Subsecretário da PJF é vítima de falso sequestro

Vítima chegou a comprar joias e um novo celular para entregar aos bandidos (divulgação polícia civil)
O subsecretário de Planejamento de Território da Prefeitura e arquiteto, Álvaro Giannini, 59 anos, foi vítima do golpe do falso sequestro, ficando em contato telefônico com os criminosos durante quase 20 horas. Sob forte abalo emocional, o servidor público acreditou que sua filha estaria em poder de sequestradores. A história, que teve início por volta das 15h de quarta-feira, terminou ontem perto das 11h, quando o arquiteto foi encontrado por uma equipe da Polícia Civil junto a um caixa eletrônico de uma agência bancária na Rua Oswaldo Aranha, no Bairro São Mateus, Zona Sul.
O caso foi esclarecido ontem durante entrevista coletiva à imprensa realizada pelo chefe do 4º Departamento de Polícia Civil, Saed Divan. “Hoje (ontem) de manhã, a Polícia Civil recebeu, através da Prefeitura, uma solicitação do prefeito Bruno Siqueira, comunicando o desaparecimento do subsecretário. Imediatamente, acionamos todas as equipes das delegacias especializadas e conseguimos, depois de três horas, encontrar a vítima”, ressaltou o delegado.
No momento em que foi abordado e reconhecido pelos policiais, ele estaria nervoso falando ao celular, em frente a um caixa eletrônico, e prestes a realizar duas transferências nos valores de R$ 10 mil, em nome de supostos bandidos. Do outro lado da linha, criminosos afirmavam que haviam sequestrado uma das filhas do arquiteto, que mora no Estado de São Paulo, segundo a Polícia Civil.
As buscas pelo subsecretário mobilizaram as delegacias especializadas de Repressão a Roubos, Homicídios e Antidrogas. Os investigadores percorreram hotéis, shoppings e bancos da cidade a fim de encontrar pistas sobre o possível paradeiro da vítima. Os policiais observaram imagens de câmeras de segurança, inclusive do Olho vivo, para tentar esclarecer o suposto caso de sequestro.
Ameaças
Conforme a Polícia Civil, o arquiteto informou que estava hospedado em um hotel, onde o veículo dele, um Hyundai Tucson, estaria estacionado. Mediante ameaças, ele também teria sido obrigado a fazer compras com seu cartão de crédito em estabelecimentos, incluindo uma joalheria. Mesmo depois da chegada da polícia, os golpistas teriam feito outras ligações para a vítima.
“Ele entrou em desespero e começou a fazer todos os passos que os possíveis sequestradores exigiam. Ele fez algumas transferências bancárias e compras na cidade e depois permaneceu isolado, sem comunicar o fato para a polícia e para familiares”, afirmou Saed. A informação do desaparecimento do servidor público de carreira foi publicada na página oficial do prefeito Bruno Siqueira no Facebook, no início da manhã, e recebeu centenas de compartilhamentos. Segundo a postagem, a família pedia ajuda de todos com quaisquer informações. Na quarta-feira, parentes teriam tentado contato via celular, mas o telefone foi atendido por uma pessoa que disse ter encontrado o aparelho na rua, no Bairro Cascatinha, Zona Sul. Todavia, a vítima teria sido orientada a destruir seu telefone e adquirir outro.
Ainda segundo Saed, os bandidos teriam marcado um encontro com a vítima. Os policiais fizeram campana no local, mas nenhum suspeito apareceu. “Vamos investigar também se foi um falso sequestro, somente com ameaças por telefone ou se realmente havia alguém agindo na cidade.”
Polícia Civil vai rastrear as ligações
Na tarde de ontem, o subsecretário Álvaro Giannini prestou depoimento na sede da 1ª Delegacia Regional, em Santa Terezinha. Conforme o delegado Saed Divan, familiares da vítima também foram ouvidos. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso. “O próximo passo vai ser rastrear as ligações para determinar de onde partiram. Já temos todos os números e acionamos a Justiça para localizar a origem”, afirmou o policial, acrescentando que os valores das transferências, cerca de cinco efetuadas, foram rastreados, mas não serão divulgados a fim de não prejudicar as investigações. A Polícia Civil também informou que alguns estornos foram feitos para minimizar o prejuízo.
Apesar de comum, o golpe do falso sequestro ainda faz muitas vítimas em todo o Brasil. O delegado Saed Divan faz um alerta à população a fim de evitar o crime. Segundo ele, as pessoas devem evitar atender a ligações a cobrar. “Caso atenda, se não identificar que seja alguém de sua família neste tipo de ligação, deve-se evitar dar detalhes sobre sua vida, nomes de familiares, não ajudando o bandido com subsídios para avançar na conversa. É preciso evitar adesivos nos carros com nomes dos filhos e dos locais que frequenta. Os idosos devem ser orientadas para não passar detalhes ao telefone. De modo geral, as pessoas devem sempre duvidar de ligações longas, de choro das vítimas e fazer o registro na polícia comunicando os fatos.”
* colaborou Nathália Carvalho









