mobilizada para avançar nas respostas necessárias em toda a cidade, considerando os critérios técnicos, as condições de segurança e a capacidade operacional das equipes envolvidas”.

A Tribuna entrou em contato com a Cemig sobre a questão da falta de energia e aguarda retorno.