Moradores do Bairro Vila Alpina relatam abandono após deslizamento obstruir rua; endereço não consta entre interdições

Apesar de bloqueada, Rua Sebastião Costa não é citada na lista de vias interditadas da Prefeitura


Por Mariana Souza*

03/03/2026 às 18h48- Atualizada 03/03/2026 às 19h30

Chuva em Juiz de Fora deixa estragos na rua Sebastião Costa no Bairro Vila Alpina em Juiz de Fora.
Deslizamento de terra atingiu encosta e obstruiu trecho da Rua Sebastião Costa, no Bairro Vila Alpina, em Juiz de Fora (Foto: Reprodução Google Maps e Arquivo Pessoal)

Moradores da Rua Sebastião Costa, no Bairro Vila Alpina, na Zona Leste de Juiz de Fora, relatam situação de abandono após um deslizamento de terra obstruir a via e colocar imóveis em risco. Apesar da situação, o endereço não consta na lista de vias interditadas divulgada nesta terça-feira (3) pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).

Segundo relatos ouvidos pela Tribuna, o deslizamento teria ocorrido na noite da última segunda-feira (23), durante as fortes chuvas que atingiram o município. A área afetada, tomada por mato alto, cedeu e deixou, pelo menos, uma casa parcialmente suspensa, além de outras residências sob risco de desabamento.

A moradora Thaís de Paula Santos afirma que a terra atingiu o portão da garagem e atravessou toda a extensão da casa, saindo pela varanda voltada para a Rua Lanir Alves de Souza. Segundo ela, com o deslizamento, parte do imóvel onde mora cedeu e atingiu a residência do irmão, localizada no nível abaixo, provocando danos em portões e no telhado.

image (2)image (3)Rua Sebastião Costa, Vila Alpina - Arquivo Pessoal 3
<
>
(Foto: Arquivo Pessoal)

Thaís relata que a família precisou sair às pressas, e o resgate foi improvisado pelo pai, com o uso de uma escada colocada na varanda para dar acesso ao escadão que liga o nível da casa à parte mais baixa da rua. Segundo ela, a escada foi posicionada “correndo o risco da enxurrada levar” devido à força da água no momento. “Graças a Deus a gente está aqui hoje, porque Deus quis… meu pai foi muito rápido”, disse.

Ela detalha que o resgate do filho, de 9 anos, foi difícil. Como a escada não alcançava toda a altura necessária, o pai de Thaís precisou improvisar para retirar o neto com segurança. “Ele segurava meu filho pelas pernas, segurava meu filho pelo braço…”, relembra. Em seguida, ao ser ajudada a descer, ela diz que a estrutura do imóvel começou a ceder. “Foi a hora que as paredes da casa começaram a explodir”, completa.

Thaís afirma que acionou a Defesa Civil na terça-feira (24). Segundo ela, uma equipe esteve na região no dia seguinte, mas não vistoriou o imóvel e orientou a evacuação apenas da Rua Lanir Alves de Souza. Ainda de acordo com a moradora, somente nesta terça-feira (3) agentes estiveram no local e recomendaram a saída também da Rua Sebastião Costa, devido ao risco estrutural.

Deslizamento se repete na área

Thaís relata que não é a primeira vez que ocorre deslizamento no terreno. Ela lembra que, em 31 de dezembro de 2024, houve um escorregamento que também preocupou os moradores.

“Mas nada se compara a esse. Tinha caído um pedaço desse barranco em cima do carro do meu irmão, que estava parado na rua. Ele perdeu o carro todo. Tem 32 anos que eu moro na Vila Alpina, tem 60 anos que meu pai mora na Vila Alpina, e isso nunca aconteceu”, disse.

A PJF foi questionada sobre a confirmação da vistoria da Defesa Civil nesta terça, eventual interdição das duas vias citadas pela moradora e as ações que serão realizadas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli